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Revista Betel - Próximo Trimestre

3º TRIMESTRE DE 2018
Neste trimestre, considerando o septuagésimo aniversário do estabelecimento de Israel como Estado, estudaremos a história da nação de Israel, desde a chamada de Abraão, passando pelos patriarcas, a escravidão no Egito, a chamada de Moisés para libertar o povo de Deus, a entrega da Lei no Sinai, a entrada na Terra Prometida, os períodos dos juízes e reis, o cativeiro babilônico, o retorno dos judeus para a terra de Judá, o período interbíblico, a vinda do Messias e os eventos escatológicos. Trata-se de uma excelente oportunidade para cada aluno da Escola Bíblica Dominical se familiarizar com uma visão panorâmica da história e do processo do grande plano redentor de Deus para a humanidade, que passa por Israel. Não podemos ignorar este assunto, pois o próprio Jesus Cristo disse que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22) e o apóstolo Paulo reconheceu, no que se refere aos judeus, que “primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Rm 3.2). Que o Espírito Santo nos conduza em tão enriquecedor estudo.

É preciso buscar o crescimento espiritual - Comentários Adicionais (Irmã Emivaneide)


É PRECISO BUSCAR O CRESCIMENTO ESPIRITUAL
(Lição 09 – 27 de Maio de 2018)

TEXTO ÁUREO
Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” (2 Pe 3.18).

VERDADE APLICADA
O novo nascimento é o início do processo de crescimento espiritual, que deve ser contínuo e progressivo.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
ENFATIZAR a importância de estar em Cristo e a necessidade do crescimento;
RESSALTAR que o processo do crescimento espiritual é contínuo;
DESTACAR que a Palavra de Deus nos incentiva ao crescimento espiritual.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
1 Pe 1.23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.
1 Pe 1.24 Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
1 Pe 1.25 Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.
1 Pe 2.1 Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações,
1 Pe 2.2 Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo.

INTRODUÇÃO
O processo natural de crescimento dos seres humanos se inicia a partir da fecundação quando se forma o zigoto (primeira célula do novo ser) e é definido pelo nosso código genético. É o nosso DNA que traz todas as instruções genéticas para definir como se dará nosso desenvolvimento (crescimento). Porém, esse processo de crescimento é complexo e apesar do potencial genético ser fundamental nesse processo, as influências do meio ambiente pode interferir alterando de maneira positiva ou negativa o ritmo do nosso crescimento. A partir da compreensão das etapas do crescimento físico e natural estudaremos, nessa lição, como ocorre o crescimento espiritual e qual a nossa parcela de responsabilidade nesse processo.

1. O QUE SE ESPERA DO NASCIDO DE NOVO?
O processo de crescimento é resultado da junção de hereditariedade e ambiente, assim, fatores socioeconômicos, químicos, físicos, imunológicos, infecciosos, mecânicos, até fatores relacionados ao meio familiar e afetividade influenciam e modificam o ritmo de crescimento de cada ser. Espera-se que ao nascer uma criança se desenvolva (cresça) de forma normal, ou seja, dentro dos parâmetros definidos como de normalidade. Em nossa vida espiritual ocorre algo semelhante, quando “nascemos de novo”, herdamos a genética divina de nosso Pai espiritual para crescermos e nos desenvolvermos, porém, esse crescimento dependerá também de fatores externos ou ambientais para que ocorra dentro do esperado.

1.1. Jesus Cristo experimentou o crescimento
Com Jesus Cristo não foi diferente, ele não desceu a Terra já crescido (adulto), ele nasceu e experimentou todo o processo de crescimento físico e espiritual. A Palavra nos diz que Cristo crescia e se desenvolvia: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.5). Estamos diante de duas realidades simultâneas: crescimento físico e crescimento espiritual. A partir do conhecimento de como ocorre o crescimento físico podemos compreendemos também o processo de crescimento espiritual. O termo grego utilizado no Novo Testamento para indicar crescimento ou aumento é “auxano” (Ef 4.15; Cl 1.10; 1 Pe 2.2; 2 Pe 3.18), esse termo se refere ao processo natural de crescimento das plantas.

1.2. Metáforas que indicam crescimento
No intuito de demonstrar o processo natural de crescimento que ocorre depois do novo nascimento, a Palavra de Deus utiliza várias metáforas que ilustram esse processo, ora nos comparando com plantas, ramos ou árvores (Sl 1.3; 92.12-13; Jr 17.7-8; Jo 15.1-8), ora nos comparando com uma edificação ou construção (Ef 2.21). Além disso, a Palavra de Deus faz referência ao crescimento orgânico, ou seja, dos membros do corpo de Cristo (Ef 4.15-16). Crescer espiritualmente diz respeito a um processo de aperfeiçoamento dia-a-dia a fim de alcançar o perfeito caráter de Cristo para viver em completa comunhão e intimidade com Deus. Enquanto estivermos na Terra devemos buscar crescimento espiritual para nosso aperfeiçoamento e salvação.

1.3. A necessidade do crescimento
Por que é necessário crescer? A resposta a essa pergunta é simples: porque é plano de Deus, Ele quer que cresçamos. Nosso Deus, criador de todas as coisas, sabe melhor do que ninguém que o crescimento é uma consequência natural e uma necessidade dos seres vivos, ou seja, um pré-requisito para o aperfeiçoamento e edificação do corpo de Cristo. Essa necessidade de crescimento está descrita em Efésio capítulo 4, versos 11 a 16. Nesse texto resta demonstrado que o crescimento espiritual visa à unidade, o conhecimento, o amadurecimento, a perfeição e a completude em Cristo Jesus. Necessitamos de progresso espiritual contínuo para nos tornar DE FATO quem a Bíblia diz que já somos de DIREITO.

2. O PROCESSO DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL
Podemos fazer uma analogia do crescimento espiritual com o nosso desenvolvimento humano, assim, o marco inicial do processo de crescimento seria: o nascimento ou “novo nascimento”; após o nascimento há uma grande dependência dos pais para tudo: comer, tomar banho, trocar roupa, enfim para todas as necessidades; levando para o âmbito espiritual essa dependência ocorre na necessidade de ser discipulados e aprendermos a Palavra de Deus e como viver essa nova vida em Cristo, somos bebês espirituais. Com o passar do tempo, a criança começa a engatinhar e andar sozinha, esse passo marca o início de sua independência, levando para a realidade espiritual ocorre quando conseguimos colocar em prática os princípios aprendidos e conseguimos adequar nosso modo de viver discernindo sobre o que nos convém e o que é conduta mundana (pecado). À medida que a pessoa vai crescendo sua independência se torna maior, na fase adulta o ser aprende a tomar suas próprias decisões e a enfrentar desafios diários sempre com o suporte das experiências e conhecimento que adquiriu no decorrer do seu processo de crescimento. Nessa fase a pessoa já internalizou princípios e valores aprendidos e consegue se conduzir com base neles, é o cristão maduro que conhece a Palavra e não é enganado por falsos mestres e lobos disfarçados de ovelhas no meio da igreja. Atenção, o Senhor nos deu um princípio simples: se nós lermos e estudarmos (meditarmos) na Palavra Dele, conheceremos completamente a Sua vontade para nós e não seremos enganados por bons discursos de homens que não conhecem nada de Deus e distorcem a verdade (Ef 4.14) e então alcançaremos o caráter perfeito de Jesus Cristo.

2.1. A participação humana
Deus, em sua infinita misericórdia providenciou tudo para nossa salvação, ou seja, o impulso inicial para nosso crescimento e aperfeiçoamento já foi dado, porém, cabe a nós desenvolvermos atitudes de progresso e crescimento na vida espiritual. Em 1 Pedro 2.1 somos exortados a deixar/lançar fora atitudes e hábitos que comprometerão (atrapalharão) nosso crescimento, essa é nossa parcela de esforço. O crescimento espiritual deve ser natural para todo cristão, porém não é o que ocorre normalmente nas igrejas. Porque a maioria dos cristãos se recusa a crescer. É razoável que uma criança recém-nascida se apegue e faça uso da chupeta como consolo, porém, à medida que ela cresce deve abandonar esse hábito, pois, após 1 ano de idade, se ela continuar com esse hábito, irá prejudicar o processo de crescimento de sua arcada dentária, da mesma forma, depois de certa idade também deverá abandonar a mamadeira e a sopinha, e etc. Vencer etapas faz parte do nosso desenvolvimento natural e espiritual. Precisamos crescer e assumir novas responsabilidades, esse é o projeto de Deus: que prossigamos, avancemos. Precisamos sair da nossa “zona de conforto” (Ef 3.10-12).

2.2. A Palavra de Deus gera crescimento
O apóstolo Pedro, em sua primeira epístola, nos orienta da seguinte maneira: “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e toda sorte de maledicências; Desejai, ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.” (1 Pe 2.1-2). Esse texto se inicia deixando claro que, para crescermos espiritualmente, precisamos abandonar práticas, hábitos e costumes mundanos, demonstrando e confirmando assim a afirmativa da nossa decisão de sermos Cristãos, de termos Jesus Cristo por Senhor, de termos nascido de novo. Sabemos que é muito difícil para o homem abandonar práticas erradas, e, impossível salvar a si mesmo. Necessitamos do auxílio de Deus e da Sua graça em nossas vidas, graça essa que é ativada pela fé pessoal sobre a Palavra de Deus. No texto supracitado, o apóstolo Pedro está orientando os irmãos, à medida que novos crentes são acrescentados ao corpo de Cristo, que cada um deve abandonar as práticas antigas, os pensamentos impuros, os erros de outrora, já que experimentaram o amor e o perdão de Deus. Aqueles que nascem de novo devem deixar para trás a vida no pecado, devem ter a disposição sincera e verdadeira de mudança, e um novo desejo para crescer em Deus, na Palavra e na fé! No versículo 2, Pedro menciona que devemos desejar como criança recém-nascida, o genuíno leite espiritual (a Palavra de Deus), para que através dele nos seja dado crescimento para a salvação. Sem crescimento na Palavra não há crescimento na fé; sem crescimento na Palavra não há crescimento para salvação. A Palavra de Deus é pra ser lida diariamente, meditada todo dia e confessada diante das situações da vida. Ora, já está demonstrado cientificamente que o leite materno embora, aparentemente ralo, é o alimento mais completo da natureza e que suas propriedades nutricionais são capazes de suprir todas as necessidades do recém-nascido, produzindo um crescimento saudável e consistente. Semelhantemente, a Palavra de Deus, ainda que possa parecer tão simples, quando absorvida, crida e confessada, dia após dia, produz o crescimento e amadurecimento para a salvação. Curioso notar que no texto das sagradas escrituras o apóstolo qualificou o leite como ”genuíno leite espiritual”, ou seja, não é qualquer coisa dita acerca de Deus que fará o cristão crescer, tem que ser a Palavra genuína, no sentido verdadeiro, sem heresias (Cl 2.16-23). Não podemos aceitar misturas à Palavra, não podemos aceitar doutrinas de homens que trazem contendas e imaturidade aos cristãos. Somente a pura Palavra de Deus tem valor para produzir caráter, graça e fé para crescermos como igreja do Senhor.

2.3. Crescimento: Processo contínuo
Ainda meditando no texto de 1 Pedro 2.2, notamos algo importante quando o apóstolo menciona o termo “crescimento para salvação”. Assim, podemos compreender que o crescimento através da Palavra produz maturidade e experiências com a salvação, nos faz crescer nos benefícios da salvação. O termo grego original “sozo”, aplicado no texto, é empregado em diversas outras passagens podendo indicar cura, preservação, proteção, libertação, e, portanto, enriquece ainda mais a importância da Palavra de Deus em nossas vidas. O genuíno alimento da Palavra de Deus produz em nós crescimento, ou amadurecimento com os benefícios da salvação. Quanto maior nosso crescimento espiritual, maior deve ser a nossa compreensão daquilo que somos Nele, e daquilo que Ele já fez por nós através da cruz. A Palavra de Deus nos dá a condição para crescermos espiritualmente, na verdade, ela é a fonte de onde brotam o perfeito entendimento, o amadurecimento, as respostas, a vontade do nosso Pai para nossas vidas. Sem a Palavra nada do que foi feito se fez (Jo 1.3), sem a Palavra não haveria universo (Hb 11.3), sem a Palavra não há vida (Jo 1.4). A Palavra é o meio pelo qual nosso o Deus e Pai nutrem e proporcionam crescimento aos Seus filhos.

3. A IMPORTÂNCIA DO CRESCIMENTO
A fórmula ou receita para nosso crescimento está na Palavra. Precisamos exercitar o conhecimento e a obediência à verdade conforme Ele nos ensina no texto de Hebreus 5.12-14. Nesse texto o autor da carta, ao falar da falta de crescimento espiritual dos hebreus, faz uma analogia com o processo de crescimento físico quando os bebês iniciam sua alimentação com leite materno e, somente após um período de amadurecimento passam a comer alimentos sólidos. No contexto espiritual o alimento é a Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada.

3.1. Crescer enquanto caminha
Como saber se estou crescendo espiritualmente? Para responder a essa pergunta é preciso analisar se as decisões que eu tenho tomado no dia a dia estão alinhadas (baseadas) com a Palavra de Deus ou se essas decisões são fruto da minha vontade humana e tendenciosa ao pecado. No texto de 1 Co 3.1-3 podemos perceber a falta de crescimento e maturidade espiritual da igreja em Corinto, pois o modo de agir desses cristãos era baseado em sua vontade e instinto humano, suas decisões não eram submetidas aos princípios da Palavra de Deus, eles agiam no impulso carnal e são comparados pelo apóstolo Paulo a “meninos em Cristo”. Através desse relato podemos perceber que o reflexo do nosso crescimento e maturidade espiritual está nas ações e comportamentos pautados na Palavra. Nossas ações diárias precisam estar em constante confronto com os princípios da Palavra, somos o corpo de Cristo, e assim sendo, precisamos agir comandados pelo cabeça que é Cristo. Na cabeça se encontra o cérebro que é o centro de comando do corpo, por isso a Palavra nos orienta a ter a mente de Cristo (1 Co 2.16), Cristo é o nosso maior exemplo, ele cresceu e cumpriu a Palavra, precisamos fazer o mesmo. Buscar o crescimento espiritual é uma questão de sobrevivência, e a única forma de crescer e aperfeiçoar nosso caráter são através da leitura e meditação nos princípios de Deus que estão revelados em Sua Palavra. Portanto, precisamos reservar tempo para nos encontrarmos com a Palavra e com o Espírito Santo que nos ensinará todas as coisas (Jo 14. 26).

3.2. Os perigos do não crescimento
Crescimento é um processo desafiador e requer assumir responsabilidades e se tornar um ser independente e, infelizmente muitas pessoas se acomodam a uma vida de “bebês na fé”, embora sinta necessidade de crescer, eles preferem não empreender esforços para tal. Quando o cristão deixa de buscar o crescimento espiritual, ele perde a chance de experimentar o melhor de Deus para sua vida, pois é mediante o crescimento espiritual que somos aperfeiçoados, e podemos usufruir da comunhão e intimidade com nosso Deus. Não podemos permanecer como meninos inconstantes (Ef 4.14), precisamos alcançar maturidade e constância espiritual para não cedermos às pressões e padrões mundanos e assim perdermos a nossa salvação.

3.3. Não sejamos negligentes
O processo de crescimento e maturidade espiritual requer tempo e esforço, assim como o crescimento físico não acontece de uma hora pra outra, o crescimento espiritual também é gradual e progressivo. O processo de crescimento espiritual requer iniciativa da nossa parte, precisamos ter ações condizentes com o que se espera de um cristão maduro.

CONCLUSÃO
Ante o exposto, observamos que para nos tornarmos maduros espiritualmente necessitamos de constante investimento na meditação da Palavra de Deus; na oração que produz intimidade com o Pai; na humildade para aprender com Ele (Pv 16.18); no exercício da fé e rejeição do medo; e, por último, na tomada de decisões sensatas e baseadas na Palavra da fé. Perceba que todas essas atitudes dependem de ações da nossa parte, Deus já providenciou todas as condições para nossa vitória, agora cabe a nós alcançá-la (conquistá-la). Para concluir gostaria de ilustrar com a seguinte lição da borboleta: Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajuda-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade..., mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar. O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro. Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, Ele nos condenaria a uma vida atrofiada. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nunca poderíamos alçar voo.

Fonte bibliográfica:
“Para que minha vida se transforme”. Maria Salette e Wilma Ruggeri – Editora Verus.

Comentários Adicionais:
Emivaneide Lourdes da Silva

Os propósitos de Deus nos milagres - Comentários Adicionais (Pr. Osmar)


OS PROPÓSITOS DE DEUS NOS MILAGRES
(Lição 08 – 20 de Maio de 2018)

TEXTO ÁUREO
Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” (João 6.26).

VERDADE APLICADA
Precisamos perceber nos milagres, à luz da Palavra de Deus, além dos benefícios imediatos e temporais, pois há sinal no milagre.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
lembrar que Deus operou e ainda opera milagres;
MOSTRAR a relação entre milagres e sinais;
ENFATIZAR que os milagres não substituem a Palavra de Deus.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
Mc 16.20 – E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.
At 4.14 – E, vendo estar com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário.
At 8.6 – E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia.
At 9.41 – E ele, dando-lhe a mão, a levantou e, chamando os santos e as viúvas, apresentou-lha viva.
At 9.42 – E foi isto notório por toda a Jope, e muitos creram no Senhor.

INTRODUÇÃO
Milagres não são fenômenos restritos apenas ao passado. Manifestações miraculosas de Deus sempre acompanharam o povo de Deus, trazendo bênçãos e fortalecendo a fé (Sl 40.5). Nossa vida cristã é diariamente permeada por milagres, como livramentos, provisões, curas, etc. Quem nunca teve a experiência de um desses milagres em sua vida? Embora, os milagres seja um assunto que gera fascínio por sua própria natureza, é também, um tema que vêm causando controvérsias, descrença e até ceticismo, devido aos equívocos e exageros cometidos por algumas igrejas “sensacionalistas” e pregadores “exibicionistas”. Compreender os verdadeiros propósitos de Deus através dos milagres se torna um imperativo para nós cristãos dos dias atuais.

1. DEUS O OPERADOR DE MILAGRES
Deus é por natureza um Deus de milagres. Por isso, Ele operou e continua operando milagres. No entanto, os milagres operados por Deus são para cumprir sua vontade, sua glória e seus propósitos (Mt 9.8; Is 42.8; Jo 6.14; 9.2-3; 11.4). É evidente nas Escrituras que o poder de operar milagres pertence unicamente a Deus. Ele é o dono do poder de realizar milagre e não nós seres mortais (Sl 77.14; At 2.22; 19.11-12). Logo, na realização de um milagre é Deus quem opera sendo nós apenas servos e instrumentos Dele. Estão equivocados aqueles que se intitula como sendo os únicos onde há manifestação do poder de Deus ou que buscam se firmar tomando como referência os milagres. Nos propósitos dos milagres não há nas Escrituras nada que sustenta a promoção ou ostentação individual de quem quer seja. Ao contrário, essa é uma reivindicação muito perigosa, pois desvia objetivamente o propósito dos milagres, tirando a glória que é de Deus para concentrarem sobre o homem (At 8.18-23; Is 42.8; Sl 62.11). Uma coisa é ser canal ou instrumento de Deus, outra, é ser dono do poder de operar milagres.

1.1. O que é um milagre?
Milagres são fenômenos que acontecem dentro da experiência humana onde as leis da natureza se rompem ou se tornam inertes por ocasião de uma intervenção divina. Em sentido comum seria pequenas ou grandes interferências sobrenaturais de Deus que sobrepõe ao que é natural. Mas, esse modo de Deus intervir é para cumprir um ato de sua soberana vontade e propósito e não apenas para mera demonstração do que ele é capaz de realizar. Em regra, sempre que um milagre acontece, ele cumpre um propósito específico. A Bíblia apresenta inúmeros propósitos de Deus na realização de milagres, no entanto, podemos destacar que os principais são: a) manifestar a glória de Deus (Jo 2.11; 11.4,40; Mt 9.8); b) manifestar a misericórdia e compaixão de Deus para com o homem na sua miséria (2 Rs 4.1-7,42-44; Mt 9.20-22; Mc 5.22-24; 7.24-30), e; c) nos ajudar a crer Nele (Êx 10.1-2; Jo 2.11,23; 20.30-31). Diante disto, podemos afirmar que milagres em sentido autêntico e bíblico é parte de um conjunto de bênçãos que acompanham a salvação (Mc 2.5,10-11; Hb 13.8). Assim, o próprio Reino de Deus, na pessoa de Jesus, serve de critério para distinguir entre os sinais e milagres operados por Deus de outros supostos “acontecimentos, prodígios ou maravilhas”, que sem dúvida, existem, mas que não transforma o homem e nem o traz de volta para Deus.

1.2. Os milagres de Cristo
Há muito que se aprender com os milagres operados por Jesus. Além de atestarem a divindade do Mestre e seu poder sobre a vida e a morte, esses milagres encerram também ensinos práticos para a vida cristã, produzindo crescimento espiritual, tanto para o cristão individualmente, como para a igreja como um todo. No Novo Testamento, mas, especificamente nos evangelhos, encontramos pelo menos trinta e cinco relatos em que Jesus age diretamente como protagonista, acalmando tempestades, andando sobre as águas, multiplicando alimentos, curando enfermos, expelindo demônios, ressuscitando mortos, etc. Todos os atos milagrosos realizados por Ele foram partes importantes e imprescindíveis de sua pregação, que além de autenticar e confirmar o Seu ministério, tinha ainda como objetivo manifestar a glória de Deus, revelando-O como Salvador de todos os males humanos.

1.3. Milagres após a ascensão de Cristo
Ao comissionar os seus discípulos, Jesus incumbiu-os não só de levar a mensagem de “boas Novas” de salvação, como também da realização destes feitos milagrosos, o que a torna também atual para nós (Mt 10.7-8; Mc 3.14-15; Lc 9.1-6; Mc 16.17-18). Esses milagres de curas e ressurreições de mortos foram operados pelos apóstolos mediante o poder do Espírito Santo, que também está em nós (At 3.6-9; 9.33-41; 14.8-9; 20.9-10). Estes sinais e maravilhas não cessaram com a morte desses abnegados servos de Deus, mas continuaram acontecendo no seio da igreja do primeiro século e continuam até os dias de hoje. Jesus mesmo disse que aqueles que cressem Nele realizariam também milagres e sinais, até maiores dos que Ele mesmo realizou (Jo 14.12-14).

2. A RELAÇÃO ENTRE MILAGRES E SINAIS
Há uma relação muita estreita entre milagres e sinais, já que ambos se referem aos mesmos fenômenos sobrenaturais, mas há uma nítida distinção entre eles: os milagres se referem ao evento ou acontecimento sobrenatural, em si, enquanto que os sinais transmitem uma mensagem e confirmam o caráter divino do milagre. Assim, o sinal é um dos aspectos do milagre e se refere à “mensagem” que o milagre transmite. A Palavra “Sinal” vem do termo grego “Semeion” que significa “marca, prova ou sinal”. As Escrituras Sagradas destacam os sinais como um “autenticador divino dos milagres”, isto é, a prova divina que de fato foi Deus quem realizou tal milagre (Jo 6.14; At 2.22; 9.41-42; Hb 2.4), e/ou, a prova confirmando a missão daqueles a quem Deus envia (Êx 4.1; Mc 16.17-18; 2 Co 12.12). Portanto, a função principal dos sinais é apelar à nossa razão, revelando a mensagem e o aspecto divino dos milagres, a fim de que todos possam crer e confiar Nele.

2.1. A importância de perceber os sinais
Não é tão simples ou fácil perceber naturalmente os sinais ou propósitos que estão por trás de cada milagre, pois o agir de Deus depende de sua soberana vontade e não necessariamente de mérito ou ação humana. Com isso a percepção dos sinais pode variar de acordo com a fé de cada um. Milagres jamais nascem com base em cálculos racionais, ao contrário, eles sempre estão ligados a uma atitude de fé (Hb 11.1-3). Ainda que às vezes a fé não sirva de premissa para Deus operar milagres, sabemos que a operação de milagres se caracteriza como um chamado para a fé. O Apóstolo João enfatiza essa relação dizendo: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muito outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20.31). Só conseguiremos assimilar o milagre transformador de Deus e experimentar as suas maravilhas que se traduzem em liberdade, esperança, renovação diária e etc, quando exercitamos a nossa fé. É pelo exercício da fé que individualmente enxergamos a mensagem e/ou o propósito que está por trás de cada milagre.

2.2. Milagres e relacionamentos com Deus
Vivemos dias em que as pessoas querem os milagres de Deus, mas não querem desenvolver um relacionamento com Ele. Querem a resolução de seus problemas existenciais, materiais e financeiros, mas não querem viver uma vida de obediência e temor a Deus. Esta lição nos oferece uma boa oportunidade de nos conscientizar e conscientizar nossos irmãos e alunos que se formos obedientes a Deus, os milagres e as suas maravilhosas manifestações serão uma consequência natural. Não vejo problemas em buscar os milagres de Deus, pois cremos Jesus ainda cura, sara e nos dá vitória. O grande equívoco consiste em fazermos disto nossa principal motivação. Devemos amar e buscar a Deus pelo que Ele é, e, não pelas coisas que Ele pode realizar em nosso favor. Nossa fé precisa está depositada em Cristo para a salvação das nossas almas. Isto significa que devemos buscar não apenas os milagres de Deus, mas, acima de tudo buscar um relacionamento com Deus.

2.3. Lições a partir dos milagres
Não temos dúvida de que quando um milagre acontece há um benefício prático imediato como a cura, o livramento, e etc, porém, os milagres acontecem, também, para que os beneficiários reconheçam a soberania, a bondade e o amor de Deus. As lições que podemos tirar a partir dos milagres seria também compreender que por trás de todo e qualquer manifestação miraculosa há uma ação ou gesto mais relevante do que o próprio milagre: O imensurável amor de Deus manifesta na vida do homem mortal (Jo 20.30-31).

3. OS MILAGRES E A PALAVRA DE DEUS
A Palavra de Deus entrelaça-se com a história da humanidade desde o seu princípio, quando Deus criou do nada o universo, a terra e todas as coisas. Ao operar o milagre de reconstruir o mundo do “caos” e criar o homem, Ele o fez pelo poder de Sua Palavra (Gn 1.1-26). É notório nas Escrituras Sagradas que é a Palavra de Deus quem recria, transforma, liberta, cura e cria novidade de vida em meio ao “caos” deste mundo, com visíveis reflexos tanto na esfera da vida espiritual, quanto na esfera da vida física e social (Mc 16.17-20; Gl 1.8-9; 1 Co 2.4; Hb 2.3-4). Através da Palavra, Jesus perdoou pecados (Mt 9.2-8), curou paralíticos (Mc 2.1-12), expeliu demônios (Mc 5.8; 9.25), e transformou pescadores de homens em pescadores de almas (Mt 4.12-25; Mc 1.16-20; Lc 5.1-11). É por esta razão que os atos milagrosos e a Palavra de Deus formam uma unidade intrínseca. São os milagres, sinais e prodígios que confirmam e dão sentidos à Palavra de Deus, e esta, por sua vez, quem dá o real significado a todos os milagres (Mc 16.20; Hb 2.4; Mt 9.32; 12.22).

3.1. Impactados pela ação divina
Milagres e sinais é uma realidade que se evidencia em superação de doença, sofrimento, pecado, morte bem como em libertação dos poderes maléficos que aprisionam os homens (Mt 12.28). É a ação divina que irá determinar a compreensão dos milagres. Os milagres apenas ilustram o que vem a ser ação divina. Através de sua ação, Deus se aproximou dos necessitados e moribundos, curando, salvando e dando a sua companhia aos indignos de sua presença e de seu amor.

3.2. A relevância da Palavra
Os milagres e sinais físicos são importantes, mas são temporais, logo passa, porém a Palavra de Deus permanece para sempre (1 Pe 1.23,25; Is 40.8; Sl 119.89). Embora as mensagens provenientes dos milagres (sinais) tenham o seu valor, nada é mais relevante na vida cristã do que a Palavra de Deus. Salmos 138.2, diz: “Pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome”. Considerando que não existe nada maior do que Deus e nem de Seu Filho Jesus Cristo, o qual é também representado por Seu nome, podemos afirmar que Deus quer nos dizer que Ele engrandece a Sua Palavra acima de tudo. Para o Senhor não há nada mais relevante e valioso que Sua Palavra.

3.3. Analisar o milagre à luz da Palavra
Os milagres são sinais visíveis do Reino entre nós (Lc 10.19; 11.20). Eles possuem, portanto, um valor de revelação, na medida em que expressam o poder e a glória de Deus sobre a criação. Assim, pois, o milagre segue sendo um sinal que provoca reflexão e discernimento; ele não é realizado somente na ordem da natureza ou na parte física da pessoa, também se manifesta sobre tudo, no silêncio da transformação do coração humano. Neste caso, o Reino de Deus se torna uma realidade presente e visível através do poder divino em ação. Seria o próprio Deus manifesto em pessoa através de Jesus e de seu poder. Sendo assim, Jesus não só anunciou a chegada do Reino como também a notificou através de seu ministério de cura, expulsão de demônios e de muitos outros milagres (Lc 7.18-22; 11.20). Foram os sinais e milagres operados por Ele que anunciaram a chegada desse novo tempo e que serão plenamente consumados na dispensação do Milénio (Sl 89.36-37; Is 11.1-9; Dn 7.13-14; Ap 20.4-6).

CONCLUSÃO
Milagres não são coisas do passado, eles sempre serão uma realidade na vida de todo aquele que crê (Mc 16.17). A igreja contemporânea precisa exercer o discernimento quanto às suas fontes, práticas e propósitos (Dt 13.1-2; Mt 7.22-23; 1 Ts 5.21; 2 Ts 2.7-10).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
REVISTA BETEL DOMINICAL: Jovens e Adultos. Aperfeiçoamento Cristão – Propósito de Deus para o discípulo de Cristo. Rio de Janeiro: Editora Betel – 2º Trimestre de 2018. Ano 28 n° 107. Lição 08 – Os propósitos de Deus nos milagres.

BÍBLIA DE ESTUDO MATTHEW HENRY. Português. Tradução Elen Canto, Eliane Mariano e outros. Editora Central Gospel Ltda. 1ª Edição. Rio de Janeiro – RJ. 2014.

BÍBLIA DE ESTUDO NVI - Português. Tradução de Nota: Chown, Gordon. Editora Vida.

REVISTA BETEL: Jovens e Adultos. Sinais, Milagres e Livramentos do Novo testamento. Rio de Janeiro: Editora Betel – 3º Trimestre de 2015. Ano 25 n° 96.

REVISTA BETEL: Jovens e Adultos. Milagres do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Betel – 4º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 93.

REVISTA BETEL: Jovens e Adultos. Apologética Cristã. Rio de Janeiro: Editora Betel – 1º Trimestre de 2002. Ano 12 n° 42.

LIÇÕES BÍBLICAS: Jovens e Adultos. Jesus Cristo. Editora CPAD – 1º Trimestre de 2008.

LIÇÕES BÍBLICAS: Jovens e Adultos. A Missão Integral da Igreja. Editora CPAD – 3º Trimestre de 2011.

MATURIDADE CRISTÃ: Jovens e Adultos. Nº 02 – 2º Trimestre de 1985. Editora CPAD.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
P r. Osmar Emídio de Sousa - Bacharel em Direito; Bacharel em Missiologia pela antiga Escola Superior de Missões de Brasília; bacharel em Teologia Pastoral, pela FATAD (Faculdade de Teologia das Assembleias de Deus de Brasília).