28 de outubro de 2014

LIÇÃO 5 – “MEFIBOSETE E O MILAGRE DA RESTITUIÇÃO E DA HONRA”

LIÇÃO 5 – 2 DE NOVEMBRO DE 2014 - EDITORA BETEL
“MEFIBOSETE E O MILAGRE DA RESTITUIÇÃO E DA HONRA”

TEXTO ÁUREO
“E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete” 2Sm 4.4

VERDADE APLICADA
A Graça Divina não mira nossos defeitos nem tampouco nossas impossibilidades, ela não pede nenhum outro esforço que não seja a fé para que a aceitemos em nossas vidas.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Esclarecer que Mefibosete era o filho de um rei que vivia no anonimato;
Destacar o poder da graça divina quando existe uma aliança feita por Ele;
Ensinar que Mefibosete tipifica uma geração que Deus deseja honrar em nossos dias.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
2Sm 9.6 - E, vindo Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, a Davi, se prostrou com o rosto por terra e se inclinou; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo.
2Sm 9.10 – Trabalhar-lhes-às, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão e coma; e Mefobosete, filho de teu senhor, de contínuo comerá pão à minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos e vintes servos.
2Sm 9.11 - E disse Ziba ao rei: Conforme a tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo. Porém  Mefibosete comerá à minha mesa como um dos filhos do rei. 
2Sm 9.12 – E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica; e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete.

INTRODUÇÃO
A história de Mefibosete traz um misto de fracasso e de sucesso. Ele era o filho de Jonatas, o amigo de Davi. Jonatas era um homem sábio, que viu em Davi a unção de rei, sabia que seu próprio pai estava reprovado por suas ações e vida de desonra a Deus, e mesmo sendo o sucessor ao trono, renunciou porque via em seu amigo o homem escolhido para liderar os exércitos e a nação de Israel (1Sm 18.3-4).

A história de Mefibosete é um relato emocionante que está repleto da graça de Deus. Encontra-se registrado em (2Sm 4.4; 9). Esta linda história, também é contado por Swindoll (1990, p. 78-87) e por Romeiro (2005, p. 160) em seus livros. A história é a respeito de Mefibosete, que era filho de Jônatas e neto de Saul. Jônatas foi um grande amigo do rei Davi, enquanto Saul ainda estava no poder. Jônatas que era o herdeiro do trono fez uma aliança com Davi, segundo a providência da graça divina para que a vida de Davi ficasse mais segura, apesar de Jônatas ser o sucessor do reinado de seu pai, tornou-se seu melhor amigo. Em (1Sm 1.1), diz que Jônatas o amou a Davi com sua própria alma.        

1. MEFIBOSETE, O FILHO DE JONATAS
Antes da morte de Saul, Jonatas e Davi firmaram um pacto entre famílias. Jonatas o protegia das loucuras de seu pai Saul e se um dia ainda vivesse, Davi tornando-se rei cuidaria dele e de seus descendentes (1Sm 20.13-17).

Davi era um jovem de muita prudência e modéstia, porém de expressão de muita ousadia e coragem. Jônatas também era valente, pois tinha enfrentado um exército filisteu com a mesma fé e bravura que Davi derrotou o gigante Golias. Daí percebe-se entre eles que há uma semelhança, isto atraiu a simpatia de um para o outro que fez que suas almas se unissem facilmente, porque tinha características e pensamentos em comum. A aliança de Jônatas e Davi foi importantíssima para a história de Mefibosete.

1.1. Um trágico acidente
Para a tristeza de Davi, Jonatas e Saul morreram no mesmo dia, e Davi se tornou o rei de Israel. Era comum que um novo rei exterminasse a todos os familiares do seu antecessor para que não houvesse uma insurreição. Assim, quando a notícia da morte de Jonatas e Saul se espalhou, a desgraça veio à casa de Jonatas e seu filho Mefibosete de cinco anos de idade, além de perder seu pai e o futuro trono de Israel, ficou coxo de ambos os pés, porque no afã de salvá-lo da morte a ama que dele cuidava o derrubou (2Sm 4.4).

Existem momentos em nossas vidas que tudo parece piorar. Pois, tentando salvar o menino, a mulher piorou sua situação. Existem certos tipos de ajuda na hora da aflição que somente pioram aquilo que já está ruim. Devemos ter o cuidado com alguns tipos de boas intensões, é bom sempre discernir o que está a nossa volta. Nesse caso, ele tinha apenas cinco anos, era imaturo, e não podia agir por si mesmo.

A história conta que Mefibosete tinha cinco anos de idade quando aconteceu à morte de seu pai Jônatas e seu avô Saul, sua ama ficou desesperada quando soube da notícia, então resolveu fugir levando criança na tentativa de preservar sua vida. Na Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, (2008, p. 430), diz-se que era costume dos reis da época de Davi, quando assumia o poder, procurar eliminar as famílias de seus rivais para evitar que alguns de seus descendentes viessem usurpar-lhe o trono. A atitude da ama de Mefibosete em fugir a fim de proteger a vida da criança tem sua justificativa, é porque sabendo desses costumes, ela previa algum perigo, não só a Mefibosete, mas também a si mesma, porém, o que ela não sabia, era que Davi não iria agir segundo os costumes dos outros reis anteriores, o rei Davi era diferente, ele não fez isso. No entanto, aconteceu um imprevisto, enquanto a ama tentava fugir, a criança veio a cair gravemente, ficando aleijado de ambos os pés.

1.2. Mefibosete, o príncipe que vivia em Lo-Debar
Após a ascensão de Davi ao trono de Israel não se houve mais falar de Mefibosete, ele é levado para Lo-Debar e lá vive exilado e totalmente esquecido por todos, inclusive Davi. “Lo-Debar” significa: “sem pasto” um lugar deserto e árido, e “Mefibosete” significa: “semeador de vergonha”. Em Lo-Debar Mefibosete viveu sem fé, sem esperança e sem Deus. Além de tudo isso, a pessoa que foi encarregada de cuidar dele usurpou todos os bens que possuía (2Sm 9.2-3). No deserto, com medo da morte, andando com dificuldade, e totalmente aquém da sociedade, Mefibosete não possuía qualquer perspectiva de mudança em sua vida, nem mesmo sabia da aliança de Davi e seu falecido pai (2Sm 9.3-4,7).

Mefibosete foi levado para um lugar chamado Lo-Debar, o nome em hebraico quer dizer “um lugar árido”, se pudesse traduzir para o português o nome do lugar, talvez fosse entendido como “terra onde não há pasto”, ou seja, um lugar que não chove, portanto seco onde não há colheita. Foi nesse lugar que Mefibosete foi morar, sua vida foi difícil, era desprezado e esquecido pela maioria das pessoas, porém Deus nunca se esqueceu de Mefibosete e começa a mudar o quadro de sua vida.

1.3. Toda promessa tem um tempo para se cumprir
O tempo passou e Mefibosete cresceu no deserto de Lo-Debar longe de tudo o que lhe era de direito. Até que o tempo de Deus chegou e Davi se lembrou da aliança que havia feito com Jonatas. Observe as palavras de Davi. Ele usa o mesmo termo para graça r honra. “Benevolência”. E disse o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu use com ele da benevolência de Deus? (2Sm 9.3). E Ziba responde: “Há um filho de Jonatas, aleijado de ambos os pés”. Enquanto Davi intenciona honrar Mefibosete, o mal intencionado Ziba, que havia se apossado das terras do príncipe aponta seus defeitos. Ziba conhecia a generosidade do rei e mostrou o defeito para impedir o rei de abençoá-lo (Pv 3.16;18.12). Isso nos recorda muitas situações do cotidiano não é mesmo?

Quem era Ziba afinal? Ziba era o homem que passou a cuidar dos bens de Mefibosete e se apropriou de tudo o que possuía, Ziba sabia que o retorno de Mefibosete seria o final de seu império e o princípio de seu retorno a servidão. Por isso, faz questão de frisar para Davi que Mefibosete era coxo, e como tal, ele sequer poderia entrar no palácio.

Com o passar do tempo, cessaram-se as guerras e o reino de Davi ficou estabilizado, de acordo com (2Sm 9.1), Davi lembrou da aliança que tinha feito com Jônatas e procurou fazer bem para às pessoas da casa de Saul por amor de Jônatas, segundo (Dockery (2001, p. 275), declara que Davi não era apenas um soldado e governador eficaz, mas era um governador beneficente. Ele queria honrar o voto feito a Jônatas e sua família (1Sm 20.14-15). Ele pergunta sobre Mefibosete, o único filho sobrevivente de Jônatas e obteve a notícia através de Ziba, servo da casa de Saul. Davi Soube que Mefibosete era manco e vivia em obscuridade (2Sm 9.1-4). Davi aproveita a oportunidade para fazer o bem, perceba que ele pergunta se há ainda alguém da casa de Saul para que ele use de beneficência, não existe alguém a quem eu possa fazer não somente justiça, mas a quem possa usar de beneficência? (2Sm 9.3) Veja que o rei era homem justo e  aproveita a oportunidade para fazer o bem, porém por detrás de toda ação, é Deus que coloca graça na vida de Davi e a vida de Mefibosete milagrosamente irá mudar.

2. DO DESERTO À MESA DO REI
Existem pessoas que são mal intencionadas. Ziba não nega a existência, mas faz questão de apresentar o defeito, ele sabia que uma pessoa deficiente não poderia entrar no palácio, só não sabia que aquele estava marcado com o selo real e com o pacto da promessa. Na verdade, não importava o que Ziba via, mas o que o rei estava vendo.

No encontro com Davi, Mefibosete, certamente estava com medo, mas ao ouvir Davi pronunciar seu nome e dizer “não temas” Mefibosete ficou surpreendido com as palavras do rei Davi. É como Davi quisesse dizer, não mandei te buscar para castigar por alguma coisa, eu tenho bondade em meu coração para contigo e não maldade. Quero exaltá-lo e não diminuí-lo.     Davi se lembrou da aliança que tinha feito com Jônatas e sua amizade e estava disposto a cumprir com seu juramento, mesmo com a informação de Ziba querendo frustrar os planos do rei, mas Davi estava determinado a abençoar, sendo assim, as bênçãos do palácio do rei foram oferecidas a Mefibosete por amor a Jônatas.

2.1. Quando a surpresa bate à porta
Quando os guardas bateram à porta de Mefibosete em Lo-Debar, deve ter sido para ele como o dia do juízo, pois sabia que sua vida estava em risco, e como não podia correr deve ter pensado: “agora chegou meu fim”. Mas o que para ele parecia o fim, para Deus era o começo de uma nova história. Ninguém pode impedir nossa honra quando chega o tempo do Rei nos honrar. Ele sabe nosso endereço, e quando bate à nossa porta não é para nos punir, mas sempre para manifestar sua graça e misericórdia. Naquele dia Mefibosete entrou na carruagem real para dar adeus ao lugar do anonimato. Deus não se esquece da aliança eterna feita com o Filho ao nosso respeito (Lc 22.20).

Há quem diga que o deserto é terrível e doloroso. Todavia, o deserto é lugar de grandes manifestações e milagres também. Deserto não é morada, é lugar de passagem, e o tempo de seguir adiante na vida de Mefibosete estava apenas começando. A partir dali, ele comeria de contínuo à mesa do rei (2Sm 9.13).

2.2. Quando a visão do rei prevalece
Mefibosete era conhecido pelo nome de Meribe-Baal (1Cr 8.34;9.40). “Meribe” significa: “lutador” e “Baal” é uma palavra em hebraico que significa: senhor, lorde, marido ou dono. A visão que Jonatas tinha para o futuro de seu filho era que como um príncipe ele se tornaria um “lutador do Senhor”, esta seria a tradução mais correta para Meribe-Baal. Era comum entre os israelitas dar um nome que representasse o caráter da pessoa, alguns desses nomes eram também colocados após a morte, representando seus feitos. Podemos destacar aqui quatro visões importantes sobre a vida de Mefibosete: 1) Jonatas o via como lutador do Senhor; 2) Ziba o via como um aleijado impedido de entrar na presença do rei; 3) Ele se via como um cão morto; 4) Davi o via como um príncipe a quem deveria honrar e restituir (2Sm 9.3,7,8).

Não importa o que pensam de nós, sabemos que Deus não discrimina ninguém, para alguns Mefibosete era apenas um indivíduo qualquer que não tinha nenhuma importância. Mas aos olhos de Deus, Mefibosete é considerado de muito valor, é por isso que faz Davi se lembrar da aliança com Jônatas a fim de usar de benevolência. As necessidades financeiras de Mefobosete seriam custeadas pelos produtos das propriedades de seu avô Saul que lhe foram devolvidas. Mefibosete é honrado e tem o convite de comer sempre na mesa do rei.

2.3. Os humilhados serão exaltados
“Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão para comer; mas Mefibosete, filho de teu senhor, sempre comerá pão à minha mesa”, (2Sm 9.10a). Ziba que tanto apontou defeito, agora foi destituído da função de senhor, tornando-se servo de Mefibosete, a quem havia lesado todos os anos em que viveu em Lo-Debar. A justiça de Deus pode parecer demorar, mas certamente chegará. Ziba é um tipo de Satanás, que nos rouba, nos envergonha, e se apossa do que temos. Porém, no dia em que Deus nos honrar, ele terá que devolver tudo o que nos roubou, com juros e correções, e ainda nos verá sentados à mesa do rei (2Sm 9.9-11).

Um dia como outro qualquer trouxe a Mefibosete o cumprimento de uma promessa a seu respeito. Que possamos descansar no Senhor porque Ele é justo e o que foi prometido a cada um de nós, não tardará, chegará no tempo certo (Hc 2.1-3)

3. JERUSALÉM O LUGAR DOS PRÍNCIPES DE DEUS
A vida de Mefibosete vai de um extremo ao outro, ele começa no deserto, na sequidão, e no anonimato, e termina no palácio real assentado à mesa do rei. A graça Divina é assim, ela tem o poder de nos transportar e nos elevar de uma posição a outra (Ef 2.6).

O tempo de solidão e sofrimento chegou ao fim na vida de Mefibosete, o rei Davi devolve, como doação da coroa, todas as terras de Saul, seu pai, isto é, a restituição de seus bens paternais, que haviam sido confiscados. Esse foi um verdadeiro favor da parte de Davi, que deu para ele m uito mais do que apenas suas propriedades, a partir de agora, Mefibosete é tratado com dignidade, é valorizados por todos em sua volta, sua nova moradia é no palácio real, tem uma nova companhia, a família do rei.

3.1. Quem Mefibosete tipifica em nossos dias?
Mefibosete era um príncipe que vivia no deserto. Num lugar obscuro, com medo e sem nada. Ele tipifica os filhos que o rei está á procura para honrar e mudar suas vidas; aqueles filhos de rei que nunca entraram no palácio, que vivem a margem da sociedade e não desfrutam da mesa do rei (Lc 18.14). Deus está falando de um tempo de revelações, de sair do anonimato, e de ser um alimento especial e particular que só existe em sua mesa; Mefibosete representa os filhos de rei que nunca comeram pão diariamente. Alguns provaram aqui ou ali, mas diariamente não. Deus fala de um tempo de revelação contínua, sem escassez, todos os dias, na presença do rei (2Co 4.3).

Mefibosete representa os filhos do Rei que serão restituídos. Ziba teve que devolver tudo: tudo o que trabalhou, plantou, e tudo o que colheu; representa aqueles que saem do nada, e mesmo não sendo dignos, se sentam à mesa do rei.

Apesar de Davi ter presenteado com propriedades preciosas que era suficiente para mantê-lo, por amor a Jônatas, ele o torna Mefibosete um convidado especial constante em à sua mesa, onde não só será confortavelmente alimentado, mas tinha a atenção e companhia digna do rei.

3.2. Na mesa do rei todos são iguais
Quando as trombetas do palácio anunciavam à chegada de Mefibosete toda a cada do rei poderia se perguntar por que o rei quebrava o protocolo e deixava um deficiente como aquele não somente entrar, mas sentar-se à mesa e comer como um de seus filhos (2Sm 9.13). Poucas pessoas sabem o que Deus conversa conosco em secreto, e poucos sabiam a respeito da aliança de Davi e Jonatas, a qual simboliza a aliança de Deus conosco por intermédio de Jesus. Os filhos belos de Davi, Joabe o capitão da guarda, estavam junto à mesa. E a mesa é reveladora porque da cintura para cima todos são diferentes, mas quando estão sentados todos são iguais, os defeitos desaparecem (Rm 2.11;Gl 3.28; Cl 3.11).

3.3. Ele começou em Lo-Debar, terminou em Jerusalém
Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém... (2Sm 9.13). Esse é o sinal que o Senhor deseja dar a todos aqueles que estão aliançados com Ele. De uma só vez, a vida de Mefibosete mudou de anonimato a personagem célebre, e isto se chama honra. Jerusalém tipifica a eternidade, e Lo-Debar o lugar das nossas provações. Porém, numa hora que ninguém espera, num dia especial que somente o Rei conhece, a carruagem real vai passar como passou no tempo de Elias, e levará consigo os simples de coração, os habitantes do deserto, os que Ziba tem lesado durante toda a vida, para encontrar-se com o Rei e por Ele serem honrados em sua mesa (Lc 22.14-17).

CONCLUSÃO
Mefibosete era um filho de rei que vivia num lugar obscuro, com medo e sem nada. É tempo dos filhos do Rei saírem do deserto do anonimato, serem honrados, e terem suas vidas transformadas. Até mesmo a criação espera por esse momento em nossas vidas (Rm 8.19).

A história de Mefibosete é sem dúvida nenhuma um exemplo real da graça de Deus, pois ele vivia longe do palácio, não tinha nenhuma esperança de mudar de vida e reverter sua situação, ele não foi pedir ajuda ao rei, pelo contrário, foi Davi que mandou chamá-lo. Mefibosete foi alcançado pela generosa graça divina, não tinha nenhuma esperança de reconquistar seus bens, mas como um milagre teve a restituição de todas as terras de seu pai e a partir daquele dia passou a morar no palácio e de continuo comer pão na mesa do rei.       

QUESTIONÁRIO

1. Quem era Mefiboste?
R. O filho de Jonatas, o amigo de Davi (2Sm 9.6).
2. O que fez Ziba a Mefibosete?
R. Se apossou de todos os seus bens (2Sm 9.7-11).
3. A que se comparou Jonatas diante de Davi?
R. A um cão morto (2Sm 9.8).
4. O que disse Davi a Jonatas?
R. Te restituirei... Tu sempre comerás pão a minha mesa (2Sm 9.7).
5. A vida de Mefibosete foi de um extremo a outro, por quê?
R. Ele começou em Lo-Debar e terminou em Jerusalém (2Sm 9.13).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia. Português. Atualizada da tradução de João Ferreira de Almeida, da Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

BÍBLIA. Português. Bíblia Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
BÍBLIA. Português. Bíblia de estudo NVI. São Paulo: Vida, 2003.
DOCKERS, David S. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2001.
Revista do professor: Jovens e Adultos. Milagres do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Betel - 4º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 93. Lição 5 – Mefibosete e o milagre da restituição.
ROMEIRO, Paulo. Decepcionado com a Graça. São Paulo: Mundo Cristão, 2005.
SWINDOLL, Charles R. O Despertar da Graça. São Paulo: Bompastor, 1990.
COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
Diácono Ancelmo Barros – Bacharel em teologia e pós-graduado em Hermenêutica Bíblica.

Email: ancelmobarros@gmail.com

20 de outubro de 2014

LIÇÃO 4 - ANA, E O MILAGRE DA CURA DA ESTERILIDADE

LIÇÃO 4 –26 DE OUTUBRO DE 2014 - EDITORA BETEL
ANA, E O MILAGRE DA CURA DA ESTERILIDADE

TEXTO ÁUREO
“Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” Ef 3.20

VERDADE APLICADA
Deus tem sempre um meio de nos atrair para sua presença com a intenção de revelar-se de forma milagrosa e com projetos audaciosos que jamais pensamos em realizar.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Ensinar sobre a necessidade de Ana e o projeto de Deus para sua vida e sua nação;
Falar acerca da entrega de Ana, e o que a conduziu a um voto tão audacioso;
Mostrar como Ana obteve respostas que lhe foram além da importância de ser mãe

TEXTOS DE REFERÊNCIA
1Sm 1.1 - Houve um homem de Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu.

1Sm 1.2 - E este tinha duas mulheres: o nome de uma era Ana, e o da outra Penina.

1Sm 1.3 -  E Penina tinha filhos, porém Ana não os tinha.
Subia, pois, este homem, da sua cidade, de ano em ano, a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos em Siló; e estavam ali os sacerdotes do Senhor, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli.

1Sm 1.4 - E sucedeu que no dia em que Elcana sacrificava, dava ele porções a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas.

1Sm 1.5 – Porém a Ana dava uma parte excelente; porque amava a Ana, embora o Senhor lhe tivesse cerrado a madre.

INTRODUÇÃO
Deus atraiu Ana para si através de sua dor e sofrimento, Ele não somente mudou sua vida pessoal, mas alterou o curso da história dos judeus, que naqueles dias passavam por um declínio espiritual terrível, pois a nação vergonhosamente chafurdava no pecado e na corrupção.

1. ANA, UMA MULHER ATRIBULADA
Com suas próprias palavras, Ana define o momento que está vivendo diante do sacerdote Eli: “... sou uma mulher atribulada de espírito [...] porém, tenho derramado a minha alma perante o Senhor” (1Sm 1.15). Da multidão de seus sofrimentos e de sua vergonha o Senhor planejava atraí-la para si e restaurar sua nação.

1.1. Ana, Penina e Elcana
Ana era uma mulher judia piedosa, devota, que estava numa posição desagradável de ter que dividir o marido com outra esposa. A maioria dos comentaristas acredita que Ana era a primeira esposa de Elcana, mas devido sua esterilidade ele se casou com Penina para ter filhos. Alfred Edersheim escreveu: “a Lei de Moisés tolerava a poligamia, porém, em nenhuma parte aprovava sua prática”. A poligamia era uma prática dos afortunados. Elcana era um homem bom, que amava sua mulher, e por ela oferecia porções especiais (1Sm 1.5,8). Ana era uma mulher triste, não somente por não ter filhos, mas porque todos os dias era afrontada por Penina, sua rival, que excessivamente a irritava (1Sm 1.6).

Sua miséria era dupla: Ela não tinha filhos em uma cultura que venerava as mulheres fecundas e considerava a esterilidade uma maldição; além disso, Penina, sua rival também lhe provocava com severidade. Em Siló Ana se derramava, seu sofrimento era tanto que Eli chegou a pensar que estivesse embriagada.

1.2. O Senhor lhe havia cerrado a madre
O texto deixa muito claro que foi o próprio Senhor quem fechou a madre de Ana, e quando Deus fecha algo é porque alguma lição espiritual deseja ensinar (1Sm 1.5; Ap 3.7). Se Deus fechou é porque tinha um propósito a realizar, e Ana, a cada subida iria descortinar o grande projeto que o Senhor lhe havia destinado. Ana precisava de um filho, e Deus precisava de um sacerdote cuja voz profética fosse ativada. Embora parecesse que somente Ana precisava de algo; Deus não tinha uma sucessão sacerdotal e precisava de uma voz profética que fizesse o povo se voltar para as coisas sagradas. É das entranhas de uma mulher sofrida e humilhada que vai surgir o homem que Deus estava a procurar.

1.3. A lâmpada de Deus se apagava
“... E a palavra do SENHOR era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta” (1Sm 3.1). Eis aqui uns dos grandes motivos pelo qual o Senhor resolveu trabalhar a vida de Ana. Era um tempo difícil, os filhos de Eli, Hofnis e Finéias estava se prostituindo no templo, usurpando a oferta de manjares, e por não repreender seus desaprovados filhos, o Senhor estava prestes a trazer juízo sobre toda a casa de Eli (1Sm 2.12-17;22-25).  Quando Deus fala que a lâmpada de Deus estava se apagando, aponta para algo terrível, está claramente nos dizendo que a vida de Deus se esvaía no templo, a lâmpada de Deus fala de revelação, por isso, não havia visão manifesta, e um povo sem revelação é um povo sem amanhã (1Sm 3.3).

Quando a provocação é intensa e tudo se parece estar fechado, este é um bom sinal de que o Senhor está preparando algo muito grandioso em nossas vidas. Os filhos de Eli estavam manchando o sacerdócio, já não tinha mais a noção do profano e do sagrado, e Ana surge no cenário para se tornar a mãe de um sacerdócio santo e incorruptível.

2. ANA ENTREGA AO SENHOR SEU BEM PRECIOSO
Após muitos anos de subida e descida a Siló, Ana toma uma atitude intrigante, consagrar seu filho, que ainda não havia nascido ao Senhor. O que teria levado Ana a mudar de opinião, abrindo mão do filho que tanto desejava, e que era o motivo pelo qual vivia sendo molestada? Algo falou profundamente ao seu coração. Vejamos:

2.1. Ana consagra a Deus seu fruto mais desejado
Qual mulher que orando a Deus por um filho, após receber o milagre, o consagraria ao Senhor sabendo que não o teria mais de volta? Segundo os estudiosos rabinos, a busca incessante de Ana por um milagre durou vinte e cinco anos. Mas o que aconteceu com ela durante esse tempo para resolver deixa-lo no templo e consagrá-lo ao Senhor? Precisamos entender que tudo aquilo que se consagra não retorna mais para o dono, porque passa a ser propriedade exclusiva de Deus (1Sm 1.11;Lv 27.28-29). Deus tinha um projeto e Ana tinha a chave em seu ventre. Deus usou a dor para atraí-la, e quando Ana entendeu o propósito divino, descobriu que mais importante que seu orgulho ferido por Penina, e a ansiedade de tornar-se mãe, era tornar-se a mãe da história de seu próprio povo.

Que Deus tremendo! Ele sempre tem uma forma de nos atrair, e quando pensamos que a razão de nossas vidas é um determinado propósito, Ele se revela sempre com algo maior e mais profundo. Deus sempre nos atrairá para certos fins, mas esses podem ser apenas a porta pela qual nos levará a realização de coisas que jamais pensamos em ser ou realizar.

2.2. Nasce Samuel
O nascimento de Samuel não somente restabeleceu o sacerdócio e o profetismo em Israel, trouxe também o povo de volta ao Senhor. Ele foi um profeta tão poderoso que nenhuma de suas palavras deixou de se cumprir (1Sm 3.19). Com o surgimento de Samuel Deus intencionava o estabelecimento da monarquia, e Samuel foi a peça chave para a consagração de Davi. O que Deus planejou no ventre de Ana? Gerar um homem segundo o seu coração para ungir um rei também segundo o seu coração (1Sm 2.35;13.14). O que Deus pode estar gerando através de nossas vidas através de tudo o que temos passado? Será que não seria hora de deixar de se importar com nossas Peninas e consagrar a Ele o melhor que temos?

2.3. Ana deixou de chorar para cantar
Foram vinte e cinco anos de busca incessante, e de revelações poderosas. Ao fim de sua provação, Ana cantou, e pôde finalmente abrir a boca e dizer: “O arco dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de forças... até a estéril deu luz  a sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para fazer assentar entre os príncipes...” (1Sm 2.4-8). Ana perseverou, jamais desistiu. Seu cântico expressa sua alegria, e a grandeza de um Deus que sabe honrar aqueles que se derramam diante dEle em oração(Jr 33.3).

A vitória de Ana foi muito maior que sua vergonha, o que prova que Deus sempre nos surpreende além daquilo que imaginamos (Sl 40.1; Ec 3.4). Ana pôde contemplar a reversão de sua esterilidade, de sua vergonha, e da frieza de sua nação.

3. AS LIÇÕES DO INESPERADO
Ana foi atraída e atingida pela vontade de um Deus surpreendente, que a convenceu a se desfazer de seus sonhos para ofertar o que tinha de mais valor. Como recompensa ela se tornou mãe de mais três filhos e duas filhas (1Sm 2.21), a nação ganhou Samuel, e Deus tornou a reacender a chama do templo.

3.1. Voto cumprido é recompensa certa
Ana soube honrar ao Senhor. Estava convicta da decisão que deveria tomar e de como deveria renunciar. Ela não agiu como algumas pessoas que na hora da dor e da angústia firmam alianças com Deus, e quando obtém o desejado se esquecem de tudo o que lhe prometeram (Ec 5.4-5). Deus sempre nos recompensa acima das nossas expectativas, Ele sempre nos surpreende (Ef 3.20). Quando Ana poderia pensar que seu sofrimento fazia parte de um plano que iria restabelecer o sacerdócio de uma nação, e que seu se tornaria profeta e sacerdote? Será que ela pensaria um dia em ser mãe de mais três filhos e duas filhas após Samuel? Deus sabe honrar a quem renuncia por sua causa.

Ana jamais pôde imaginar que sua renúncia ofertaria gerações futuras, que em suas entranhas estava sendo gerada a solução de uma nação que estava prestes a naufragar sem a presença do Senhor. Quando tudo estava se apagando, Ana trouxe luz a uma nova realidade, tanto em sua vida quanto na vida de seu povo.

3.2. Ana, uma mulher de oração
Ana era uma mulher triste e angustiada (1Sm 1.15-16), que se chegou a Deus não só porque precisava de um filho, mas para satisfazer também seu ego que estava ferido diante da humilhação de ter que dividir o marido com uma mulher fértil que sempre a irritava por não poder gerar filhos. Em Siló, Ana aprendeu coisas com Deus através de sua comunhão e quebrantamento em oração. O tempo passou e Ana encontrou em Deus respostas que foram além da importância de ser mãe, e de dar uma resposta a Penina. Deus tinha nas mãos uma chave que não somente lhe abriria a madre, mas lhe ser a protagonista de um grande avivamento na nação.

3.3. Buscar ao Senhor de forma deleitosa
Estamos habituados a chegar diante do Senhor em grupo louvando-o, com o bater de palmas e cheios de alegrias. Mesmo assim todos tendemos a nos encolher diante do Senhor durante os nossos períodos de tristeza. Ir ao Senhor com deleites não significa estar isento de tristeza e aflição. Ana não temeu dirigir-se a presença de Deus, era sabia que ninguém poderia aliviá-la de sua carga a não ser o Senhor; e à medida que mantinha uma comunhão íntima e perseverava em oração, o Senhor lhe trouxe a paz restaurando sua alegria (1Sm 1.18). Penina foi esquecida, deletada da história. Ana homenageada por todos porque Samuel se tornou um homem de Deus com prestígio e notoriedade. Deus tem a resposta para toda porta que está fechada em nossas vidas.

Ao final da provocação de Ana nos resta uma pergunta: o que aconteceu com Penina? A partir de Samuel Penina é quem passou a ser ignorada. Ana sempre sofreu calada, e o Senhor respondeu por ela não somente com filhos, mas com honra, tornando-a mulher mais importante da região, a mão do maior profeta daquela época.

CONCLUSÃO
Ana nos ensina que devemos ser perseverantes, mesmo quando as circunstâncias dizem que não podemos mais avançar, nos revela que Deus tem propósitos específicos, e que se Ele fechou algo para que venhamos a Sua presença, isto é sinal de que nossas vidas jamais serão as mesmas quando conhecermos seus projetos a nosso respeito.

QUESTIONÁRIO

1. Como se chamava o marido de Ana?
R. Elcana (1 Sm 1.1,2).
2. Qual o nome da mulher que afrontava Ana?
R. Penina (1Sm 1.6).
3. Por que Penina afrontava Ana?
R. Porque o Senhor lhe tinha encerrado a madre (1Sm 1.6).
4. Qual o voto feito por Ana diante ao Senhor? 
R. Consagrar seu filho a Deus (1Sm 1.11).
5. Após Samuel quantos filhos Ana gerou?
R. Três filhos e duas filhas (1Sm 2.21).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia. Português. Atualizada da tradução de João Ferreira de Almeida, da Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

Revista do professor: Jovens e Adultos. Milagres do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Betel - 4º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 93. Lição 4 – Ana, e o milagre da cura da esterilidade.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

Será feito pelo pastor Osmar.

15 de outubro de 2014

LIÇÃO 3 – O MILAGRE DO MANÁ, O SUPRIMENTO DIVINO

LIÇÃO 3 – 19 DE OUTUBRO DE 2014 - EDITORA BETEL
O MILAGRE DO MANÁ, O SUPRIMENTO DIVINO

TEXTO ÁUREO
“Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu” Jo 6.32

VERDADE APLICADA
Jesus é o alimento essencial sem o qual a vida não pode nem começar, nem continuar, e Sua salvação nos confere dois grandes privilégios: vida no presente, e no futuro.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Oferecer aos alunos uma dimensão espiritual do milagre do maná;
Demonstrar os principais ensinos que esse milagre nos revela;
Comentar acerca da relação entre Cristo e o maná na Escritura.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
Êx 16.14 - E quando o orvalho se levantou, eis que sobre a face do deserto estava uma coisa miúda, redonda, miúda como a geada sobre a terra.                                                 

Êx 16.15 - E, vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moisés: Este é o pão que o SENHOR vos deu para comer.

Êx 16.16 - Esta é a palavra que o SENHOR tem mandado: Colhei dele cada um conforme ao que pode comer, um ômer por cabeça, segundo o número das vossas almas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda.

Êx 16.17 - E os filhos de Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros menos.

Êx 16.18 - Porém, medindo-o com o ômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco; cada um colheu tanto quanto podia comer.

INTRODUÇÃO
O milagre do maná do deserto do ponto de vista humano é o maior e mais extraordinário milagre de provisão Divina. Além do escopo pessoal de saciar a fome daqueles hebreus recém saídos do Egito, em tal milagre residem verdades análogas mais profundas, com preciosas lições como veremos a seguir.

Estudaremos nesta lição sobre o significado, sentido, qualidade e analogia tipológica do milagre do maná no deserto, no ponto de vista humano e espiritual.

1. A GRANDEZA DO SUPRIMENTO DIVINO
Quando o povo saiu do Egito não demorou muito para ter necessidade de comida e água. Isso para Moisés representou um teste de confiança na provisão de Deus, ele, porém, não vacilou em sua fé, e o milagre de provisão foi realmente grande em relação ao seu povo.

1.1. O significado do maná, uma figura de Cristo
O significado do nome maná no hebraico é: “o que é isso?”, do som desta palavra feito no hebraico é que surgiu o nome “maná”. Essa designação permaneceu pelo fato deles não conhecerem aquele alimento fornecido por Deus quando caminhava pelo deserto, logo após a saída do Egito. “O que é isso?” foi uma expressão que se fixou como designação daquele alimento. Quatros coisas interessante nos chamam a atenção quando descrevemos o maná: 1) Ele veio do céu, era inexplicável, como o mistério da piedade Divina (1Tm 3.16); 2) Era pequeno, o que nos lembra da humildade de Jesus (Êx 16.14); 3) Era branco, o que nos lembra a pureza e a impecabilidade dEle. Ele é o Filho santo de Deus (Êx 16.31).

Por quase 40 anos, foi satisfatório e fortalecedor para a nação alimentar-se do maná (Jo 6.48-50). Tudo que precisamos como alimento espiritual é Jesus Cristo. O Pão celestial enviado por Deus. Devemos nos banquetear com o Pão que nunca nos deixará faminto.

A palavra maná no hebraico significa (man hû), para alguns autores essa palavra veio da sua analogia/aparência com a palavra seiva de tamarisco que no hebraico também significa (man hû), essa seiva brotava das árvores de tamarisco, durante a noite ela ressecava e caia de manhã em forma de pequenas pérolas brancas acinzentadas e muito doces como mel. Os beduínos utilizam o maná em sua dieta até nos dias de hoje.

1.2. A continuidade do milagre
A grandeza do milagre da provisão por meio do maná é impressionante sob o aspecto de sua quantidade, qualidade e continuidade. Essa alimentação fornecida aos filhos de Israel, que eram bem numerosos, possivelmente, dois milhões de pessoas incluindo mulheres e crianças. O maná, rico em nutrientes, caía diariamente durante seis dias da semana, exceto no sétimo dia que era o sábado. O Senhor lhes privou de outros alimentos variados que estavam acostumados. Mas durante quarenta anos nunca lhes deixou faltar o pão do céu (Dt 8.1-3). O cuidado de Deus foi demonstrado de maneira grandiosa e contínua servindo de base para nossa fé (Hb 9.4-9). A alimentação não foi variada, mas foi o que eles precisavam e assim Deus faz conosco ainda hoje.

Isso realmente foi um milagre, segundo Moisés em Ex 16:4 Deus disse a Moisés que faria “chover pão do céu” dentro da necessidade do povo, para sobreviverem no deserto.

1.3. A quantidade do milagre
Milagre é um fenômeno que foge às leis naturais, logo não tentaremos explicá-lo, mas medir de acordo com Êxodo 16.16. Segundo os pesos e mediadas do dicionário Almeida, um “ômer” equivale a um décimo de um “efa”, que possuía 17,62 litros. Isso significa que um ômer possuía 1,76 litros e que essa porção poderia ser despejada numa tigela. O Senhor Deus determinou que se apanhasse um ômer diário por cabeça, e quando consideramos o relato de Número 11.21, concluímos que havia seiscentos mil homens, isso sem contar as mulheres e as crianças. Logo, se esse número for multiplicado por quatro, então nos aproximaremos da quantidade de víveres que o Senhor providenciou. O número da população era em torno de milhões e quatrocentos mil pessoas (2.400,000) e talvez até mais! Isso é extraordinário, pois essa projeção dá quatro milhões duzentos e vinte mil litros de maná diários, durante quarenta anos ininterruptos.

Muito maior que a quantidade desse milagre, era a sua qualidade, ele veio do céu, direto da mesa do Senhor (Sl 78.23-25). Como os judeus tinham acesso fácil ao maná! Eles não tiveram de escalar uma montanha nem atravessar um rio profundo. O maná caiu onde eles estavam (Rm 10.6-8).

Nessa ocasião o milagre foi completo e grande, a quantidade que caia era superior ao número de habitantes, vindo o Senhor a determinar que seria apenas um ômer por cabeça. Dessa forma podemos inferir que onde havia caído o maná tinha mais do que o necessário diário, porque Deus queria mostrar para o seu povo que Ele os alimentaria todos os dias sem faltar o alimento.

2. A INSTRUÇÃO PELO SUPRIMENTO DIVINO
O maná foi concedido ao povo ao longo dos quarenta anos. O milagre da provisão pelo maná era transitório e apontava para algo futuro dentro do plano Divino, tais coisas eram carregadas de lições espirituais para o povo de Deus de todos os tempos.

2.1. Qualidade do maná
Para que o ser humano desfrute de uma boa saúde ele precisa de uma alimentação saudável e variada. Porém, no deserto a única comida que possuíam era o maná. Lá eles não tinham essa variação. Incrivelmente, eles se alimentaram durante quarenta anos no cereal celeste, denominado de: “o pão dos anjos”, isto sem sofrer com qualquer deficiência alimentar. Pois, o maná tinha em si todos os nutrientes que eles precisavam (Sl 78.23-25). Apesar de terem uma única alimentação, exceto pelas codornizes que foram capturadas duas vezes, eles tinham forças e saúde, o que aponta para o Senhor Jesus, o verdadeiro pão que desceu do céu completo em si mesmo (Jo 6.49-51).

O milagre do maná nos ensina a como depender de maneira única e exclusiva do Senhor. No deserto eles tinham pão, mas não havia mistura. Deveriam contentar-se e adequar-se aquele novo sistema de vida, crendo que o mesmo Deus que os libertou, também cuidava deles e sabia o que precisavam dando-lhes apenas o necessário e não o desejado.

Em Sl 78:24b “Cereal do céus”, observamos o quanto Deus é zeloso pelo seu povo, porque, sabemos que nos cereais podemos encontrar nutrientes como: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas, enzimas que é um polissacarídeo da glicose encontrado na natureza, e outras substâncias. Como podemos ver se o grão da terra é assim, imaginemos a qualidade do que desceu do céu, que sustentou o povo no deserto durante 40 anos.

2.2. Disciplina espiritual
A vida dos filhos de Israel estava impregnada do estilo egípcio, seus hábitos e devoção receberam forte influência. O maná representava a desintoxicação espiritual, comida que jamais compreenderam o significado (Dt 8.3). o pão dos anjos era fornecido todas as manhãs, mas era necessário o povo apanhá-los todos os dias, exceto no sábado. Este ir e vir diário representava um relacionamento com Deus, e ao mesmo tempo, a disciplina com o alimento Divino. Inserir o maná era como ter Cristo dentro de si preenchendo todos os espaços da alma e coordenando todas as diretrizes da vida. Guardar era permitir que se estragasse o que representa uma vida sem ação, apenas religiosa. A porção dupla da sexta-feira nos fala de descansar na confiança em Sua provisão (Ex 16.20; Mt 6.25; 1Tm 6.8).

No ponto de vista humano demonstra um povo que queria guardar o maná/alimento para o dia seguinte com medo de faltar no outro dia, indicando assim uma visão humana limitada. Já na visão espiritual Deus queria que antes de tudo o seu povo deve/deveria confiar em sua Palavra e obedece-la. Jesus refere-se a isto em (Mt 4:4; Lc 4:4).

2.3. É necessário curvar-se
A orientação que Deus deu acerca do maná era que todos colhessem apenas o necessário por cabeça, até um ômer por pessoa diariamente (Êx 16.19-21). Era proibido guardar para o outro dia. Isso nos ensina que para cada dia Deus tem um novo alimento, uma nova revelação. Hoje, muito do desassossego e do pecado no mundo resulta de uma fonte espiritual não satisfeita. Há pessoas que vivem com substitutos rejeitando a saudável alimentação que Deus oferece livremente (Is 53.1-3). O maná não caiu sobre mesas ou árvores, mas no chão, e o povo tinha que inclinar-se para pegá-lo. Muitos pecadores não se humilham. Eles não se curvam! Não se arrependem nem se volta para o Salvador.

Destaque para seus alunos que esta é uma clara mensagem para todos nós. Que embora não estejamos no deserto, assim como eles deveriam confiar que teriam a provisão e o cuidado alimentar de Deus a cada dia, devemos confiar que Deus cuidará, a cada dia, de todos nós! Mesmo quando hoje trabalhamos com nossas mãos para o nosso sustento, por trás de tudo, é Ele quem nos dá saúde, nos preserva e nos sustenta.

O povo havia saído do Egito cheio de usos e costumes da cultura egípcia. Está escrito em Dt 8:3 “Ele te humilhou, e te deixou ter fome...”, com isso Deus queria que o povo aprendesse os seus usos e costumes, cultura, (suas Leis), porque Ele tem um novo alimento para nós todos os dias.

3. CRISTO, O ALIMENTO DIVINO
Existe uma relação muito forte entre o maná do deserto e o Salvador do mundo. Cristo é o pão da vida, o alimento sem o qual a vida não pode continuar (Jo 10.10b). A vida é a nova relação com Deus, que só é possível graças a Jesus Cristo. Sem Ele e separados dele ninguém pode entrar nessa nova relação com Deus.

3.1. Cristo, o maná que dá a vida
Em comparação com o maná do deserto, Cristo, nosso maná espiritual tem poder vivificador (Jo 6.48-51; Hb 9.4,9). O maná sustentava a vida física, mas Cristo dá vida espiritual a todos os que o recebem. O maná era apenas para os judeus, mas Cristo oferece a si mesmo ao mundo todo (Jo 6.51). não custou nada a Moisés assegurar o maná a Israel, mas para Cristo o preço foi de sangue, tendo que morrer na cruz para se tornar disponível para saciar a fome universal. Como é triste observar que a maioria das pessoas do mundo caminha sobre Cristo, como se Ele fosse o maná deixado no chão, em vez de inclinar-se para recebê-lo a fim de poder viver. Deus testava a obediência de Israel ao fazê-lo pegar o maná o maná diariamente, e isso ainda é um teste para o povo de Deus (Êx 16.4). Infelizmente, muitos cristãos ainda anseiam pela alimentação carnal do mundo (Êx 16.3).

Muitos cristãos, em vez de começar o dia se inclinando em busca do alimento espiritual, esperam que o pastor ou o professor da escola Bíblica dominical recolha o maná para eles e os alimente. Este é o teste de nossa caminhada espiritual: eu tenho Cristo e sua Palavra em alto apreço, a ponto de iniciar meu dia recolhendo o maná?

Entretanto no Evangelho segundo escreveu João no cap. 8 nos versos 32 ao 35 está escrito: “ Replicou-lhe Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede. Assim como disse Jesus até aqueles que o viram, mesmo assim não acreditaram nele, e nós hoje também temos a sua palavra viva e muitos também não acreditam Nele.

3.2. A satisfação eterna do verdadeiro maná
O maná fora apenas um tipo de sua missão de satisfazer a fome que o espírito humano tem pela verdade, amor, e esperança; Ele não veio apenas para satisfazer uma fome passageira, mas para comunicar vida, e que está à disposição de todos aqueles que desejarem. Vamos recorrer a Ele, abandonando tudo o mais. Ir a Cristo é deixar de ter fome; confiar nele e saciar nossa sede. Se Ele tem poder para nos levar aos céus, também tem poder para nos dar as bênçãos da terra da terra. “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37). Todos os que vão a Ele provam que estão incluídos nas dádivas do Pai, dádiva feita antes que os mundos fossem criados (Jo 10.28-29; 17.5-6).

João escreveu em seu Evangelho que Jesus fez a analogia do maná que mata a fome física, comparando a Ele que mata a fome física e a espiritual e ainda dá a vida eterna.

3.3. Jesus, o maná essencial para a vida
Nenhuma busca da mente humana e nenhum desejo do coração do homem pode encontrar a verdade de Deus apartado de Jesus. O único caminho para alcançar essa nova relação é através de Jesus (Jo 1.1-3; 14.6). Jesus é o essencial sem o qual a vida não pode nem começar; nem continuar (Jo 3.16). Quando de verdade o conhecemos, e o recebemos, todos os desejos insatisfeitos, e insaciáveis do coração e da alma desaparecem. A fome e a sede da situação humana se apagam quando Cristo vive em nós. Todo esse processo nos dá vida. Isto é, situa-nos em uma nova e bonita relação com Deus (Jo 8.32). a possibilidade de obter isto é grátis e universal (Mt 11.28). o convite se formula a todos os homens e consiste apenas em curvar-se para pegá-lo em gesto de humilhação, pois do céu já nos foi dado (Jo 6.51).

Professor (a) você pode usar a 1° estrofe do Hino 328 da Harpa Cristã como ilustração para concluir a lição.

No Evangelho segundo escreveu João no cap 8 verso 32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, em todo o seu evangelho ele deixa bem claro que Jesus é essa verdade, onde registrou Jesus declarando que no cap. 14:6 “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, e ninguém vem ao Pai se não por mim”, apontando que Ele é o verdadeiro maná/alimento em seu significado único e completo, como já comentamos no tópico 1.1, onde está registrado nas Escrituras Sagradas em Ex 16:15b “Disse-lhes Moisés isto é o pão que o Senhor vos dá para nosso alimento” e em João 6:48 ao 51, Jesus disse: “Eu sou o pão dá vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne”.

CONCLUSÃO
O grande privilégio de servir a Cristo é que Ele oferece: primeiro, uma nova satisfação em vida. Onde o coração humano se harmoniza e a vida deixa de ser uma mera existência tornando-se algo que é motivo de excitação e de paz. Segundo, Ele nos garante estarmos seguros até além da vida. Ou seja, Ele nos oferece vida no tempo presente, e vida na eternidade.

Aprendemos nessa lição o significado do maná, sua qualidade, sentido físico e espiritual, e a sua analogia com Jesus, que é o verdadeiro maná que não pode faltar em nossas vidas.

QUESTIONÁRIO

1. O que significa maná?
R. “Oque é isso?” em hebraico.
2. Qual o dia que o maná não deveria ser colhido?
R. No sábado.
3. A brancura do maná simboliza o que?
R. Lembra a pureza e a impecabilidade de Jesus.
4. O que simboliza inclinar-se para recolher o maná?
R. Humilhar-se diante de Cristo.
5. O que nos oferece o pão de Deus que desce do céu?
R. Vida na eternidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GENEBRA, Bíblia de Estudo, Edição Revista e Ampliada, Editora Revista Cristã, são Paulo, 1993, p. 111-113, 746, 1381-1388.
DISPONÍVEL, em: https://www.artigos.com...>religião
Revista do professor: Jovens e Adultos. Liderança Cristã. Rio de Janeiro: Editora Betel - 4º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 93. Lição 1 – O agir de um Deus sobrenatural.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
Evangelista Wesley Batista – Bacharel em Teologia e Pós Graduado em Didática do Ensino Superior.