26 de agosto de 2014


4º Trimestre de 2014


Encerrando o ano eclesiástico de 2014, apresentamos no currículo Betel um tema muito recorrente nas diversas denominações espalhadas pelo Brasil. Embora os sinais e milagres não sejam o fundamento da Fé Cristã, o fundamento é o Senhor dos milagres; A crença nos milagres Bíblicos sempre foi considerada uma característica peculiar do Cristianismo, isto porque para fé cristã todo milagre Biblicamente autêntico tem um nobre propósito, sobretudo, demonstrar o caráter justo, o amor, a misericórdia e o cuidado de Deus para com o seu povo. Por isso, neste trimestre estudaremos apenas alguns milagres registrados no Antigo Testamento a fim de extrair deles grandes revelações para edificação da nossa fé, através da compreensão dos grandes feitos milagrosos na história Bíblica do Antigo Testamento. Desta forma, o nosso objetivo pedagógico e nosso interesse com este conteúdo é reafirmar a certeza de que entre o mundo antigo e  o contemporâneo, entre ciência e fé, Deus é Soberano sobre tudo e todos e porque seu amor dura eternamente, os milagres continuarão existindo no dia a dia da igreja cristã.

Lição nº 09 - Orientações bíblicas para delegação de poderes

LIÇÃO 09 – 31 DE AGOSTO DE 2014 - EDITORA BETEL
ORIENTAÇÕES BÍBLICAS PARA DELEGAÇÃO DE PODERES

TEXTO ÁUREO 
“Escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez”. Êx 18.25

VERDADE APLICADA     
Uma das maiores lições que um líder precisa aprender é que ninguém pode fazer tudo sozinho.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Compreender a importância de se delegar poderes;
Mostrar que um líder não é um fim em si mesmo, por isso, deve delegar;
Orientações como deve agir um líder antes de delegar poderes.
                                                          
TEXTOS DE REFERÊNCIA
Ex 18.14 - Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol?
Ex 18.15 - Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus;
Ex 18.16 - Quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis.
Ex 18.17 - O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes.
Ex 18.18 - Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer.
Ex 18.19 - Ouve, pois, as minhas palavras; eu te aconselharei, e Deus seja contigo; representa o povo perante Deus, leva as suas causas a Deus,

INTRODUÇÃO
Não importa quão excelente seja um líder, a unidade é tudo em um ministério aprovado. Uma das maiores lições que um líder precisa aprender é que ninguém pode fazer tudo sozinho. Do mesmo modo que uma equipe necessita de bons jogadores para ganhar, uma organização também necessita de bons líderes para alcançar êxito.

1. O ATO DE DELEGAR
Já imaginou um jogador que bate o escanteio e ao mesmo tempo corre para cabecear a bola? Impossível não é? Ele jamais daria conta de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Assim estava Moisés, solitário, prestando assistência ao povo, desde a manhã até o pôr do sol (Ex 18.14). Uma fila enorme de pessoas para atender e responder às suas necessidades, sem ter sequer um auxiliar. Jetro, seu sogro, observou que não era bom o que Moisés fazia, e teve a preocupação, e a ousadia de lhe dizer que era incorreto. Jetro, sem dúvida, demonstrou um tino especial para liderança, apontando-lhe a solução, o ato de delegar.

1.1. O que é delegar
Delegar é o ato de transmitir poderes, de conferir a alguém representatividade, de incumbir alguém a julgar, resolver ou trabalhar em alguma coisa. Nas Escrituras, encontramos inúmeros exemplos do ato de delegar: Deus delegou Moisés para libertar o povo do governo egípcio; Moisés instituiu líderes que julgassem o povo; Josué foi delegado para ser sucessor de Moisés; Jesus delegou seus discípulos para evangelizarem a Israel (Lc 10.1,19); Paulo delegou muitos obreiros para trabalharem em várias regiões, por exemplo, enviou Timóteo a Éfeso, enviou Tito a Creta, Epafras a Colossos, etc. Quando um líder entende que é limitado e que precisa expandir a visão além de si mesmo, ele delega poderes a outros. Assim a sua capacidade se multiplica (2Tm 2.2).

1.2. Clareza de objetivos na delegação
Não basta a um líder apenas entender que possui limitações, e que precisa ser representado para aumentar seu raio de ação. Um líder precisa ser claro quanto ao que o seu representante vai fazer. Jetro interveio na liderança de Moisés, dando-lhe claras explicações de como deveria interagir. “E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que odeiem a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez; Para que julguem este povo em todo o tempo; e seja que todo o negócio grave tragam a ti, mas todo o negócio pequeno eles o julguem; assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo (Ex 18. 21-22). Jetro aconselhou e Moisés seguiu o que havia dito. Moisés ganhou e pode servir melhor, os liderados se ocuparam, e todos passaram a trabalhar num objetivo comum. Diferente desse modelo, hoje, em muitas igrejas, encontramos dois grupos de pessoas nomeadas: os que não sabem o que fazer, e os que querem fazer o que não lhes foi determinado.

1.3. Cuidados no ato de delegar
Todo líder precisa compreender a responsabilidade que está sobre seus ombros ao dar poder a alguém para agir. O poder pode mudar a mentalidade de uma pessoa (At 8.19-21). Um líder precisa observar se além de capacidade, o tal também possui uma chamada da parte de Deus. A posição pode mudar o status, mas pode não resolver o problema para o qual foi designado. Um certificado de médico não resolve o problema de um doente. O conselho de Jetro era para que Moisés buscasse pessoas capazes, e os nomeasse conforme a capacidade de cada um: “põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez; para que julguem este povo em todo tempo”. Se a capacidade dos encarregados for negligenciada bem como outras qualidades o prejuízo será de todos.

Note que o Senhor Jesus foi criterioso ao enviar seus discípulos representantes. Além de instruí-los Ele os enviou aos pares, pois a solidão é desagradável e traz consigo as suas tentações. E mesmo dentro desses pares, Jesus também utilizou critérios ligados ao temperamento, afinidade e aptidão de cada um. Observe atentamente como ficou estabelecidos os pares: Simão Pedro e André, esses dois eram irmãos; Tiago e João, ambos filhos de Zebedeu; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que traiu Jesus. Note, por exemplo, que Simão, o Zelote e Judas, o Iscariotes, eram pessoas que tinham ambições e diálogo mais político.

2. POR QUE ALGUNS NÃO DELEGAM
Como já sabemos, numa administração, se alguém deixar de delegar ou delegar negligentemente isso acarretará prejuízo a todos. Em muitos casos, a sucessão só acontece quando alguns líderes já não suportam mais, estão em desespero, ou à beira da morte. Vejamos alguns motivos que podem impedir a delegação:

2.1. A insegurança impede a progressão
Há poucos dias, os jornais trouxeram a realista notícia: “Por falta de profissionais qualificados, aposentados estão sendo recontratados”. Essa manchete nos ensina como algumas pessoas podem ser egoístas e insensatas, enquanto outras são desmotivadas. Uns não ensinam para não serem superados e substituídos, outros não aprendem porque não se interessam por aprender. Dois exemplos nos deixariam satisfeitos quanto à questão: Eliseu sucedeu Elias com honras e méritos; mas Geazi, além de não suceder Eliseu, ainda foi capaz de adquirir a lepra de Naamã (2Rs 5.25-27). O conselho de Jetro apresenta um Moisés responsável, mas ainda imaturo nas questões de liderança. Ele estava só, e isso é muito ruim para um líder. Ao distribuir as tarefas Moisés tanto pode respirar quanto dar aos homens a oportunidade de tornarem-se líderes. Se um líder morre sem passar o bastão à organização, sucumbe juntamente com sua infrutífera liderança.

Moisés já estava consolidado como líder, seu problema não era insegurança, era inexperiência. Jetro aparece com conselhos sábios visando o crescimento de missão de Moisés. Se Moisés continuasse daquele jeito o rumo de sua liderança seria complicado, cansativo e deprimente. Muitos não encarregam outros, porque são inseguros. Afinal, delegar é transmitir e investir alguém de poderes que antes se encontrava apenas em sua mão. O medo de repartir autoridade pode ser tão grande que muitos preferem afundar a organização em vez de liderar com outros.

2.2. Perfeccionistas e centralizadores
Moisés tinha um perfil muito ativo, mas de temperamento predominantemente melancólico, um tipo reflexivo. Isso é demonstrado pelo seu gosto de escrever tão apropriadamente e compor poemas (salmos) com tanto lirismo. Ele era um homem dado a certo perfeccionismo, algo próprio do seu temperamento. Supomos que talvez por isso tinha dificuldade em pensar em delegar autoridade. Todavia, ele, sob a orientação de Deus, com o tempo, foi se aperfeiçoando, alargando a visão, e instituindo mais delegados (Nm 11.16-17,24-30). Alguns líderes são perfeccionistas, e, por isso, acham que alguns jamais farão certas coisas como eles mesmos fazem. Por causa disso se tornam centralizadores, achando que sem eles nada se pode fazer. Quem lidera e administra deve ser tolerante com os outros e consigo. Ficar com tudo na mão por excesso de zelo trará prejuízo ao líder e a organização como um todo.

2.3. Líderes controladores
Existe outro tipo de líder que não tem dificuldade em delegar poderes, mas teme e fica chateado quando as coisas fogem ao seu controle. Nenhum líder deve pensar que todas as coisas ligadas a sua liderança devem acontecer com seu consentimento (Lc 9.50). Líderes inseguros, perfeccionistas ou muito controladores, precisam entender que tal comportamento, além de prejudicial, poderá se tomar opressivo. Nenhuma liderança com esse perfil determinará que as coisas saiam certas. Mesmo que façam tudo certo, ou controlem o possível, ainda assim haverá margens para o insucesso. Nenhum líder deve ter medo de se arriscar em confiar nas pessoas, porque tanto os erros quanto os acertos são normais numa liderança. É bom saber que grande parte do sucesso em equipe dependerá de como ela foi escolhida para trabalhar.

3. DELEGANDO PODERES
A visão de Reino é diferente de uma visão particular. Quando se pensa no Reino, se é capaz de viver acima dos caprichos e da ignorância. Um líder centrado sabe que, para o crescimento e expansão do Reino, é preciso que surjam novos líderes e novas ideias. É claro que isso deve ser visto com cuidado e se promova outros líderes com critérios. Observemos o conselho de Jetro, ele pode em muito nos instruir.

3.1. ”Procure homens” (capazes, tementes, de verdade)
Quando Jetro aconselhou a Moisés a procurar homens que tratassem das questões legais entre o povo, ficou claro que, para o desempenho daquela função, não caberia qualquer pessoa. Antes deveriam ser pessoas com perfil adequado para aquela função. Jetro demonstrou um excelente tino administrativo ao dizer: “procure homens...”, visto que é necessário um olhar investigativo, observador para identificar a pessoa adequada para a função auxiliar. Antes, porém, Moisés os deveria preparar, declarar, ensinar-lhes os estatutos. Dentre esses ensinados, Jetro falou de homens capazes, cujo alcance de liderança deveria se ajustar à capacidade de cada um. Deveria haver, dentre eles, chefes de mil, cem, cinquenta, e dez. Mas a aptidão ainda não era tudo! Era necessário que fossem homens de caráter probo: tementes, pessoas de verdade e que aborrecessem a avareza. Tais critérios são aplicáveis na maioria das organizações e principalmente nas igrejas.

A escolha deve ter um foco e também preencher alguns requisitos. Se desejarmos ver qualidade em nossas organizações, devemos passar o bastão para aqueles que além de qualificações especiais, possuam também a visão de dar continuidade.

3.2. “Ponha-os por chefes”
A seleção destes homens previamente instruídos, capazes, etc., deveria ser seguida por uma investidura pública: “põe por chefes... será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo”. A investidura não deveria ser privada e sim pública, todos deveriam ver quem foram os escolhidos. Afinal se tratava de homens que deveriam ser vistos como “chefes” delegados por Moisés. Esses seus legítimos representantes levariam a carga junto com ele. Ser apenas reconhecido como líder não é tudo, é necessário que leve também a carga de seu líder maior, que cumpra sua missão, que ame o que se faz. A prévia de nossos dias é que muitos são nomeados para o desempenho de determinadas funções quer seja na igreja ou noutra organização, mas nada fazem. São pessoas que apenas ostentam títulos para o cargo designado, contudo, são inoperantes, inúteis.

3.3. “Estes julgarão o povo”
Assim que aqueles homens tiveram o reconhecimento público cumpriram a sua missão, “julgaram o povo”. Há muitas verdades nessa pequena expressão supracitada. A expressão: “julgaram o povo” significa que eles atenderam as necessidades do povo. É claro que elas não deixaram de existir, mas eles prestavam seus serviços dia a dia. Também significa que aliviaram a carga de Moisés, deixando-o mais suavizado. E ainda, significa que muitos homens puderam realizar-se em seu encargo fazendo algo útil ao próximo. Veja quanta coisa boa acontece quando uma liderança ou administração delega poderes, divide responsabilidades - TODOS GANHAM!

Se para alguns é difícil delegar autoridade pense nos resultados e formule critérios. Aqui chamaremos de: as peneiras de Jetro: 1) Ensine, prepare liderados sempre, 2) Dentre os ensinados procure pessoas capazes, 3) Adeque o encargo ao potencial de liderança de cada um, 4) Faça uma investidura pública para que tanto sejam responsabilizados quanto honrados, 5) Acompanhe os resultados, mas deixe-os à vontade. Observe que não será tão difícil assim.

CONCLUSÃO
O tempo de qualquer pessoa é precioso, mas principalmente quando se trata de um líder de uma organização eclesiástica. Por isso, ele deve se concentrar em buscar, treinar e empossar pessoas adequadas para essa organização, para aliviarem a sua carga. Ele não estará livre das decepções, todavia, encontrará grande realização juntamente com a sua equipe.

QUESTIONÁRIO
1. O que é delegar poderes?
R. E o ato de transmitir poderes, de conferir a alguém representatividade.
2. Segundo o tópico 1.3 por que um líder precisa observar as qualidades de quem escolhe?
R. Porque o poder pode mudar a mentalidade de uma pessoa.
3. Como deveria ser, segundo o conselho de Jetro, a posição de chefia?
R. Conforme a capacidade de cada um.
4. Por que alguns não delegam autoridade a outros?
R. Porque se sentem inseguros, perfeccionistas, e controladores.
5. Descreva uma vantagem em delegar poderes a outrem?
R. Homens se podem realizar, fazendo algo útil ao próximo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Revista do professor: Jovens e Adultos. Liderança Cristã. Rio de Janeiro: Editora Betel - 3º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 92. Lição 09 “Orientações bíblicas para delegação de poderes”.
Comentários adicionais: 

    

14 de maio de 2014

Homenagem ao Dia das Mães

A Escola Bíblica Dominical homenageia às Mamães pelo seu dia oferecendo um café especial às 8h 30 da manhã. Parabéns a todas as Mamães pelo seu dia!!!!!





Veja mais fotos na página: "Imagens dia das mães"

25 de março de 2014

Lição 01 - O perfil bíblico de um líder

LIÇÃO 01 – 06 DE JULHO DE 2014 - EDITORA BETEL
O PERFIL BÍBLICO DE UM LÍDER

TEXTO ÁUREO
“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e, por meio de nós, manifesta, em todo lugar o cheiro do seu conhecimento”. 2Co 2.14

VERDADE APLICADA
A capacidade de liderar é dada por Deus, Preparar-se é um dever de todo aquele que lidera.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
 Mostrar que um líder é aquele que se relaciona em três dimensões distintas;
 Apresentar o impacto causado por um líder nessas três dimensões;
 Demonstrar as qualidades pessoais indispensáveis de um líder.

TEXTOS DE REFERÊNCIAS
1Sm 17.48 - E sucedeu que, levantando-se o filisteu, e indo encontrar-se com Davi, apresentou-se Davi, e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu.
1Sm 17.49 – E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.
1Sm 17.50 – Assim Davi prevaleceu contra o filisteu, com uma funda e com uma pedra, e feriu o filisteu, e o matou; sem que Davi tivesse uma espada na mão.
1Sm 17.51 – Por isso correu Davi, e pôs-se em pé sobre o filisteu, e tomou a sua espada, e tirou-a da bainha, e o matou, e lhe cortou com ela a cabeça; vendo então os filisteus, que o seu herói era morto, fugiram.

INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos sobre a liderança e o que é necessário para entendê-la e praticá-la. Nesta lição, falaremos biblicamente sobre o perfil geral de um líder. Há pelo menos três dimensões de vínculo relacionais que tornam uma pessoa líder em alguma coisa. O líder se relaciona com pessoas, com a organização e consigo. Vejamos de maneira concisa e prática como essas dimensões se desenvolvem.

Um bom líder é alguém que vê as necessidades das outras pessoas. Está sensível para com elas. Ele procura, na maneira do possível, ajudá-las a superar os seus obstáculos, é alguém que demonstra um amor genuíno, como um amor de pai para filho. Afinal de contas, eles são o rebanho que Deus lhe confiou nas mãos e um dia prestará contas disso. Deve ser possuidor de caráter e ser digno de confiança. Para Jesus, liderar era reproduzir nos seus seguidores o seu próprio caráter. Por esta razão, Ele disse: Aprendei de mim(Mt. 11:29). Aquilo que a gente aprende com o líder, é um registro que levamos para o resto da vida. É bom lembrar que conhecimento é informação compartilhada. O líder deve viver ensinando e ensinar vivendo (Mt 4:23;5:2;9:35; 11:1).

1. O LÍDER EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS
A palavra líder procede do inglês (leader) que tem, como significado, aquele que pastoreia, isto é, um pastor ou aquele que lidera. Dessa maneira, um líder é alguém que guia ou conduz pessoas a algum lugar para realização de um propósito (Jo 10.3-4). O líder é aquele que sabe para onde vai. Daí se pressupõe que um líder é alguém que sabe o que está fazendo, principalmente quando diz respeito ao bem estar das pessoas.

1.1.   Um líder inspira através do seu exemplo
Quer aceitemos ou não, somos influenciados uns pelos outros. Influenciar exige esforço, boas ideias e muitos riscos. Na verdade, ninguém deseja seguir as ideias de um derrotado. Por isso, líderes precisam ser inspiradores, ter ousadia e, acima de tudo, coragem. Davi foi o primeiro homem a derrotar um gigante em sua geração. Sua coragem e ousadia inspiraram o tremente e acovardado exército de Saul (1Sm 17.11). O que fez Saul? Nada. Davi tinha unção, Saul também, mas unção sem atitude não forma um líder. Um líder é diferente de um chefe. Enquanto um dá as ordens, o outro inspira e motiva através de seu exemplo (1Pe 5.2). Influenciar o outro exige esforço, porque, na vida, tudo o que pode conduzir à vitória, requer empenho e dedicação, o que é dignificante (Jo 15.13).

Por que existem recordes? Recordes existem para serem quebrados. Porque alguém sempre inspira alguém a vencer obstáculos. Porque quando as coisas acontecem com facilidade, sem luta, sem batalha, sem envolvimento, há a tendência de não darmos o devido valor. A Bíblia ensina que a operação de influenciar as pessoas é função do Espírito Santo (Jo 16.8), mas “Ele não fará nada” se não estivermos dispostos a cooperar em nossa parte.

Ser líder não deve ser tomado como uma honra e sim como uma oportunidade de servir a Deus, servir a Deus, é motivo de honra, porém não se pode servir a Deus sem servir aos homens. Antes de ser um líder entre os homens você precisa ser um humilde servo diante de Deus. Uma característica indispensável ao líder é a honestidade. As palavras de um líder devem ser sinceras, pois suas atitudes e ações deve inspirar confiança aos seus liderados. pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens”. 2Coríntios 8:21.

1.2. O líder influencia na tomada de decisões
Tomar decisões acertadas envolve conhecimentos, experiência, coragem, riscos, perdas ou vitórias. Um líder é uma pessoa decidida, proativa, firme e imparcial na tomada de decisões com relação a um grupo, família, igreja, etc. Nada é corrigido sem liderança (1Co 4.17). Quando algo está errado, é para ser tratado e corrigido. É preciso ter coragem para confrontar e isso, até mesmo na família. A postura de liderança de Davi foi decisiva para trazer vitória aos hebreus. E, depois que derrotou o primeiro gigante, outros foram inspirados a fazê-lo. Não importa a condição que exista, em qualquer situação, nada muda sem liderança. Reclamar não muda a situação, liderar sim! (1Sm 17.39-40;45-46).

Um líder tem de ser um homem íntegro e possuir coragem e firmeza diante de situações difíceis. Tem que possuir caráter reto e integridade de princípios morais. Ele precisa conhecer e defender o que é justo, mesmo em face da desaprovação popular. Só então é que ele terá a força interior que inspira outros a segui-lo com confiança.  

1.3.   Um líder conduz seu povo ao cumprimento de metas
Todo líder deve ter visão (Gn 13.14), sem visão ninguém chega a lugar algum. Porque a visão nos leva a um destino, e, líder sem alvo é povo sem destino. Ser líder é ter essa chama acesa e contagiar outros através dela. A alegria de um líder são os seus liderados, e o destino dos liderados dependem da visão do líder (Nm 14.6-8). Que triste seria desperdiçar uma vida inteira sem descobrir o propósito pelo qual fomos criados. No relacionamento com pessoas o líder é alguém que exerce um papel especial para incentivar seus liderados a alcançarem suas metas (Sl 77.20). Apesar de estarmos falando no perfil geral da liderança, não estamos esquecidos de que, no Reino de Deus, todo líder tem o compromisso de ser um servo, logo uma característica indispensável no líder cristão é a humildade. Essa é a maior virtude de um líder: ser servo (Jo 13.14-17).

Um líder solitário nada poderá construir, mas ao agregar qualidade a um grupo e trazer ânimo a seus liderados, tudo se torna mais fácil, até mesmo, os alvos mais impossíveis se cumprirão em tempo recorde. (Exemplo Bíblico: Neemias).

O líder que coloca Deus em primeiro lugar em sua vida e é leal ao seu empregador, demonstra que tem verdadeiro interesse pelos outros. Seu altruísmo fará com que ele trate dignamente aqueles que trabalham com ele. Ele procurará a melhoria pessoal de cada um, e colocará o bem-estar dos seus empregados acima do seu próprio. Eles, por sua vez, responderão com trabalho qualitativo e quantitativamente melhor e se sentirão entusiasmados para alcançar seus objetivos.

2. O LÍDER EM RELAÇÃO À ORGANIZAÇÃO
Uma organização se refere a um grupo de pessoas, uma instituição ou órgãos que sirvam a determinados interesses. A isso incluímos à igreja local, evidentemente (1Co 12.14-20). Um líder, em relação a uma organização, é alguém que pode atuar de diferentes maneiras, pois devemos reconhecer que existem qualidades que caracterizam bons líderes.
O papel do líder na organização é imprescindível, uma vez que se faz necessário que a igreja ou outros órgãos tenha um caminho a percorrer em busca de objetivos satisfatórios. Portanto, o líder faz a integração dos liderados na execução dos seus trabalhos, buscam soluções através de uma aprendizagem mais consistente, que se aproxima da realidade da organização. Mas para isso é preciso saber como manter um relacionamento equilibrado com seus liderados, de modo a impulsioná-los para frente.

2.1. Bons líderes organizam
Os líderes não existem para manter as coisas, a função de um líder é sempre melhorá-las. Bons líderes tomam decisões que produzem crescimento e qualidade, mesmo que isso não agrade a muitos. Agradar a Deus nem sempre é agradar ao povo. Casa que não tem liderança vira bagunça! Observe o conselho de Paulo ao jovem pastor Tito: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tt 1.5). Tito não estava em Creta, para realizar cultos, ele foi enviado para “colocar as coisas em ordem”. Sem liderança nada será corrigido.

O fracasso ou o sucesso de uma organização são resultados de uma liderança. Não devemos jamais colocar a culpa nas pessoas se somos nós quem a lideramos. O sucesso de um líder não é brilhar, mas trazer luz onde havia trevas. Disse John C. Maxwell: “a pessoa bem-sucedida é aquela que pega a água fria jogada em seus planos, aquece-a com entusiasmo e produz o vapor que ajuda a seguir adiante”.

2.2. Bons líderes administram
Administrar é exercer autoridade de acordo com as regras, mas também significa servir alguém ou ainda gerir. Uma palavra muito comum para referir-se à administração no grego do Novo Testamento é “oikonomia”. Essa palavra faz parte do vocabulário do português na forma de “economia”. Mas “oikonomia” é formada por duas palavras “oikos” que significa casa e “nomos” que significa regra, princípio e normas. Logo, Economia refere-se à administração de um lar ou dos afazeres de um lar. Líderes são pessoas que cuidam de administrar a casa de Deus com todos os recursos a eles confiados. Para que alguém possa ser recomendado como um líder na casa de Deus deve dar provas na sua administração doméstica. Caso ele não prove ser bom administrador do seu lar, fica a pergunta: “pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (1Tm 3.4-5; Tt 1.6-7).

2.3. Bons líderes trabalham com propósitos e unidade
Resultados não acontecem sem planejamento, sem trabalhos, ou sem foco. Um líder deve estabelecer metas a curto, médio e longo prazo para ser bem sucedido (Lc 14.28). Sucesso só vem antes do trabalho no dicionário. O êxito de um líder é o êxito de sua equipe de liderados que cooperam com ele. Mas, para que isso aconteça, todos devem falar uma mesma língua e focalizar um mesmo objetivo. Podemos considerar a torre de Babel como um grande trabalho de equipe (Gn 11.1-4). Embora seus desígnios fossem maus perante Deus, o próprio Deus considerou que a unidade é produtiva. E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer” (Gn 11.6).

O grande afã de um líder é trabalhar para alcançar resultados através de sua equipe de liderados, o que exige unidade (Sl 133). Vejamos como exemplo o conselho de Jetro (Ex 18.17-26).

3. O LÍDER EM RELAÇÃO A SI MESMO
Vimos acima que um líder é alguém que se relaciona com pessoas e com coisas (administrativas). Agora, porém, veremos que os relacionamentos chegam a uma dimensão intrapessoal. E quem sabe, seja esse o principal requisito, visto que envolve o possuir de uma imagem e a relação do equilíbrio consigo (Rm 14.7).

3.1 Um líder deve ser fiel à visão recebida (1Co 11.23ª)
Um líder deve fiel a visão recebida. A visão é sua respiração, é quem o motiva a acordar mais cedo, ela é seu destino. Os líderes são possuídos pelo futuro, pelo senso de direção, eles não vivem só o presente. O que dizia Jesus? Meu reino não é deste mundo. Ele estava aqui, seu pensamento e alvo não. Até hoje, muitos não compreendem porque Paulo e Silas cantavam enquanto eram chicoteados. Eles tiveram uma visão do futuro, viviam e respiravam através dela, sabiam que havia algo tão maravilhoso que o viver aqui lhes era de pouca importância (Fp 1.21). É lastimável quando vemos pessoas morrendo por coisas efêmeras, porque jamais tiveram um vislumbre das coisas eternas (2Co 12.1-4).

A autêntica visão envolve também o atender de uma vocação e aptidão para realização de um propósito específico através de seus meios próprios. Ninguém no Reino de Deus pode ficar sem uma visão. Há pessoas que recebem uma visão para levá-los a efeitos, outros devem abraçar a visão de seus líderes, tomando-a como sendo deles mesmos, visto que ninguém deve ficar parado ou como “peso morto” na Casa de Deus.

O segredo do sucesso de um líder espiritual está relacionado pela visão que ele possui. Toda liderança começa a partir da visão.  Possuir uma visão é saber, de forma clara, o que deseja que seu grupo seja ou faça. A partir dessa imagem clara que se tem, começa o planejamento, a fim de que isso se torne realidade. A visão é base de sustentação de todo ato de liderança. Sem visão não pode haver uma missão adequada. Deus deu a Noé a visão de uma arca, e ele a construiu. Deus deu a Abraão a visão de uma cidade, e ele a buscou. Deus deu a Neemias a visão de um muro, e ele o levantou. Deus deu a Paulo a visão de ser o apóstolo dos gentios e ele cobriu a terra com a mensagem de Cristo.

3.2. Um bom líder busca seu próprio crescimento
Alguém que se considera vocacionado para uma determinada liderança deverá se preparar para seu exercício, ou caso já exerça, deverá buscar a cada dia, o crescimento (2Pe 1.5). Isso inclui investimento, tempo, aprendizado, erros e acertos. Lembremos o exemplo de Davi, que cresceu e tornou-se popular ao derrotar a Golias, depois se tornou oficial do exército de Saul e continuou crescendo mesmo numa caverna escura, onde encontrou forças para liderar um bando de homens endividados e amargurados de espírito, transformando-os em grandes heróis (1Sm 22.2). Davi cresceu mais, e foi crescendo até tornar-se rei de todo o Israel. Vemos em Davi, um homem de contínuo crescimento. Todavia, ele jamais foi um homem obcecado pelo poder.

Veja as Palavras de Jesus, O maior de todos os líderes - “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11.29). O grande desafio para qualquer líder é continuar crescendo, mesmo depois de ter alcançado um nível de respeitabilidade considerável. O  crescimento determina quem você é. E Quem você é, determina quem você atrai, e quem você atrai, determina o sucesso de seu ministério. Todo líder que deseja que seu ministério continue crescendo, têm que manter-se educável. Observe o que disse Ray Kroc: “Enquanto você estiver verde, estará crescendo. Quem para de crescer, é porque já se acha maduro demais. Agora, a tendência é apodrecer... Para continuar crescendo, é preciso desistir do orgulho e manter-se aberto para aprender sempre. Newton, o homem que descobriu a lei da gravidade, disse: “O grande oceano da verdade continua inteiramente desconhecido diante de mim”. É necessária uma atitude humilde, que cria condições para receber o conhecimento e a capacidade que levam ao sucesso. “Quem pensa que sabe tudo, ainda não sabe como convém saber” (C.RA. Filho).

3.3. Um bom líder possui satisfação pessoal
Como pode uma pessoa que vive em conflito consigo mesma liderar a outros? As pessoas querem seguir quem lhes tragas soluções e não problemas. Quem tem uma imagem de si mesmo desiquilibrada e ou sentimentos negativos de mágoas, vingança, etc., terá dificuldades de influenciar outros e permanecer liderando. Você consegue pensar em algum líder que não tenha autoestima, que não seja entusiasmado? É muito difícil não é? Assim, quem lidera deve ser uma pessoa que se ame, ame imensamente o ser humano, e que se satisfaça em conduzi-lo também a satisfação. Pense em como Davi transformou muitos fugitivos, desacreditados, amargurados em heróis (1Sm 22.2). Davi era um perito soldado, mas descobriu homens valorosos e com capacidade de guerra muito acima das que ele mesmo possuía. Davi soube honrá-los, soube ser generosos para com eles, e tantos outros que jamais saberemos seus nomes. Daí se conclui facilmente que a satisfação de um líder é a satisfação simultânea de seus liderados, visto que trabalham para uma mesma meta em comum.

CONCLUSÃO
Biblicamente, por princípio Divino, toda a liderança procede de Deus (Rm 13.1). Esteja Deus onde estiver, seja igreja ou empresa, etc., a liderança deve ser uma forma de pôr, em movimentos, os dons recebidos de Deus. Tais dons e aptidões devem servir para que outros possam atingir seus objetivos, a fim de glorificar a Cristo Jesus.

Se você anda “à procura da excelência”, no que se refere ao desenvolvimento das suas aptidões de liderança, olhe bem de perto para Jesus Cristo, — O maior líder que de todos os tempos. Nenhum de nós pode se igualar ao Bom Pastor, mas podemos aprender, através de seu exemplo, a cuidar melhor do nosso rebanho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA. Português. Bíblia Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
CYRILJ. Barber. NEEMIAS e a dinâmica da liderança eficaz. São Paulo: Editora Vida, 2005.
GONÇALVES. Josué. 37 Qualidades do Líder. São Paulo: Editora: Mensagens Para Todos.
IBETEL.  Liderança Geral e Cristã. São Paulo
Revista do professor: Jovens e Adultos. Liderança cristã. Rio de Janeiro: Editora Betel - 3º Trimestre de 2014. Ano 24 n° 92. Lição 01.


Dc. Ancelmo Barros de Carvalho.  Email: ancelmobarros@gmail.com

17 de março de 2014

Tema da Lição do 2º Trimestre de 2014

O PRÓXIMO TEMA DA REVISTA BETEL,JOVENS E ADULTOS,SERÁ:


"ENFERMIDADES DA ALMA"
Para conhecer os temas das 13 lições, favor clicar na página "Lições Bíblicas".

27 de dezembro de 2013

Confraternização da Classe Sarah 2013

A classe Sarah realizou no último dia 21/12/2013, na casa da aluna Rosa Maria, sua confraternização de fim de ano. O Evento foi marcado com muita alegria e descontração.

  Veja mais fotos na página da Classe Sarah

Confraternização dos Jovens 2013

O grupo de jovens realizou sua confraternização no último dia 21/12/2013 com grande estilo. O tema deste ano foi: "Oscar Mocidade Filadélfia 2013" e teve desfile com premiação para todos os jovens. 

Veja mais fotos na página: Classe Nova Vida

Como identificar e refutar as seitas e heresias - Lição e comentários adicionais


Texto Áureo

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres, segundo os seus próprios desejos” (2Tm 4.3).

Verdade Aplicada

O cristão deve saber identificar os falsos mestres e seus ensi­nos, para não ser enganado ou até mesmo desviado da verda­deira palavra de Deus.

Objetivos da Lição

01) Ensinar a definição de seitas e heresias;

02) Apresentar as principais ca­racterísticas dos falsos ensinos;

03) Mostrar como combater, à luz da Bíblia, as doutrinas dissimu­ladas.

Textos de Referência

2Tm 4.1 Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino;

2Tm 4.2 prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admo­esta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.

2Tm 4.3 Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutri­na; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres, se­gundo os seus próprios desejos,

2Tm 4.4 e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas.

2Tm 4.5 Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cum­pre o teu ministério.

INTRODUÇÃO:

Como educadores cristãos caberão a nós, durante este primeiro trimestre de 2014, a responsabilidade de admoestar e alertar nossos alunos quanto ao perigo que as religiões, seitas, heresias e seus modismos doutrinários tem se apresentado entre nós (1 Tm 4.1; Mt 24.24). Esta série de 13 lições bíblicas servirá, também, para sinalizar a nós, cristãos, que o sentimento religioso é um dos mais insofismáveis indícios da existência de Deus e mostrar que o homem se tornou um “animal religioso”. A expulsão do primeiro casal do Éden dá inicio a uma longa caminhada do homem em busca de um relacionamento com Deus (mesmo que pôr caminhos estranhos). Não se estranhe, mas é pôr intermédio das mais diversas religiões e seitas, que o ser humano está procurando o “elo”, que no Éden, ligava ao seu Criador. Isto nos quer dizer que Deus está vivo, e a humanidade anela pôr sua companhia. Davi, o salmista, externou sua inquietação religiosa dizendo: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma pôr ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1,2). “O meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 84.2). Anelando pôr Deus, e não sabendo como encontrá-Lo, o homem é capaz de inúmeras loucuras: idolatrar as forças da natureza; fabricar deuses de madeira, pedra, prata ou ouro; sacrificar-se ritualmente; e até cultuar os demônios. A necessidade de conhecermos as “religiões, suas seitas e suas heresias” se impõe porque o surgimento delas é parte inseparável do cumprimento das profecias a ter lugar nestes dias que antecedem o arrebatamento da Igreja.

O cristão deve estar atento a cerca de inovações, modismos, novas unções, novas revelações sem qualquer fundamentação bíblica, e também deve ter cuidado com a interpretação equivocada da Palavra de Deus, pois aí estão as fontes de muitas heresias.

Devemos redobrar nossos cuidados, pois algumas inovações, modismos e desvios doutrinários contemporâneos em seus variados aspectos e nuanças tem se apresentado de forma sorrateira, disfarçada e até subliminar confundido a mente e minando a resistência daqueles que seguem a doutrina de Cristo, dos apóstolos e da verdadeira adoração a Deus. Infelizmente, muitos cristãos e até mesmo nossas igrejas vêm se deixando contaminar por estas inovações e modismos doutrinários os quais abrangem os mais diversos nomes: pensamento positivo, triunfalismo, maldição hereditária, teologia da prosperidade, regressão psicológica, filosofia holística, teologia liberal, etc.

1. identificando as seitas e heresias

Estes termos são definidos pelo Dicionário Aurélio do seguinte modo: “Seita – doutrina ou sistema que diverge da opinião geral”; “Heresia – doutrina contraria ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé”. No grego bíblico (ou koiné), é empregada a palavra “hairesis” com dois sentidos principais: Seita – no sentido de facção ou partido, um corpo de partidários de determinadas doutrinas (At 5.17; 24.5; 26.5; 28.22); e a opinião contraria a doutrina prevalecente, de cujo ponto de vista é considerada Heresia (2Pe 2.1).

Os professores precisam estar atentos às muitas definições de termos utilizados na Bíblia Sagrada por dicionários das línguas modernas, pois diferente do que se crê, nem sempre conseguem expor o real significado de expressões da Bíblia. O ideal é recorrer ao uso do termo nos dias em que o texto bíblico foi produzido; por essa razão, é importante utilizar um dicionário bíblico. A palavra grega “hairesis” é um exemplo. No livro de Atos dos Apóstolos, onde estão seis dos nove exemplos registrados no Novo Testamento, refere-se aos partidos dos fariseus e dos sacudeus como grupos dentro da comunidade judaica (At 5.17; 15.5; 26.5). Outro exemplo do emprego da palavra “hairesis”, é que, do ponto de vista judaico, os cristãos também são descritos como “sendo” membros de uma “hairesis” (At 24.5; 24.14; 28.22). É baseado nestes textos que outros credos utilizando a palavra de Deus de forma equivocada e fora do contexto; tentam utilizar estes versículos contra o próprio cristianismo. Daí a importância de entender que, até na Bíblia, o termo seita foi empregado no sentido genérico, surgindo a natureza particular e não autorizada de um grupo ou partido. Assim, qualquer credo pode utilizar estes termos em relação a outras confissões por se tratar de um termo comum.

Como identificar uma religião, seita ou heresia?

1 - Religiões: Antes de verificar como identificar cada religião é importante saber que existe: Religiões Monoteístas, que admitem a existência de um único Deus, como o Islamismo, Judaísmo e Cristianismo; Religiões Politeístas, que admitem a existência de mais de uma divindade suprema, como o Budismo, Mormonismo, Confucionismo, Zoroastrismo, Hinduísmo, Bramanismo, Taoísmo, Xintoísmo, e; Religiões Fetichistas, que consistem no culto às forças da natureza e na adoração de ídolos, como paganismo, correntes filosóficas, e etc. De um modo geral, é simples identificar uma religião, principalmente as monoteístas, pois toda grande religião precisa ter: a) Um Profeta, b) Um Deus ou deuses (se for politeísta) e, c) Um livro sagrado. Exemplos: Islamismo (Profeta: Maomé, Deus: Allah, Livro Sagrado: Alcorão); Judaísmo (Profeta: Moisés; Deus: Iavé; Livro Sagrado: A Bíblia – Antigo Testamento); Cristianismo (Profeta: Jesus Cristo, Deus: Deus criador dos céus e da terra, Livro Sagrado: A Bíblia – Antigo e Novo Testamento); e assim por diante.

2 - Seitas: De um modo geral, também não é difícil identificar uma seita. O termo sem conotação pejorativa, nada mais é do que, denominações ou facções dentro das grandes religiões. São todas aquelas cisões que ocorreram pôr distorções doutrinarias dentro de uma religião principal, formando um novo grupo unido em torno desse credo doutrinário. Daí a idéia de dissensão, divisão, cisão, facção, grupo ou partido (Atos 5.17; 15.5; 24.5,14; I Co 11.19 e Cl 5.20). Assim, dentro de Cada religião existem inúmeros grupos ou credos que os chamamos de seitas. Exemplos: dentro do Islamismo existe o grupo ou a seita dos Sumitas, Xiitas, Sufistas, Baha’ismo e outros; dentro do Judaísmo existe o grupo ou a seita dos Fariseus, Saduceus, Essênios, Zelotes e outros; dentro do Cristianismo existe o grupo ou a seita dos Católicos Romanos, Ortodoxos gregos, Anglicanos, Protestantes Tradicionais, Protestantes Pentecostais, Protestantes Neopentecostais, e outros. Atualmente o termo adquiriu um tom pejorativo e é usado no sentido de que todo e qualquer grupo ou credo que assim seja denominado, seja também automaticamente chamados de heréticos, o que não é totalmente verdade.

3 - Heresias: O termo deriva-se da palavra grega “hairesis” e significa: “escolha, seleção, preferência”. Na literatura clássica a palavra trazia um sentido de escolha filosófica ou política. Na teologia moderna, apesar de seu conceito estar relacionado aos ensinamentos que sustentam opiniões contrárias aos ensinos da Palavra de Deus. Ela também carrega consigo o sentido de escolha religiosa (daí o sentido da palavra se fundir, e às vezes se confundir, com a palavra “seita”). Por se tratar de conteúdo doutrinário, identificar uma heresia já não é tão simples como identificar uma religião ou seita, pois requer daqueles que farão tal análise maior habilidade conferida pelo Espírito Santo e discernimento para distinguir o real do aparente e a verdade da mentira.  Precisa do conhecimento das principais doutrinas ortodoxia cristã, tais como: a doutrina de Deus, do Senhor Jesus Cristo, do Espírito Santo, do homem, do pecado, da expiação, etc. Se toda heresia viesse em forma aberrações doutrinárias, seria fácil de identificá-las, porém a maioria delas surge de forma sutil, sorrateira e com aparências de que não são nocivas, e quando se percebe, muitas vezes, o estrago já foi feito.

1.1.   Surgimento das Seitas e Heresias

A historia registra que, desde os tempos mais remotos, os desvios doutrinários e os falsos ensinos existem: Cultos pagãos (Jr 13.10); sacrifício de seres humanos (2Rs 16.13 – na versão atualizada); sodomitas no templo (2Rs 23.7). A igreja primitiva enfrentou as mesmas dificuldades com grupos que disseminavam ensinos contrários aos princípios dos preceitos ministrados por Jesus. Daí, uma das principais necessidades das Cartas dos Apóstolos, pois foram escritas também para combater as heresias, que, nos primórdios da igreja, sofria com a existência dos falsos mestres e seus ensinos (Cl 2.18). Aliás, nos dias de Jesus, não foram diferentes. Os grandes opositores, em termos de doutrinas, foram os “doutores da lei”, que tentavam enquadrar Jesus em suas interpretações da lei Mosaica (Jo 5.18).

Atenção professores, para conhecer um pouco melhor a ação desses agentes do mal, precisamos conhecer melhor algumas cartas apostólicas escritas especificamente para combater falsos ensinamentos dentro da igreja, tais como Gálatas, 2 Pedro, 2 João e Judas. Desde a fundação da igreja, Satanás vem trabalhando e usando os seus agentes a fim de levar o povo de Deus aos desvios, levando-os a desacreditar na Sua divindade e em sua Palavra. Desde o início os falsos mestres e profetas vêm se disfarçando entre os filhos de Deus para disseminar suas heresias. A Bíblia classifica-os como agentes de satanás que se transfiguram em “ministros de justiça” (2 Co 11.13-15). Jesus disse que esses mestres do erro apresentam-se “vestidos de ovelhas”, mas interiormente são “lobos devoradores” (Mt 7.15). Como você pode perceber o inimigo sempre trabalhou para desviar os crentes da vontade de Deus, induzindo-os de uma forma ou de outra a práticas e crenças que desonram ao Criador. Estejamos atentos como os crente de Bereia (At 17.10,11), para quando um “movimento” ou “novos ensinos” apresentarem-se diante de nós com argumentos “aparentemente convincentes”, possam ser confrontados com a Bíblia, pois elas podem ser “doutrinas” que não estão de acordo com a Palavra de Deus (Cl 2.4-11). Por “doutrina” entendo-se como o conteúdo de um ensino ou crença. Ela pode ser divina (Mt 7.28; Jo 7.16; Tt 2.10); Humana (Cl 2.22; Tt 1.14) e Demoníaca (I Tm 4.1). A doutrina divina é Bíblica, sadia e ortodoxa. A humana e a de demônios são heréticas, que levam o homem à condenação e perdição.

1.1.   O histórico dos fundadores das Seitas

Geralmente, os fundadores das seitas têm um passado nada digno de ser seguido. Conforme o Apóstolo Pedro alerta: são movidos pela ganância e pelo fingimento, com o intento de fazer da fé um negocio (2Pe 2.3). Homens e mulheres insubmissos á liderança, com olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar, com a intenção de enganar as pessoas (2Pe 2.14; Mt 28.19,20; Gl 3.3).

Atualmente não somente é claro como evidente a existência desses falsos mestres e falsos profetas entre nós. Homens, que sem afeto e qualquer compromisso com a verdade, ignoram os preceitos divinos. O pior é que eles usam uma capa para esconder o seu verdadeiro caráter. Pedro em sua epístola ressalta que eles conduzirão muitas pessoas a cometerem erros e até blasfemarem do caminho da verdade (2Pe 1-22). Os fundadores de seitas possuem, geralmente, as mesmas características e modos de ação dos falsos mestres/profetas. Todos ou quase todos eles começam como falsos mestres e/ou falsos profetas trazendo “novas doutrinas” e “revelações” e logo se tornam líderes formando seus próprios movimentos ou seitas. Suas principais características são: valorizam a luxúria e a popularidade, são mentirosos (Mt 24.11), fraudulentos (2Co 11.13; 1 Tm 6.5), gananciosos (Jd 11; Tt 1.11), dissolutos (2 Pe 2.2), atrevidos, arrogantes, blasfemo (2 Pe 2.10), intrometidos (Gl 2.4), amantes de si mesmo (2 Tm 3.2-4), etc.         

1.2.   Os adeptos das Seitas

Os membros das seitas são, na sua grande maioria, pessoas que deixaram a fé genuína e muitos deles pertenciam a uma denominação evangélica. Pessoas que deixam a verdade e enveredam por caminhos contrários a Palavra de Deus, cometendo blasfêmias (2Pe 2.2). Preferem dar ouvidos aos ensinos de Balaão (2Pe 2.15) a ouvirem seus pastores. Pessoas que, via de regra, não freqüentam os cultos de ensino e muito menos a escola bíblica dominical.

Os adeptos e propagadores das seitas, geralmente, iniciam seus movimentos de duas maneiras: a) alguns até iniciam sua carreira com sinceridade e genuína fé em Cristo. Porém, depois, por causa de seu orgulho e desejos imorais, sua dedicação pessoal a Cristo vai desaparecendo lentamente tornando-se agentes de satanás, disfarçados de ministro da justiça (2 Co 11.15); b) outros nunca foram crentes verdadeiros. A serviço de satanás, eles estão na igreja desde o início de suas atividades (Mt 13.24-28; 36-43). Satanás tira partido da sua habilidade e influência e promove o seu sucesso. A estratégia do inimigo é colocá-los em posições de influência para minarem a autêntica obra de Cristo.

2.    CARACTERISTICAS DAS SEITAS E HERESIAS

Em geral, minimizam ou desvalorizam a pessoa de Cristo e deturpam ou rejeitam as principais doutrinas da Bíblia Sagrada.

Os elementos característicos de uma religião, seita ou heresia quase sempre são os mesmo. Elas se caracterizam, entre outras, por apresentar novas revelações, novas interpretações da Bíblia, um Jesus diferente da Bíblia, salvação alcançada pelas obras e não pregam uma vida santificada a Deus. O Cristianismo é a única religião no mundo que prega a salvação pela fé no Senhor Jesus Cristo, a todos os que se arrependem de seus pecados (Jl 3.32; Jo 1.12; 3.15-17; Atos 4.12; 10.43;; Rm 5.10; 8.1; 10.13; Gl 3.26; 2Co 5.17; Ef 1.7; 2.5-8;) e “Santidade ao Senhor” (1 Pe 1.15,16; Lv 11.44,45; 1 Ts 4.7; 1 Co 1.2; Rm 1.7; Ap 22.14). Diferentemente das outras religiões e seitas, no Cristianismo, realizamos as obras não para ser salvos, mas porque somos salvos (Ef 2.8-9). Por isso, uma das formas de identificar uma falsa religião, seita ou heresia é verificando o que elas ensinam sobre Jesus Cristo, sobre a salvação e sobre a santidade. Elas, geralmente, costumam negar o Senhor Jesus que nos resgatou (2 pe 2.1) convertendo a graça de Deus em dissolução (Jd 4). São contra qualquer sistema que tenha uma ética definida e clara que defenda valores morais absolutos e fixos. Costuma admitir em seu meio a cobiça carnal, a imoralidade, o adultério, a ganância, satisfação dos seus desejos egoístas e outras práticas imorais e impuras. Portanto, não pregam a santidade.

2.1.   alegam ter uma revelação especial

Os fundadores das seitas alegam terem recebido de Deus uma revelação especial, reivindicando para tais revelações uma posição igual ou superior a Bíblia. Estes escritos são seguidos e venerados em detrimento aos textos inspirados das Escrituras Sagradas. Pratica esta já conhecida pelo apostolo Paulo, que alerta: ”Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus” ou “outro evangelho”, é uma tática de Satanás para enganar “assim como a serpente enganou a Eva com sua astucia” (2 Co 11.3,4).

As religiões, seitas e heresias, como já vimos, se caracterizam também, por apresentar revelações especiais e trazendo novas interpretações da Bíblia. Por isso, é comum elas rejeitarem ou acrescentarem partes às Escrituras, alegando que novas revelações e interpretações foram apresentadas aos seus líderes. Portanto, colocam com naturalidade as “revelações especiais” de seus líderes como tendo a mesma autoridade da Bíblia ou até mesmo acima delas. A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática (2 Tm 3.16).  

2.2.   Interpretam os textos bíblicos desprezando as regras da hermenêutica

Ignorando ou violando os princípios da hermenêutica, os hereges alegam suposto apoio e nefastos erros das Escrituras para muitos. Os falsos mestres torcem os textos sagrados, e, por conta dessa prática, há tantas religiões e seitas falsas. Ignoram a correta interpretação das Escrituras, conforme as regras da Hermenêutica Bíblica (estudo metódico dos princípios e regras de interpretação das Sagradas Escrituras). Os enganosos mestres deixam de lado a regra fundamental da hermenêutica: a Bíblia interpreta a própria Bíblia.   

A Bíblia é a vontade de Deus comunicada aos homens. Para isso utilizou uma linguagem humana, utilizando variedades de circunstâncias, por um período de 1.500 anos. A Palavra de Deus foi expressa no vocabulário e nos padrões de pensamentos daquelas pessoas, e absolvida pela cultura daqueles tempos e pelas circunstâncias. Por estar distantes deles no tempo, na cultura e no próprio idioma, precisa-se aprender a interpretar a Bíblia, levando em consideração a intenção do autor ao comunicar a vontade de Deus através da inspiração da Bíblia Sagrada. Os escritores da Bíblia utilizaram quase todos os estilos de comunicação disponível: história em narrativas, as genealogias, as crônicas, leis, poesias, provérbios, oráculos proféticos, enigmas, dramas, esboços bibliográficos, parábolas, cartas e sermões; ou seja, a Bíblia contém uma riqueza infindável de estilos literários que precisam ser considerados no momento de interpretá-lo.

Nenhum dos ensinos das seitas e heresias resiste a uma minuciosa exegese bíblica. Comumente as seitas e heresias usam de falsas interpretações, desprezando os principios e regras determinados pela hermenêutica. Toda e qualquer exposição das Escrituras devem seguir os principios e regras universais estabelecidos pela hermenêutica. Portanto, é dever de cada estudante ou expositor das Escrituras desenvolver e aplicar o verdadeiro sentido da palavra ou texto, sem acrescentar e nem diminuir. Não somos livres para dar às palavras ou textos sagrados um sentido qualquer ou àquela que esteja de acordo com os nossos preconceitos (2 Pe 1.20,21). Só podemos determinar o sentido, de acordo com as leis de interpretação. A hermenêutica estabelece algumas regras e princípios que são assim divididos: principios gerais de exegese bíblia, principios gramaticais de exegese bíblica, principios históricos e culturais de exegese bíblica e principios teológicos de exegese bíblica. Nosso espaço não nos permite falar de todas as regras e princípios da hermenêutica, mas devido à sua importância mencionarei apenas três das muitas regras dos principios gerais de exegese bíblica, que são: “Estude a Bíblia partindo do pressuposto de que ela é a autoridade máxima em questão de religião, fé e doutrina”; “Não esqueça de que a Bíblia é a melhor interprete de si mesma, ou seja, a Bíblia interpreta a própria Bíblia”; “interprete a experiência pessoal (sonhos, revelações, etc.) à luz das Escrituras e não as Escrituras à luz da experiência pessoal”. Se nós estudássemos à Bíblia observando estes três princípios já era suficiente para rejeitarmos muitas seitas e heresias, pois a maioria delas não resiste a um confronto com a Bíblia.         

2.3.   Negam a Divindade de Jesus Cristo

A maioria das seitas nega a absoluta divindade de Cristo. As seitas muitas vezes ensinam que Jesus era apenas um grande homem, um mestre maravilhoso e um grande profeta. Porém, a Bíblia ensina e dá evidências provando que Jesus é Deus (1Jo 5.20). É importante entender que Jesus quando “achado na forma de homem” (Fp 2.8), não deixou de ser divino; era “Deus conosco” (Mt 1.23). A Bíblia apresenta Jesus como sendo cem por cento Deus e cem por cento homem (1Jo 1.14).

Outra característica das religiões, seitas e heresias é que elas distorcem as verdades fundamentais sobre Cristo e sua redenção. Eles costumam negar a divindade e/ou a obra expiatória de Jesus Cristo. Negam o sofrimento de Cristo na cruz para livrar a humanidade da culpa do pecado e do poder do pecado. O Jesus que eles apresentam é um Jesus que “amou” a todos sem distinção e que jamais “condenou” ninguém nem se pronunciou contra o pecado de ninguém. O inimigo sabe que Jesus é o único Redentor da humanidade, e que se Ele for desconhecido ou rejeitado as pessoas não se salvarão (Gl 1.6-8; 2 Co 11.4). A verdade, porém, é que Jesus cumpriu voluntariamente o propósito imutável de Deus, em resgatar a alma do homem perdido no pecado. Sofreu a paixão da morte para provar a morte por nós. Não foi sem razão que Jesus padeceu tamanha dor. Jesus Cristo destronou o diabo ao se entregar ao flagelo da cruz, pois a morte não pode retê-lo (At 2.24), visto que Nele não encontrou motivo algum, ou seja, ele se fez pecado por nós (2 Co 5.21). É uma grande insensatez rejeitarmos tão grande salvação efetuada por nosso Senhor Jesus Cristo. Quanto à divindade de Cristo a Bíblia não deixa dúvidas (Is 9.6; Mt 1.23; Rm 9.5; 10.9,13; Jo 5.23; Fp 2.10-11; 1 Jo 5.20; Hb 1.6-8). Tomemos muito cuidado com aqueles que tentam desvalorizar o sacrifício e a morte de Jesus Cristo em nosso lugar, que rejeitam a sua humanidade e/ou negam que Ele é igual a Deus (2 Jo 9). A Bíblia declara que qualquer que negar que Cristo veio em carne é enganador (2 Pe 2.1).

3.    combatendo as seitas e heresias

A melhor ferramenta para combater as seitas e heresias é o ensino sistemático e constante da genuína Palavra de Deus ministrada aos membros da igreja (2Tm 4.2). È fundamental capacitar os membros a responder com argumentos bíblicos qualquer tentativa de corromper a fé e as doutrinas das Sagradas Escrituras (1Pe 3.15). Jesus Cristo disse: “Errais, não sabendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).

O dicionário Aurélio define fábula: “história de ficção, de cunho popular ou artístico; mitologia, lenda, narração de coisas imaginárias ou ficção”. O Apóstolo Paulo utiliza do termo para descrever a prática dos falsos mestres que, por não conhecer ou por má fé, não ensinam a genuína Palavra de Deus. Criam para seu próprio proveito verdadeiras doutrinas de demônios, sem nenhuma fundamentação bíblica (1Tm 4.1). Um bom exemplo é a astrologia, uma das grandes fábulas de todos os tempos, que tem desafiado o bom senso e a credulidade humana, que oculta ao homem o seu verdadeiro centro: os deuses pagãos.

A forma mais simples e eficaz de se combater e discernir as falsas seitas e heresias, sem desprezar a revelação e ajuda do Espírito Santo, é através do conhecimento e da prática da doutrina bíblica ortodoxa (Hb 5.14; 1 Jo 4.1). Não é necessário ser erudito para permanecer salvo, mas é dever de todo cristão saber discernir a doutrina bíblica ortodoxa da doutrina herética. Qualquer um, portanto, com a ajuda do Espírito Santo e um pouco de conhecimento das Escrituras, tem condições de discernir a fonte e origem das seitas e heresias.   

3.1.   Tenha a Bíblia como única regra de doutrina

O Apóstolo Paulo em 2Co 11.4 refuta todo e qualquer ensino que apresenta outro salvador e outro evangelho. Nenhuma outra escritura, revelação ou experiências pessoais devem ser regras de doutrina e fé para o cristão. Pelo contrário, toda e qualquer experiência pessoal ou manifestação espiritual, deve ser balizada pela Palavra de Deus (At 17.10,11). A origem das heresias e fanatismo religioso, às vezes, até dentro de algumas igrejas ditas cristãs, surgem por falta de obediência deste princípio básico e fundamental: a Bíblia é a única e insubstituível Palavra de Deus (Lc 21.33).

As seitas distorcem as verdades acerca de Deus, de Jesus Cristo e de sua Palavra, a tal ponto, que resultam em outro evangelho. E a Bíblia nos diz que tudo aquilo que contrariar a Palavra de Deus seja considerado anátema. Mesmo que um anjo desça dos céus, e anuncie outro evangelho, que seja repreendido em nome de Jesus (2 Co 11.14; Gl 1.7-8). Embora, nos dias atuais, para muitas mentes materialistas, isto pareça vulgar, os padrões bíblicos precisam ser mantidos não só no nível de coletividade (igreja), mas também no nível de nossas escolhas pessoais: Cada decisão, cada atitude, cada tarefa e cada atividade do dia a dia devem ser tomadas à luz dos principios imutáveis da Palavra de Deus (2 Tm 17-17). A igreja ou o crente que diz ser a Bíblia a Palavra de Deus e não se sujeita a ela não tem autoridade para pregá-la.

3.2.   Conheça as regras fundamentais para interpretação correta da Bíblia Sagrada

É fundamental, para aqueles que querem refutar as heresias, conhecer as regras formais da Hermenêutica Bíblica: 1- Enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e comum; 2- É absolutamente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase (algumas palavras cuja definição varia de acordo com o conjunto da frase); 3- É necessário tomar as palavras no sentido que indica o contexto; 4- É preciso tomar em consideração o desígnio ou o objetivo do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões de difícil entendimento; 5- É indispensável consultar as passagens paralelas; 6- Um texto não pode significar aquilo que nunca poderia ter significado para seu autor ou seus leitores. 

O comentarista faz aqui alusão há alguns “princípios gramaticais” de exegese bíblica, que tratam do texto propriamente dito e estabelece as regras básicas para o entendimento das palavras e sentenças de uma passagem bíblica. É bom aqui salientar que a aplicação das referidas regras devem sempre basear-se num motivo correto. Quando uma palavra para a qual o contexto indica uma interpretação e você preferir dar outra interpretação é possível que você esteja dando esta interpretação simplesmente porque não quer obedecer ao que literalmente está escrito ou simplesmente porque ela não se enquadra em sua tendência teológica preconcebida, e esses são motivos errados. Cada escritor sacro tinha como propósito comunicar a sua mensagem como um todo. Portanto, ao desenrolar um argumento do escritor sacro, não podemos esquecer que há uma conexão lógica entre uma passagem e a seguinte (contexto). Isto é, há uma inter-relação entre as partes e o todo. Outra regra, diz; que “as palavras dos textos bíblicos devem ser interpretadas no sentido que tinha no tempo do autor”. Mas isso, observe o uso que dela fez o autor, sua relação com o contexto imediato, seu correto uso na passagem que foi escrito, etc.      

3.3.   As Heresias devem ser constantemente refutadas

Não há livro no Novo Testamento que não revele esse combate. Judas diz que pretendia escrever sobre a salvação comum, mas, em virtude das crescentes heresias, ele resolveu, pela direção do Espírito Santo, travar essa batalha contra elas (Jd 1.3,4). O conteúdo da segunda carta de Paulo aos Coríntios, Gálatas e II Pedro é uma luta contínua contra as heresias, para preservação da pureza do Evangelho de Jesus Cristo. O tema central de Colossenses é a defesa da Divindade de Cristo, posto que alguns introduziram o “culto dos anjos” (Cl 2.18). Portanto, é tarefa da igreja atual “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 1.3), para manter os cristãos na “doutrina dos apóstolos” (At 2.42).

Os hereges se dedicam ao máximo, em seus estudos, para depois ensinar a outros. Eles não medem esforços para aprender e para disseminar suas heresias. Vão diariamente de porta em porta, levando suas heresias, tentando e até com certo êxito, convencer pessoas a seguir sua seita. Infelizmente, alguns evangélicos não valorizam como deveriam os momentos dedicados ao ensino da Palavra de Deus. Há obreiros, coordenadores de departamentos e líderes de mocidade e de senhoras, que simplesmente não freqüentam a Escola Bíblica Dominical. Assim, não é de admirar que constantemente eles não tenham argumentos para refutar as heresias. Como ensinar, se primeiro não aprender? Como refutar uma falsa doutrina sem primeiro conhecê-la?

Os maiores inimigos da igreja não se acham entre os ateus e comunistas, que agem de fora para dentro. Nossos maiores inimigos estão infiltrados dentro da igreja e agem de dentro para fora. Portanto, não fiquem surpresos se falsos mestres e profetas estiverem hoje infiltrados em sua igreja, pois eles estão em toda parte, procurando desviar os cristãos incautos, da verdade. Cuidado! Pois embora a maioria deles sejam “líderes espirituais”, sua real preocupação é com as coisas materiais. Seu maior objetivo é perverter o verdadeiro evangelho. Porém, a verdadeira Igreja, a igreja do Senhor Jesus Cristo, é determinada pela base doutrinária que ela tem em relação à Palavra de Deus, ou seja, são aquelas em que as suas doutrinas estão de acordo com os oráculos de Deus e segundo a piedade.  (1Pe 4.11; 1 Tm 6.3-10).

CONCLUSÃO

Jesus alertou que, nos últimos dias, surgiriam “falsos cristos” e “falsos profetas” (Mt 24.24). Por isso, o cristão deve ter convicção de que a Bíblia Sagrada é a infalível regra de conduta e fé, agindo como ouvintes de Paulo na cidade de Bereia, que, durante seu discurso, conferiam as Escrituras (At 17.10,11).

Como podemos observar nesta lição, muitas são razões para o surgimento de religiões, seitas e heresias, tais como: a) a ação diabólica no mundo (2Co 4.4); b) a  ação diabólica contra a Igreja (Mt 13.25); c) a ação diabólica contra a Palavra de Deus(Mt 3.19); d) o descuido da Igreja em pregar o Evangelho completo (Mt 13.25); e) a  falsa hermenêutica(2Pe 3.16); f) a falta de conhecimento da verdade bíblica(1Tm 2.4); e g) a  falta de maturidade espiritual entre os cristãos (Ef 4.14). Cresçamos, pois na “Graça e no Conhecimento” de nosso Senhor Jesus Cristo.

Referências bibliográficas

Revista: Jovens e Adultos. Religiões, Seitas e Heresias - Como identificar e refutar os falsos profetas e seus ensinos – Editora Betel. 1º Trimestre de 2014. Lição 01.

CABRAL, J. – Religiões, Seitas e Heresias à luz da Bíblia – 6ª edição. Editora Universal Produções. Rio de Janeiro, 1986.

A BÍBLIA EXPLICADA. McNAIR S.E. – 4ª Edição – Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro. 1983.

Revista: Jovens e Adultos. Seitas e Heresias – o engano das falsas religiões – Editora Betel. 1º Trimestre de 2000.

Revista: Jovens e Adultos. Epístola de Pedro – Avançando e propagando o triunfal arrebamento da igreja – Editora Betel. 4º Trimestre de 2007.

LIÇÕES BÍBLICAS: JOVENS E ADULTOS. Seitas e Heresias – Se alguém vos anunciar outro evangelho seja anátema – Editora CPAD – 2º Trimestre de 1997.

Pr. Osmar Emídio de Sousa

(Osmar Emídio é Servidor Público Federal; pastor pela Assembleia de Deus, Ministério de Madureira e Superintendente da EBD. É formado em Direito e também bacharel em Missiologia e em Teologia Pastoral, pela FATAD - Faculdade de Teologia das Assembleias de Deus de Brasília).