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Revista Betel - Comentários Adicionais

3º Trimestre de 2016

M   A   T   E   U   S 
"Uma visão panorâmica do Evangelho do Rei". 

Os tesouros do Reino de Deus - Comentários Adicionais

os tesouros do reino de deus
(Lição 08 - 21 de Agosto de 2016)
                   
Texto Áureo
“Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus.” (Lc 12.21).

Verdade Aplicada
Há dois tipos de tesouros que podem ser buscados e cultivados pelos homens: os materiais e os espirituais.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
*  CONCEITUAR qual é o verdadeiro tesouro do cristão;
 MOSTRAR que a ansiedade se opõe à riqueza da fé;
*   APONTAR o lugar correto de guardar o verdadeiro tesouro.
           
Textos de Referência
Mt 6.19 – Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mt 6.20 – Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Mt 6.21 – Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Mt 6.24 – Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

INTRODUÇÃO
Nesta lição vamos abordar sobre os tesouros que podem ser ganhos, tanto materiais como espirituais, o primeiro é considerado passageiro, portanto não podemos nos apegar e considerar em primeiro lugar em nossa vida, Já os tesouros espirituais sem dúvida alguma, são definitivos e mais importantes.  Porque o Reino do céu é mais valioso do que qualquer outra coisa que possamos ter, assim devemos estar disposto a desistir de tudo aquilo que possa atrapalhar a busca da riqueza espiritual.

1. OS TESOUROS PARA COM DEUS
O próprio Senhor Jesus não diz que é proibido possuir bens materiais, Ele não considera a maldição do dinheiro como residindo na quantidade da riqueza acumulada. Existem pessoas que possuem muito e mesmo assim estão livres para servir a Deus e à causa dele a qualquer hora e com generosidade. Por outro lado, alguém pode possuir pouco e, não obstante, estar preso a Mamom. Na verdade, penso que a verdadeira maldição dos bens materiais está no perigo de que o coração seja escravizado pelo amor ao dinheiro, de modo que a alma da pessoa seja sufocada pela poeira do dinheiro e do mundo. Salomão observou que aqueles que gastam sua vida procurando de forma obsessiva ganhar dinheiro nunca encontram a felicidade que vislumbram nele. O dinheiro em si, não é ruim e nem bom, mas amar ao dinheiro leva a pessoa a toda sorte de pecado. Não podemos depender do dinheiro para ser feliz, devemos sim, usar o que temos para a glória do Senhor. “Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará da renda; também isto é vaidade” (Eclesiastes 5.10).

1.1. O lugar de se ajuntar tesouros
As Escrituras Sagrada afirma que Deus deve estar em primeiro lugar também em nossas finanças (Mt 6.19-34). Portanto, devemos evitar a avareza e a busca desesperada pelos recursos deste mundo (1 Tm 6.6-11). É certo que as riquezas que adquirimos nesta vida são perecíveis e passageiras, mas as que ajuntamos no céu são infindáveis (Mt 6.19-20; Lc 12.16-21). Foi pensando assim que Jesus nos alertou: “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.21). Os bens materiais e a prosperidade são dádivas divinas (Ec 5.19 cf. 3.13; 1 Tm 6.17). O que a Palavra de Deus condena é o materialismo avaro que cativa suas vítimas a este mundo, fazendo-as desprezar o Reino de Deus (Mt 13.21,22; 2 Tm 4.10).

1.2. Qual tesouro devemos olhar?
O poder de fascínio dos bens é tamanho que o ser humano erra o verdadeiro alvo de sua vida. É isso que o Senhor vai esclarecer agora com a parábola da candeia do corpo que são os olhos: bons e maus. É no olho da pessoa que revela como ela se relaciona com a sua riqueza. No olhar se evidencia se ela dá com disposição ou se é avarenta. O olho pode, portanto, revelar a bênção ou a desgraça que a generosidade ou, respectivamente, a ganância trazem ao ser humano. Há ainda outro modo pelo qual a comparação do olho pode ilustrar algo. O olho é “simples” assim, também pode ser compreendido como “bom e saudável”. A visão espiritual é a nossa capacidade de ver claramente o que Deus quer que vejamos, enxergando o mundo sob o ponto de vista D’ele. Mas este discernimento espiritual pode ser facilmente obscurecido. O desejo de servir a propósitos, interesses e objetivos pessoais ofuscam essa visão. Servir a Deus é o melhor caminho para restaurá-la. Um olhar puro é aquele que está fixado em Deus.

1.3. O modo correto de servir a Deus
Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podemos servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo (Mt 6.24). Assim, podemos ter apenas um mestre ou senhor. A sociedade que vivemos é materialista, onde muitas pessoas servem ao dinheiro. Passa toda a vida acumulando riqueza, embora sabendo que, ao morrer, não poderão levar consigo. O desejo de certas pessoas pelo dinheiro e por aquilo que este pode comprar é muito superior a seu comprometimento com Deus e com os assuntos espirituais. Gastam muito tempo e energia, pensando no que tem armazenado (dinheiro e outros bens). Satanás faz de tudo para fisgar o homem nesta armadilha materialista, "porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males" (1 Tm 6.10). Somente Deus pode ser o nosso senhor e não os bens materiais. Jesus contrastou os valores celestiais com os terrenos quando explicou que a nossa vida deve ser direcionada para coisas que não desaparecerão, que não podem ser roubadas ou consumidas e que nunca se desgastam. Não devemos ficar fascinados por nossos bens, a fim de que eles não nos possuam. Isto significa que podemos ter de fazer alguns cortes se os nossos bens se tornarem excessivamente importantes para nós. Para agradar ao Senhor devemos continuar trabalhando normalmente sem nenhuma ansiedade e satisfeitos com o que temos; para tanto, devemos escolher o que é eterno e duradouro.

2. O TESOURO DA FÉ VERSUS ANSIEDADE
De acordo com o dicionário Aurélio a palavra ansiedade é entendida como comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não, ou sofrimento de quem espera o que é certo vir e impaciência. A psicologia vai definir a ansiedade como um estado emocional doloroso, marcado por inquietude, medo e acompanhado por certo grau de perturbação do sistema nervoso. O autor da revista sabiamente diz que a ansiedade é um oponente da fé em Deus, pois a pessoa ansiosa vive com muitas preocupações; demonstrando que não confia na providência de Deus. Por causa das preocupações, Jesus recomendou que não devemos ficar ansiosos por causa das necessidades. “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6. 31-34).

2.1. A proibição da ansiedade
Todos nós acreditamos que há muitas justificativas para ficarmos ansiosos, mas Deus não admite sequer uma única razão para a nossa ansiedade. Toda ansiedade é sem motivo, por isso Deus nos instrui: "Não andeis ansiosos de coisa alguma." Podemos argumentar que nossa subsistência, nossos problemas familiares e nossas dificuldades pessoais são preocupações legítimas que geram ansiedade; mas a Bíblia diz: "Não andeis ansiosos de coisa alguma." Portanto, nenhuma ansiedade é legítima;nem uma sequer é permitida por Deus. Ele proíbe toda ansiedade. Muitos acham que devem preocupar-se com isto ou aquilo. Porém devemos crer que Deus é suficientemente poderoso para fazê-lo prosperar em todas as coisas (Ef 3.20,21; 2 Co 9.8-11).

2.2. A cura da ansiedade
Devemos confiar na provisão divina (Mt 6.30-34). Deus não apenas conhece nossas necessidades primárias (Mt 6.11,25), mas nos socorre nas angústias e tribulações (Sl 107.28-30; 2 Co 1.3,4). Ele é poderoso "para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" (Ef 3.20 - ARA). Creia que o Senhor "é galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6), e "não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis" (Hb 6.10). O Senhor jamais se esquece dos seus filhos (Is 49.15; Hb 13.5). Seus olhos e ouvidos não estão cerrados à nossa oração (Is 59.1; 65.24). Para ficar curado de toda ansiedade de uma forma prática devemos tornar conhecidas diante de Deus as nossas necessidades. "Em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça". Resumindo, devemos pedir a Deus que nos dê sua paz (Jo 16.33; Fp 4.6,7; 1 Pe 5.7) e nos conceda sabedoria para fazermos o que é certo ao resolvermos os problemas que nos afligem (Tg 1.5,6).

2.3. O que priorizar nesta vida
Nossa maior prioridade deve ser a presença de Deus e a busca de seu Reino (Sl 42.1; 130.6; Mt 6.33). Não se preocupe com as demais coisas! Descanse no Senhor! Coloque um fim a toda ansiedade que procura tirar sua paz e prejudicar sua comunhão com Deus (Sl 37.7). Permaneça em Cristo pela fé (Sl 55.22; 1 Pe 5.7) e aceite o amoroso convite de Jesus (Mt 11.28-30). Até mesmo entre os crentes em Jesus, há os que se deixam dominar pela ânsia, agitação e medo, anulando a fé em suas vidas. O Senhor Jesus, em seus ensinos, revelou-nos o caminho para vencermos a ansiedade, demonstrando que o Deus que cuida das aves e dos lírios do campo, é o mesmo que cuida de nós com seu imenso amor. Para tanto, basta tão somente confiarmos n’Ele e buscarmos seu reino e justiça em primeiro lugar.

3. ATITUDES DE VALOR NO REINO DE DEUS
Depois que Jesus advertiu contra o erro de fazer das coisas materiais o objeto da nossa confiança ou afeição (Mt 6.19-24) e de nos ensinar que a ansiedade pelas coisas materiais, além de inútil é demonstração de falta de fé (Mt 6.25-34), Jesus, agora, introduz o padrão correto quanto ao trato pessoal, com ênfase na individualidade de cada um (Mt 7.1-6). Ele nos ensina a evitar os julgamentos temerários e/ou precipitados (Mt 7.1-5); a fazermos distinção entre o que é santo e o que não é, e com quem compartilhá-la (Mt 7.6); e, por fim nos induz a viver uma vida de insistente oração (Mt 7.7-12). Ele ensina a nos comportarmos diante dos homens e de Deus como verdadeiros cidadãos do Reino de Deus.

3.1. Não julgar
Fazer julgamentos ou juízo crítico dos fatos e evidências é uma função da mente humana e extremamente necessária para exercermos o poder de escolha entre o bem e o mal (Mt 7.15-23). Todavia, fazer julgamentos morais e expressá-los deve está sujeitos ao nosso controle. O julgar com este sentido pertence a Deus e não a nós (Rm 14.4; 1 Co 4.4-5), pois só Ele tem a capacidade de conhecer o coração do homem (Sl 139.23-24). Somos falíveis, limitados, preconceituosos e sobrecarregados de disposição para o pecado (Rm 2.1; Rm 3.23). Portanto, não possuímos integridade moral suficiente e nem conhecemos a verdade total dos fatos para exercer juízo moral e pessoal sobre os outros. É por esta razão que a primeira advertência de Jesus quanto ao julgar, reside no fato de que quando assumimos o papel de juiz e julgamos os outros, estamos trazendo sobre nós mesmos o juízo de Deus e passaremos a ser julgados pelo próprio ato de julgar (Mt 7.1-2). Há cristãos que se preocupam tanto com os outros que acabam esquecendo que Deus um dia irá chamá-lo para uma prestação de contas, e o que ele terá para apresentar a Deus? A vida do seu próximo? A outra advertência de Jesus, se motiva pelo fato de que, geralmente, condena-se no outro o que toleramos em nós mesmo. Não devemos condenar as falhas dos outros e defender os nossos próprios erros. Esta hipocrisia é estabelecida na analogia que Jesus faz do “cisco” e da “trave”. Ele deliberadamente mostrou o retrato de um homem tentando tirar uma pequena partícula de poeira do olho do outro quando ele mesmo tem uma viga de madeira no próprio olho (Mt 7.3-5). Jesus não está necessariamente dizendo que não podemos ajudar o nosso irmão a remover o cisco do seu olho, mas que só podemos fazer isto depois que a trave que está no nosso olho seja primeiramente removida (Mt 7.5). O que significa dizer que se a pessoa é sincera e o faz por amor, não vai encontrar dificuldade de submeter-se primeiro a juízo, reparando o seu erro. O lamentável, aqui, é que nós não somos ensinados a pensar que a primeira coisa a fazer é tratar de nossos próprios erros. Por isto, o mais comum é concentramos nos defeitos dos outros, antes de tratar das nossas próprias fraquezas.

3.2. Não dar aos cães as coisas santas
Na cultura judaica cães e porcos eram animais considerados repulsivos e imundos, e, portanto desprezados. Aqui, Jesus não está necessariamente fazendo alusão aos “homens naturais” que não conhecem a Palavra, mas a qualquer pessoa que seja incapaz de distinguir entre o que é santo e o que não é, bem como diferenciar o valor de uma pérola a de um objeto sem valor. Ele não está arbitrariamente desprezando ou excluindo alguém de ouvir a Palavra de Deus, mas apenas reconhecendo que há situações e pessoas que infelizmente não estão com disposição para ouvir e receber as Boas Novas do Evangelho, e que, portanto, não devemos ficar insistindo (Rm 8.7; 1 Co 2.14). A recomendação de Jesus é que não podemos forçar o Evangelho a pessoas desinteressadas e indiferentes. No envio dos doze à missão, Jesus, dá um conselho parecido aos discípulos e os recomendam também a não perderem tempo com aqueles que não querem ouvir (Mt 10.11-14). Há situações que o melhor é ficar em silêncio (Mt 26.63) e esperar um momento mais oportuno para um compartilhamento futuro.

3.3. Perseverar
Jesus sabia muito bem o que significava perseverar e qual a importância da oração para a vida de seus seguidores e por isso estimulava a insistência na oração (Mt 7. 7-11; Lc 11.5-13; 18.1-8). No entanto, a percepção de Jesus quanto ao assunto é mais do que uma simples estratégia para se alcançar alguma bênção da parte do Senhor. É uma predisposição para Deus, para sua instrução, orientação ou dádivas. É uma atitude de como viver na dependência de Deus. A recomendação de perseverar não existe porque Deus é relutante em dar, mas porque precisamos ser condicionados a depender de Deus. Este é o caminho para que a ética apregoada em seu discurso não se torne letra morta em nossa vida, mas uma possibilidade real de sabermos que Deus sempre fará o melhor quando dependemos Dele. Assim, desenvolver a vida de perseverança é abrir caminhos para uma atuação maior de Deus em nossas vidas (Fp 4.6). Para demonstrar isto, o Senhor ilustra a nossa relação com o altíssimo, usando a figura do relacionamento paterno com os filhos. Se até os homens maus dão boas dádivas aos seus filhos (Mt 7.11), certamente podemos confiar que nosso Pai Celestial, dará boas coisas aos que lhe pedirem. Nenhum pai, em sã consciência, é capaz de oferecer-lhes coisas inúteis e nocivas em lugar de pão (Mt 7.9-11). O paralelo com o Evangelho de Lucas diz que Deus dá o Espírito Santo (Lc 11.13). Reconhecer, pois, essa paternidade e todas as suas implicâncias é então o sentido principal da perseverança ensinada por Jesus e uma das formas que temos ao nosso dispor de reconciliar a nossa responsabilidade pessoal com a soberania de Deus (Mt 6.9).

CONCLUSÃO
A vida do homem é muito mais valiosa do que os bens materiais, e o corpo tem muito mais valor do que os alimentos e a roupa. Se Deus cuida da natureza animal e vegetal, não cuidará de nós, a coroa da criação, muito mais agora que fomos adotados como seus filhos? Quando descobrirmos o real valor da pessoa humana para Deus, evitaremos julgamentos maldosos e injustos e abriremos os corações para amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Edição Revista e Corrigida, tradução de João Ferreira de Almeida, CPAD, 2008.

Bíblia de Estudo MacArthur. Edição Revista e Atualizada, tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri, SP: SBB, 2013.

Revista do professor: Jovens e Adultos. Mateus – Uma visão panorâmica do Evangelho do Rei. Rio de Janeiro: Editora Betel – 3º Trimestre de 2016. Ano 26 n° 100. Lição 8 – Os tesouros do Reino de Deus.

RIENECKER, Fritz. Comentário Esperança. Evangelho de Mateus. Curitiba-PR: Editora Evangélica Esperança, 1998.

Nee, Watchman. Ansiedade. Editora Árvore da Vida, 2003.

COMENTÁRIO BÍBLICO BROADMAN. Novo Testamento. Editor Geral Clifton J. Allen. Tradução de Adiel Almeida de Oliveira. 3ª edição. Editora JUERP. Rio de Janeiro. 1986. Volume 8.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS
Pb. Ancelmo Barros de Carvalho. Servo do Senhor Jesus.


Jesus incentiva a prática da vida devocional - Comentários Adicionais

jesus incentiva a prática da vida devocional
(Lição 07 - 14 de Agosto de 2016)

Texto Áureo
“E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Hb 12.11).

Verdade Aplicada
A prática dos exercícios espirituais tem uma recompensa, desde que não sejam para sermos vistos pelos homens.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
·         ENSINAR a necessidade da prática dos exercícios espirituais de modo discreto;
·         APRESENTAR que não devemos ser como os pagãos na oração;
·         MOSTRAR que a prática dos exercícios espirituais tem recompensa.

Textos de Referência
Mt 6.2 – Quando, pois, deres esmolas, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
Mt 6.5 – E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
Mt 6.6 – Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a porta, ora a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.

INTRODUÇÃO
De um modo geral a verdadeira sabedoria é aquela, a qual, os que a possuem não se preocupam em propagar-se sobre nada ao seu respeito, pois esta produzirá no seu portador segurança, confiança e discrição, em contradição aos que não a possuem que precisam de auto-afirmação e por isso sentem a necessidade de serem vistos e reconhecidos através do que fazem, julgando ser bom. Por serem as boas atitudes e as boas obras coisas que se originam em DEUS, logo quem assim procede reivindica para si o titulo de amigo ou filho de DEUS e quer que todos o louvem por isso. O ato de fazê-las em público com o fim de serem vistos, é hipocrisia, prática, esta, veementemente condenada por JESUS CRISTO, conforme se ver no texto em apreço e nos seus contextos registrados ao longo da escritura sagrada. No livro de provérbios, capítulo 20 e versículo 6, está escrito assim: “Muitos proclamam sua própria benignidade, mas o homem fidedigno quem o achará?”.

1. A RESPEITO DO DAR ESMOLAS
O ato de dar, doar, dar-se ou doar-se, é prática antiga, pois se trata de algo inerente á natureza em sentido geral. DEUS dá a vida a tudo e a todos bem como sua provisão e redenção, pois para redimi-la no final da história amou o mundo de tal maneira que se deu a este, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna, a doação mais espetacular da parte de DEUS ao mundo. A natureza, ou a criação, doa-se diariamente àqueles que dela precisa tirar seu sustento: Os animais prestam assistência, carinho e companheirismo uns aos outros, os homens desde a antiguidade trocavam presentes entre si como forma de favor e agradecimento.  Abraão, Jó e outros patriarcas foram grandes doadores.  A palavra esmola vem do termo grego “eleemosyne” significando compaixão, piedade, o que se dá aos necessitados por caridade ou filantropia. Embora não exista o termo esmola no antigo testamento, esta é uma prática recorrente desde os primórdios e que passou a constar no regulamento do direito positivado quando da aparição das primeiras constituições do mundo, entre elas a torah dos judeus, ou seja, a escritura sagrada. O verdadeiro significado da esmola é socorro, amparo. Alem de instintivamente, o homem passou a exercê-lo por mandamento ou força da lei divina conforme se ver no livro de Levítico capítulo 19 versículo 10 referindo-se às sobras das colheitas nas searas dos judeus, também chamados de rabisco ou rebusco: “Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha: deixá-los-á ao pobre e ao estrangeiro: EU sou o SENHOR vosso DEUS”. E no capítulo 23 versículo 22 do mesmo livro, diz: “Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega: para o pobre e para o estrangeiro as deixareis: EU sou o SENHOR vosso DEUS”.
A prática desse divino e maravilhoso ato de dar ou doar faz parte da obediência a outra lei reguladora do direito, chamada de lei da semeadura, a qual consiste de que quem doa planta boa semente e como tal trará os frutos da recompensa. Na carta aos gálatas capítulo 6 versículo 7 está escrito: “Não vos enganeis: de DEUS não se zomba: pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Em provérbios capítulo 19, versículo 17 está escrito: “Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício”. No capítulo 28, versículo 27 do mesmo livro, diz: “O que da ao pobre não terá falta, mas o que dele esconde os seus olhos será cumulado de maldições”.
O mestre dos mestres de vida cristã JESUS CRISTO, ao dar importância a esta devoção, incluiu no seu discurso pedagógico e discipulador, os critérios que a tornará válida diante de DEUS, sem os quais não terá nenhum valor, partindo do princípio de que quem a pratica o faz para ELE.
Dar esmolas é uma devoção praticada na horizontal: Isto é, favores prestados entre homens, uns para com outros, se fosse feito de acordo com os princípios divinos poderíamos chamar de exercício da fraternidade. Mas o que vemos é uma repreensão por parte de JESUS CRISTO pelo fato de as autoridades em Jerusalém encarregadas de ensinar a justiça, através desta pratica estavam desvirtuando a essência religiosa, à medida que faziam isso por puro egoísmo ostentando apenas aparência de bons, quando na verdade era uma grande hipocrisia. Em meio de uma sociedade simples e pobre onde o pedir se torna quase que uma cultura, os espertalhões religiosos sempre se dão bem usando o nome de Deus, e nesse caso os fariseus, principal divisão do judaísmo, auferiam para si grandes dividendos políticos e fama, concedidos pelos beneficiários de suas esmolas e pelos de classe média ou baixa que gostariam de fazer o mesmo, porem suas condições financeiras, não lhes permitiam. A isso Jesus considerou como que os tais religiosos já tenham recebido vossos galardões, os quais concedidos pelos homens: Efêmero, terreno e sem nenhum valor perante os Céus. Tais atitudes infelizmente prevalecem até hoje em nosso mundo evangélico.  JESUS se posicionou contundentemente contra tais procedimentos ensinando-nos que ao se dar esmolas deve-se fazer isso com a mão direita de modo que a esquerda não veja, ou seja, não se deve dar com uma mão e cobrar retorno com a outra, pois na vida do verdadeiro beneficente só existe mão de ida e não contra mão que faz voltar, assim não seremos como os hipócritas. O termo hipócrita, no grego clássico significa ator, e o mesmo vocábulo aramaico significa profano.
A respeito da verdadeira sabedoria que conduz o homem a uma postura isenta e discreta, sobre a qual nos referimos na nossa introdução, selecionamos a seguir alguns exemplos na pessoa de nosso SENHOR e salvador JESUS CRISTO:

1 – Evangelho de João capítulo 5 versículo 31, “Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro”. O doutor Scofield parafraseou este versículo da seguinte forma: “Se eu dou testemunho de mim mesmo, vocês diriam que meu testemunho não é válido”. Comparando este versículo com o 14 do capítulo 8 do mesmo evangelho, nos reportamos à lei onde diz que diante de um tribunal não tem validade nenhuma o testemunho de um homem em seu próprio favor, sendo necessário e exigido como válido pela mesma lei  o testemunho de pelo menos duas pessoas. Com base no principio de aprendizado bíblico em que os registros sagrados em sua grande maioria têm duas interpretações, sendo uma histórica (imediata) e a outra espiritual (mediata ou posterior), faço a minha paráfrase para tirar meu exemplo de vida: Eu não preciso dar testemunho de mim mesmo, pois quem fica dando testemunho de si mesmo é jactancioso, gabola fanfarrão, dependente, inseguro, incauto, etc, além disso, eu tenho quem dê testemunho sobre mim: as minhas obras, versículo 36 e Deus meu pai, versículo 37.
2 – Evangelho de Lucas capítulo 14 versículos 8 a 11: “Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu, vindo àquele que te convidou e também a ele te diga: Da o lugar a este. Então, irás envergonhado, ocupar o último lugar. Pelo contrário, quando  fores convidado, vai tomar o último lugar: para que quando vier o que te convidou, te diga: Amigo senta-te mais para cima. Ser-te-á isso uma honra diante de todos os mais convivas. Pois todo que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado”. JESUS E TODOS QUE LHE PERTENCEM, NÃO SE VANGLORIAM, NÃO SE EXALTAM E NEM SE AUTOPROMOVEM.

2. A RESPEITO DA ORAÇÃO
JESUS CRISTO ensinou muito sobre a oração, tanto na teoria quanto na prática, e isso nos leva inevitavelmente a uma pergunta: Se Jesus é DEUS por que necessitava de orar? E se o espírito santo por ordem e concessão de JESUS veio morar no crente fiel, o que significa DEUS O SENHOR morar neste, por que este também precisa orar?
Vejamos os seguintes raciocínios bíblicos: 1 – Tudo que DEUS criou, o fez pela sua palavra e atos da sua vontade, assim sendo tudo que foi criado tem parte dele em si mesmo, veja evangelho de João capítulo 1 versículos 1 a 3 que diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS. Ele estava no principio com DEUS. Todas as coisa foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Colossenses capítulo 1 versículo 16 que diz: “Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas,  Nele tudo subsiste”. Como vemos, foi a sua palavra transformada em obras, as quais se chamou criação. Mas esta criação não é DEUS, pois a criação é separada do criador, podendo se perder, separando-se definitivamente dele. Esta criação está dividida em três reinos: 1- O reino mineral que não tem vida em si mesmo, pois é fruto de transformações pós criação e pertencem a uma terceira dimensão, portanto não tem necessidades. 2- O reino vegetal tem vida em si mesmo, mas não é dotado de raciocínio nem instintos, portanto não tem sentimentos, nem necessidades e pertencem a uma segunda dimensão. 3- O reino animal tem vida em si mesmo, tem instinto e sofrem necessidades, as quais procuram suprir instintivamente, neste destaca-se o homem que tem vida em si mesmo, tem livre arbítrio, sentimentos, razão e poder de escolha, é este imagem e semelhança de DEUS, sua necessidade maior é de está com seu criador, tem sede dele e por isso o busca. A partir desse raciocínio encontramos o fundamento da doutrina sobre oração. JESUS CRISTO orou na qualidade de participante da natureza deste ser criado, o homem, ao qual ele ensinou como se deve orar.
Como já afirmamos antes, tudo que se faz no âmbito religioso com a intenção de que seja em nome de DEUS ou para ELE, deve-se fazer desnudo de qualquer intenção em aparecer ou se autopromover. A intenção de JESUS ao criticar os fariseus e ensinar sobre como orar, é livrar o verdadeiro cristão das influências farisaicas e hipócritas que insistem em prevalecer entre os religiosos em todo o mundo e em todos os tempos.  O relacionamento do homem com DEUS deve ser sempre pessoal, particular secreto e livre de pretensões meramente egoístas.
O nosso Senhor apresentou uma estrutura razoável para a oração junto ao pai, que consiste de:
1 – Reconhecimento do senhorio e grandeza de DEUS, (pai nosso que estás no Céu);
2 – Louvá-lo e engrandecê-lo, (santificado seja o teu nome);
3 – Nos submeter à sua soberania e vontade, (venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade);
4 – Atribuir a ele as bênçãos da provisão da vida, (o pão nosso de cada dia, dá-nos hoje);
5 – Para evitar a presença do egoísmo na oração JESUS condicionou a concessão do perdão pedido, à atitude cristã de perdoar primeiro, pois em outros textos bíblicos, também, a nossa aceitação por parte do pai está condicionada ao nosso bom relacionamento com nossos semelhantes. (irmãos). Ex: Salmo 133 versículos 1 e 2: “Óh! Como é bom e agradável, viverem unidos, os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para gola de suas vestes”. Primeira carta de João capítulo 4 versículo 20: “Se alguém disser: Amo a DEUS, e odiar seu irmão, é mentiroso: Pois aquele que não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a DEUS, a quem não vê”.
Acima de tudo alerta que isso só tem validade se for feito em discrição absoluta, fechada a porta atrás de si, ou seja, tu as sós com o teu DEUS que te ver em secreto e em secreto te recompensará. A expressão, fechar a porta atrás de si significa tudo que puder nos isolar da publicidade do ato. A ostentação religiosa é indubitavelmente vergonhosa e nociva aos que assim fazem. Com muita razão e justiça JESUS a condenou entre os homens. A oração pode ser feita em qualquer lugar e em qualquer posição desde que seja justa necessária a sua realização, seja assistida pela vontade de DEUS e parta de um coração compungido, um espírito contrito e sincero. Mas a oração feita de joelhos em particularidade tem seus destaques: De joelhos em genoflexidade o homem: Reconhece sua fragilidade e dependência, expressa sua humildade, reconhece a soberania de DEUS e o exalta sobre si. È um soldado rendido aos pés do seu senhor. JESUS orou assim. No evangelho de Lucas capítulo 22 versículo 41 está escrito: “Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos orava”. Na primeira carta de Pedro capítulo 5 Versículo 6 está escrito: “Humilhai-vos, portanto sob a poderosa mão de DEUS para que ele, em tempo oportuno vos exalte”.
JESUS, o enviado do Céu primeiramente aos judeus, travou uma batalha contra a reinante hipocrisia entranhada no coração do seu povo. A nação de Israel foi criada para que através dela, se tornasse conhecido o nome de DEUS na terra, recebeu dele tudo que lhe era necessário para o desempenho de tal missão, mas desviou-se da verdade e embora arrogassem para si o título de nação mais fervorosa e religiosa da terra, não conseguiram nada mais alem de se tornarem o povo mais hipócrita do mundo. Sobre isso, disse um renomado rabino do século II D.c, em um ácido comentário, assim: Existem dez porções de hipócritas no mundo e nove delas estão em Jerusalém.

3. A RESPEITO DO PERDÃO E DO JEJUM
Significados da palavra jejum:
1 – Abstinência ou abstenção total ou parcial de alimentação em determinados dias, por penitência, orientação religiosa ou ainda por prescrição médica;
2 – Estado de quem não come desde o dia anterior;
3 – Privação ou abstenção de alguma coisa;
4 – Desconhecimento de determinado assunto.
Falta-nos tempo e espaço para falar o que devíamos sobre jejum, mas certamente o que aqui expomos é o que julgamos ser de mais importante para o nosso crescimento cristão, submetendo nosso raciocínio, sobre tudo ao texto em apreço e ao comentário do autor da revista dominical.

DOS TIPOS DE JEJUNS:
Obviamente nosso comentário sobre este assunto não considera como jejum alguns procedimentos, tais como: Greve de fome, dieta para fins estéticos, abstinência de alimento por um período para fins de exame etc.
1 – Individual. O crente particularmente com o propósito de santificar-se e consagrar-se a DEUS, ou o Chefe de família em intercessão por si e pelos familiares que dependem do seu sacerdócio;
2 – Congregacional ou coletivo. A igreja local em propósito conjunto por uma causa de interesse comum ao grupo de membros;
3 – Nacional. Quando Israel por ocasião das festas nacionais ou em ocasiões de grandes apertos, no período da teocracia. O caso excepcional de Nínive para fugir do juízo apregoado por Jonas.
Obs: com exceção do jejum nacional e os regulamentados na lei, todos devem ter seu tempo de duração e formalidades previamente estabelecidas.

ASPECTOS FÍSICOS DO JEJUM:
1 – Muitos crentes têm o corpo humano como um mal necessário, com o qual eles têm que conviver, e quando ficarem livres dele será mais santos, por isso o desprezam e a vezes até exageram na sua disciplina. Mas a palavra de DEUS ensina o contrário (1º Co 6.13-19 e 12.27);
2 – O jejum é uma das maneiras de manter o nosso corpo forte, limpo internamente e saudável, porque ele prevê descanso para o organismo, principalmente para o aparelho digestivo;
3 – Nem todos podem jejuar, por exemplo, os diabéticos e os que tomam certos remédios, os quais devem buscar orientações médicas antes de jejuar;
4 - Por outro lado não devemos esquecer que há o aspecto sobrenatural no exercício do jejum, como nos casos de Moisés, Elias e Jesus, que jejuaram 40 dias e 40 noites. Pelas circunstâncias apresentadas em cada caso, somos levados a crer que foram jejuns toais, e assim sendo houve a intervenção divina onde DEUS assumiu a responsabilidade pela preservação dos seus corpos dando-lhes o sustento necessário, e talvez seja por isso que essa devoção seja levada tanto a sério.

PRECEITOS BÍBLICOS SOBRE O JEJUM:
Sob a antiga aliança, o povo deveria jejuar, pelo menos uma vez no ano: No dia da expiação, Levítico 16.29-31, “Isso vos será por estatuto perpetuo: no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis as vossas almas, e nenhuma obra fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos: e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o SENHOR. É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis as vossas almas: é estatuto perpétuo”. Levítico 23.27-32, “Mas aos dez desse mês sétimo será o dia da expiação, tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas: trareis oferta queimada ao SENHOR. Nesse mesmo dia nenhuma obra fará, é o dia da expiação, fareis expiação por vós perante o SENHOR vosso DEUS. Porque toda alma, que nesse dia não se afligir, será eliminada do meu povo. Quem nesse dia fizer alguma obra, a esse eu destruirei do meio do seu povo. Nenhuma obra fareis:è estatuto perpétuo pelas vossas gerações em todas as vossas moradas. Sábado de descanso solene vos será: então afligireis as vossas almas: aos nove do mês, duma tarde a outra tarde”.
Temos ai o jejum como um preceito legal, no final do tempo de vigência da lei, essa prática já era observada quatro vezes ao ano, Zacarias 8.19. “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: O jejum do quarto mês, e o do quinto, e o do sétimo e do décimo, será para a casa de Judá regozijo, alegria e festividades solenes; amai, pois a verdade e a paz”.  Os jejuns assinalavam calamidades na história judaica.
Nos dias de Jesus os Judeus jejuavam duas vezes por semana, nas segundas e nas quintas feira, por mera formalidade farisaica, perfazendo um total de cento e quatro jejuns por ano. Lucas. 18.11,12. “O fariseu posto em pé, orava de si para si mesmo, dessa forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; Jejuo duas vezes por semana e dou o dizimo de tudo quanto ganho”.
Na concepção do religioso formalista e hipócrita, o que vale é a quantidade e não a qualidade. A princípio era uma vez ao ano, depois quatro vezes ao ano e finalmente cento e quatro vezes ao ano.
JESUS jejuou e ensinou sobre o jejum. Seus discípulos não precisavam jejuar enquanto estivessem em sua companhia, mas depois que ele saísse da companhia deles, então eles deveriam jejuar. Evangelho de Mateus capítulo 9 versículo 15. “Respondeu-lhes JESUS, podem acaso estarem tristes os convidados para o casamento enquanto o noivo esteja com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar”.

DOS PROPÓSITOS DO JEJUM:
No capítulo 58 dos versículos 6 a 9 do livro de Isaias, encontramos dez propósitos do jejum sob orientação do próprio DEUS:
1 – Para soltar as ligaduras da impiedade. “Por ventura não é este o jejum que escolhi que soltes as ligaduras da impiedade?” (Is 58.6a).
2 - Para desfazer as ataduras da servidão. “desfaças as ataduras da escravidão” (Is 58.6b).
3 – para deixar livre o oprimido.  “deixes livre o oprimido e despedaces todo jugo?”. (Is 58.6c).
4 – Para despedaçar o jugo. “E despedace todo o jugo”. (Is 58.6d).
5 – Para repartir o pão com o faminto. “Por ventura não é também que repartas o teu pão com o faminto”. (Is 58.7a).
6 – Para acolher os pobres e desabrigados. “E recolhas em casa os pobres e desabrigados”. (Is 58.7b).
7 – Para prover proteção ao desprovido de vestimentas e agasalho. “E se vires o nu, o cubras” (Is 58.7c).
8 – Para não desprezar o seu semelhante. “E não te escondas do teu semelhante” (Is 58.7d).
9 – Para estabelecer comunhão com o SENHOR e receber dele: sua luz, sua cura, sua justiça, e glória. “Então romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda” (Is 58.8).
10 – Para que tua oração sejas respondida pelo SENHOR. “Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro e ele dirá: eis-me aqui....” (Is 58.9).
Na bíblia encontramos inúmeros tipos de propósitos do jejum, mas todos eles visando por parte do penitente buscar a participação de DEUS na sua realidade vivida no momento.  Usamos o texto acima por achar que é um dos mais completos sobre o que DEUS quer como o principal propósito do jejum. Ou seja, o jejum praticado desacompanhado de tais atitudes não passa de mera formalidade e descamba inevitavelmente para a hipocrisia.

DAS FORMALIDADES DO JEJUM:
1 – O jejum na religião antiga era acompanhado do ato de cobrir-se com cinza, pano de saco e pó, em demonstração de aflição, arrependimento, humilhação e contrição. “Quando soube Mordecai, tudo quanto se havia passado rasgou as suas vestes e se cobriu de pano de saco, e de cinza, e, saindo pela cidade, clamou com grande e amargo clamou” (Ester 4.1). “Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.6). Assim o homem se lembrava e reconhecia que era originário do pó da terra, portanto dependente das misericórdias do SENHOR. Apesar de indigno. “Disse mais Abraão, eis que me atrevo a falar ao SENHOR, eu que sou pó e cinza” (Gn 18.27).
2 – No novo testamento essa prática já havia caído em desuso, pois segundo o texto em exame, os jejuadores não tinham a intenção de se humilhar e buscar a DEUS, mas de se autopromoverem perante os homens, por isso como atores, desfiguravam o semblante e às vezes passavam um pó branco como de arroz para parecerem desfalecidos e se posicionavam nas ruas e esquinas mais movimentadas com o fim de serem vistos pelo maior número de pessoas possível.
3 – Foi por isso que JESUS recomendou procedimento contrário: Em vez disso, ungir a cabeça com óleo e lavar o rosto, para que ninguém perceba que jejuas, pois esse costume é de quem se prepara para festejar.

CONCLUSÃO
Nos três casos usados por JESUS, sua preocupação é combater a autopromoção, ensinando-nos a esmolar, de modo que não esperemos retorno daquilo que se doou, ensinando a orarmos secretamente e ensinando-nos a jejuar de maneira disfarçada para não parecer aos outros que jejuamos, pois todas essas atitudes devem ser de fórum intimo de cada um, orientado pelo grau de intimidade e amor de cada filho com o seu pai. Segundo o sugerido pelo nosso SENHOR haverá recompensa por essas coisas praticadas e estas serão de acordo com o julgamento e critérios de DEUS.

BIBLIOGRAFIA:
1 – Enciclopédia Ágnos
2 – O Novo Comentário da Bíblia
3 – Bíblia r.a de J. F. de Almeida, anotações de roda-pé pelo Dr. Scofield.
4 – Enciclopédia Orlando Boyer.
5 – Enciclopédia Virtual Wikipédia, a enciclopédia livre (fonte confiável).
6 – O Novo Comentário da Bíblia, Prof. F. Davidson MA, DD.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

Pr. Almerindo Luna Góis – Pr. Dirigente da Subsede AD316 (Assembleia de Deus da 316 de Samambaia Sul/DF).