13 de abril de 2014

Como vencer a angústia - Lição e comentários adicionais

COMO VENCER A ANGÚSTIA

TEXTO ÁUREO

Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã, louvarei com alegria a tua misericórdia, porquanto tu foste o meu alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (Sl 59.16).

VERDADE APLICADA

Em momentos de angústia, devemos ter fé para confiar no Senhor e na sua resposta.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

· Definir o que é Angústia;
· Mostrar as diversas faces da angústia;
· Apresentar a cura para a angústia.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

I Sm 13:5 - E os Filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel: trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à borda do mar; e subiram e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven.

I Sm 13:6 - Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em angústia (porque o povo estava apertado), o povo se esconderam pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas,

I Sm 13:7 - e os hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo veio atrás dele, tremendo.

I Sm 13:22 - E sucedeu que, no dia da peleja, se não achou nem espada, nem lança na mão de todo o povo que estava com Saul e com Jônatas; porém acharam-se com Saul e com Jônatas, seu filho.

I Sm 14:6 - Disse, pois, Jônatas ao moco que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, operará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.

I Sm 14:7 - Então, o seu pajem de armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme o teu coração.

INTRODUÇÃO
Nesta lição, abordaremos a angústia: uma enfermidade da alma, caracterizada por uma busca desenfreada do homem por preencher algo que lhe corrói o interior. Um sentimento insaciável rasga o peito, gritando para ser alimentado e pôr fim à sua angústia, à sua dor interior e exterior, podendo causar doenças psicossomáticas.

1. O QUE É A ANGÚSTIA?
A angústia se caracteriza por um sentimento de sufocamento e sensação de aperto no peito, acompanhados da falta de humor, de ressentimento e até dor física; isso pode evoluir a outras enfermidades. Biblicamente ela ocorre pela primeira vez no episódio da queda do homem (Gn. 3.7a). Quando Adão e Eva percebem que estão nus e nada mais podem fazer para retornar ao estado original, então são tomados por um estado de angústia seguido de medo (Gn. 3.8-10). Assim, quando o ser humano enfrenta situações de confrontos, pressão, impotência diante dos problemas ou cobranças, sem saber o que fazer a angústia pode se apoderar do seu coração.

Exemplifique para os alunos com a seguinte situação: “imagine-se diante de uma pessoa afogando-se e você, por não saber nadar, sente-se incapaz de salvá-la”. Você sabe o que precisa fazer, mas também sabe que não tem como fazer, neste momento o sentimento natural é de uma agonia mental, atrelada a um sufoco semelhante ao da asma, e uma dor ou compressão no peito”, isto é angústia. Quando este sentimento perdura por muito tempo, caracteriza uma enfermidade da alma.

A angústia vem do termo alemão ANGST, traduzido para o Português como Angústia. Dentro do pensamento existencialista a palavra angústia presumivelmente descreve a condição humana básica. Há um pavor sem nome e sem objeto particular, mas que é um sentimento comum à humanidade, por terem de enfrentar um mundo destruidor hostil e insensato. Os comentadores a respeito do assunto têm sido Kierkegaard, Heidegger, Unamuno, Bultimann e Sartre. Essa filosofia deixa os homens “dentro de um temporal”, onde têm que lutar contra o aniquilamento e a não identidade e ignora o fato de que na psique humana também há a descoberta que o homem, como ser espiritual que é, ultrapassa a tempestade e entra na compreensão espiritual de que a existência humana é finalmente boa e otimista. Em outras palavras, para além da tempestade, há um Novo Dia, no qual a existência humana, no nível espiritual, floresce em harmonia, bem-estar e propósito. A psicologia tem demonstrado a existência de ambos esses motivos na psique humana: 1- A tempestade do desespero, por enfrentar a não identidade; 2- O estado para além da tempestade, em que é confirmada uma existência digna. Esse segundo motivo afirma a imortalidade, sem o que a condição humana seria realmente angustiosa. Eu, particularmente, tecendo aqui meus comentários, diria que essa segunda afirmação está descrita pelo apóstolo Paulo como: contentamento que será explanado mais na frente no item 3 deste lição (Fl 4.11-13). Angústia, portanto, é um sentimento que acompanha o homem desde seu nascimento até a morte em todas as situações da vida; a angústia é companheira do ser humano. A angústia é uma das mais fortes opressoras da humanidade, é um sentimento da alma que pode atacar na mesma medida tanto o rei como o mendigo. Angústia é uma emoção que pode ser abafada, mas não desligada. O homem natural não pode se desviar nem escapar dela. Na verdade existiram e existem pessoas de caráter forte que, com sua determinação, se posicionam obstinadamente diante da angústia, mas elas também não conseguem vencê-la totalmente. Podemos tentar ignorar a angústia, mas não escaparemos de situações dolorosas.

1.1. Visão filosófica da angústia
Para o filósofo Arthur Schopenhauer, viver significa necessariamente sofrer. Quanto mais o homem busca a vitória, mais ele se desencanta por não conseguir conferir sentido algum à vida. Os pequenos momentos de prazer, por mais proveitosos que sejam, são insuficiente para produzir a verdadeira felicidade o que acaba por gerar a angústia. Dessa forma, para a Filosofia Existencialista, o ser humano está condenado a passar pela vida como sobrevivente, pois a angústia de viver com sofrimento, faz desse mal um problema eterno, uma doença incurável. Entretanto, para o Cristianismo, ao contrário da filosofia, nenhum ser humano está condenado a existir como sobrevivente, pois, ao encontrar-se com Cristo, uma fonte de alegria brota no seu interior (Jo 7.38).

As concepções sobre a angústia e seu surgimento, de qualquer forma, variam enormemente entre os filósofos; há desde os que a entendem como uma resposta à incapacidade de compreender a realidade exterior até os que afirmam se ela proveniente de um estado de expectativa prolongado diante de algum fato que não chega a ocorrer. De maneira genérica, pode-se dizer que a psicologia contemporânea aborda o problema da angústia sob duas perspectivas: 1- estabelecer se ela constitui um estado transitório ou se, ao contrário, é uma predisposição, um elemento da personalidade; 2- determinar se de fato a angústia tem uma causa definida ou se pode resultar de motivos e situações muito diversos.

1.2. Angústia, uma enfermidade perceptível
Embora a angústia seja uma enfermidade da alma, tal como uma doença do corpo, é possível percebê-la, como foi visto no primeiro tópico, seus sintomas são visíveis. Encontramos textos de prova em Gêneses 42.21 que nos relata, como exemplo, o caso dos irmãos de José quando chegaram ao Egito para comprar cereal e, diante da dramática exigência de trazer o irmão caçula (Gn 42.20), não sabendo que estavam diante de José, confessaram uns aos outros. “Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos à angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos...”. Assim a angústia e o sofrimento dos irmãos de José puderam ser externados e se tornaram visíveis. A angústia, segundo a Bíblia é um sentimento repressor, mas também pode ser verbalizada (Jó 7.11). Por isso, mesmo sendo cristãos, muitas vezes somos afetados por desabafos de angústia e imagens angustiantes. Para evitar ser contaminado por esta enfermidade, é preciso se refugiar na Palavra de Deus (Sl 119.143).

Angústia generalizada e visível. Neste caso, as manifestações costumam manter-se ao longo de períodos de tempo mais ou menos prolongados. O principal sintoma é a própria angústia, que os pacientes descrevem como uma injustificada sensação de intranquilidade, insegurança e de certo receio pelo futuro. Para, além disso, costumam evidenciarem-se determinados sinais e sintomas físicos, semelhantes aos que se manifestam em caso de estado de alerta normal, embora aqui sejam mais intensos e duradouros: palpitações e dores no peito, que se podem designar como angústia, sensação de falta de ar, secura bucal, crises de suores, tremor, tonturas e instabilidade, náuseas, tensão, dores musculares, tiques, dores abdominais, diarreia ou obstipação e uma agitação psicomotora. Ataques de pânico. Igualmente denominados crises de angústia, são episódios repentinos de profunda ansiedade, em que a pessoa afetada se sente ameaçada, injustificadamente, por um grande perigo, podendo ter a sensação de morte iminente. As manifestações mais comuns dos ataques de pânico são a angústia, perceptível por uma intensa dor no peito acompanhada de palpitações, sensação de aperto e falta de ar e pelos outros sinais e sintomas físicos típicos da ansiedade generalizada. No caso de Jesus Cristo no Getsêmani, chegou a suar gotas de sangue (Lc 22.44). Num momento de devaneio, até pediu para escapar daquele momento (Lc 22.42). Mas, sabendo que não poderia escapar, por nossa causa, disse: faça-se a tua vontade. Embora se consiga, na grande maioria destes episódios, conservar a racionalidade, em alguns casos, a angústia é tão intensa que o paciente perde o controlo sobre si próprio e tem a sensação de poder estar a enlouquecer.

1.3. A angústia na realidade social
A angústia é uma das enfermidades da alma que mais oprime a humanidade (Sl 31.10) é um sentimento desagradável que pode atingir qualquer pessoa, e infelizmente o homem não pode se desviar nem escapar dela. Lamentavelmente, como visto anteriormente, a angústia é uma consequência direta do pecado inoculado no Homem. Quando ocorre momentaneamente é apenas um reflexo natural das emoções, porém, quando se torna permanente, é sintomático de uma enfermidade da alma. Sendo assim, pessoas que apresentem o quadro de angústia podem desenvolver outros distúrbios emocionais, tais como: cansaço físico e mental, desânimo, baixa autoestima e depressão.

Exemplifique para os alunos como, na realidade social, deparamo-nos com situações enervantes, que produzem ou reforçam o sentimento de angústia: os fenômenos naturais trágicos (tempestades, terremotos, inundações, etc.) e os fenômenos sociais (violência urbana, guerras, terrorismo). Destaque que, apesar de tudo, nós temos o antídoto, a cura, que é o socorro de Deus bem presente na hora da angústia (Sl 46).

2. AS DIVERSAS FACES DA ANGÚSTIA
Reconhecer um quadro de angústia é uma função que cabe a especialistas. Infelizmente, a maioria dos angustiados só procura ajuda especializada quando a sensação ruim beira o insuportável. As pessoas chegam ao pronto socorro, com dor e opressão no tórax, peso e desconforto no peito, de acordo com o cardiologista César Jardim, supervisor do pronto-socorro do Hospital do Coração, em São Paulo. Os sintomas se assemelham aos de problemas cardiológicos, com infarto. Mas aqueles com problemas realmente cardiovasculares somam 30% dos casos.

Na sua fase inicial, a angústia pode levar o indivíduo a relacionar seus ataques com problemas cardíacos, pulmonares ou digestivos, o que o leva a consultar vários especialistas até que seja comprovada a não existência deste tipo de alterações. É igualmente comum que o paciente tente identificar e evitar as circunstâncias que, no seu entender, terão desencadeado as crises - para além de ser um ato perfeitamente inútil, é igualmente perigoso, pois acabam por provocar o desenvolvimento de fobias, atitudes preventivas irracionais e complexas (doença da alma). Por fim, nos casos mais graves, pode acabar por se desenvolver uma agorafobia (medo de estar em espaços abertos e de uma multidão), em que o paciente tem tendência para ficar isolado e fechado em casa, com medo de se expor a qualquer das circunstâncias que erradamente identificou como desencadeadoras das crises de pânico.

2.1. O que a Bíblia diz sobre a angústia?
É muito esclarecedor e elucidativo observar que Jesus nunca afirmou que, neste mundo, não haveria sofrimento. Na verdade, muitas vezes, prega-se que, ao se tornar cristão, a pessoa não terá mais tribulações ou tentações. Mas isso não é verdade. O próprio Senhor Jesus disse claramente: “No mundo passais por aflições...” (Jo 16.33). E, então, Ele acrescenta uma pequena palavra que faz toda diferença: “mas”. Em outras palavras, Jesus nos assegura que Sua vitória sobre o mundo é a nossa vitória também, “mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”, isto é, por meio dEle, temos a possibilidade de vencer e superar a angústia.

A Bíblia mostra, por exemplo, que angústia e sofrimento podem se tornar visíveis como vimos acima no exemplo dos irmãos de José. A angústia, assim diz a Bíblia, não só paralisa a língua, mas também faz com que ela fale”. Em Jó 7.11 ouvimos Jó dizer: "Por isso não reprimirei a minha boca, falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma". Mas angústia também faz com que até ímpios cheios de justiça própria se sintam perturbados. Bildade descreve o ímpio em Jó 18.11 dessa maneira: "Os assombros o espantarão de todos os lados, e o perseguirão a cada passo". A Escritura também ensina que a angústia é mais forte do que a maior abastança. Zofar nos comunica isto em Jó 20.22: "Na plenitude da sua abastança, ver-se-á angustiado, toda a força da miséria virá sobre ele". Angústia também provoca trevas. Quando Isaías teve que anunciar uma punição sobre Israel, falou acerca das consequências desse juízo: "Bramam contra eles naquele dia, como o bramido do mar; se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens" (Is 5.30). E em Isaías 8.22 o profeta tem que proclamar sobre o povo apóstata: "Olharão para a terra, eis aí angústia, escuridão, e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas".

2.2. Angústia é sinal de que há conflito
A pessoa angustiada precisa pensar e tentar discernir o que a perturba, identificar o problema. Quando existem vários problemas, é importante definir qual o pior. Definindo qual o pior problema, o passo seguinte é agir para resolvê-lo. Quando não há solução ou a solução depende de outros, a saída e aceitar a perda. Aceitar não é concordar com o fato. É olhar a realidade e concluir: “Isto ocorreu em minha vida e não posso fazer nada para mudar.” É preciso seguir em frente, pois submeter-se a vontade de Deus é libertador (Rm 12.2). Algumas pessoas parecem ter muita dificuldade em conciliar a iniciativa humana com a dependência de Deus. Elas pensam que ou se tem uma coisa ou outra. Na realidade. Ambas são inseparáveis. O senso de dependência do Senhor nos leva a uma ação corajosa, equilibrada e vitoriosa (Êx 14.15).

No Salmo 119.143, Davi nos ensina que a palavra de Deus sempre é mais forte que a angústia: "Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer". A angústia está presente, mas a alegria na palavra de Deus é maior. Uma outra tradução diz: "Fiquei cercado por sofrimento e desespero, mas os teus mandamentos foram a minha grande alegria". O poder de Deus também sempre é maior do que a angústia: "Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salva" (Sl 138.7). Em Isaías 9.2 temos a promessa: "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz". No Novo Testamento, Paulo confirma essa gloriosa verdade: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?... Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.35;38-39).

2.3. Angústia um sentimento comum na pós-modernidade
A angústia sem dúvida é inerente ao ser humano, mas certamente é fomentada e potencializada nas situações trágicas (Mc 13.7). O que se percebe no nosso cotidiano é uma grande angústia. Mas por que tanta angústia? Por que esse sentimento de vazio, de incompletude? Vivemos num mundo que nos diz, incessantemente, que precisamos ter satisfação logo, que a dor precisa ser evitada e/ou suprimida e que a felicidade é a melhor escolha. O medo de não fazer boas escolhas leva a os indivíduos a experimentarem um sentimento de angústia que passa pela ideia de que algumas dessas escolhas podem ser definitivas e não possuem retorno. Os males pós-modernos da liberdade, em vez da opressão.

Ao proporcionar ao indivíduo liberdade de escolha, sem a presença de referências duradouras e com opções inesgotáveis, a pós-modernidade o induz a um nível de ansiedade sem precedentes.

O desejo de ter cada vez mais, de concorrer com amigos e colegas, tem levado pessoas a se angustiarem na busca pelo sucesso ou pelo ter mais e mais, neste meio, surge ainda à inveja e outros males da alma. A pessoa quer sempre mais do que o outro e, muitas vezes, até se endivida a ponto de ser tomado pela angústia. Neste tempo da pós-modernidade, a busca pelo sucesso, mediante tantos concorrentes, têm levado muitas pessoas à frustração e à angústia.

3. COMO LIDAR COM A ANGÚSTIA
A situação na qual o povo de Israel se encontrava era extremamente difícil, quase desesperadora. Estava prestes a entrar em uma guerra com pouquíssimas chances de vencer. O adversário, poderoso exército filisteu, somavam trinta mil carros, e seis mil cavaleiros (I Sm 13.5), enquanto o exército israelita somava seiscentos homens (I Sm 13.15). Enquanto os filisteus dirigiam-se à batalha armados até os dentes, entre o povo que estava com Saul e com Jônatas não se achou nem espada, nem lança. E como nenhum soldado tinha sequer uma arma, os olhares e atenções se dirigiram para Saul e Jônatas, que eram o rei e o príncipe herdeiro de Israel e os únicos a possuírem armas (I Sm 13.22). Só que os líderes também não pareciam saber o que fazer.

É em momentos como esse que a angústia se apodera do nosso coração. Para o dicionário, angústia é estreiteza, brevidade, grande aflição, ansiedade acompanhada de opressão e tristeza.

3.1. Evitar se concentrar na dor
Diante das adversidades, temos, assim como os hebreus, a reação natural de fugir (I Sm 13.6), pois eles se esconderam em todos os lugares possíveis, tentando evitar uma batalha da qual eles sabiam que não sairiam vencedores. Jônatas se encontrava em uma situação extremamente difícil. Ele estava em grande aperto, encurralado, colocado contra a parede. Humanamente, não havia saída para aquela situação. Todavia ele foi capaz de reverter o quadro adverso de uma maneira tão inesperada e tão completa, que transformou aquela batalha em uma das maiores vitórias da história do povo de Deus.

A angústia pode se tornar uma aliada para nos alertar para as mudanças que devemos realizar em nossa vida.

3.2. Identificar como mudar a situação
Qual foi o segredo de Jônatas para superar sua própria angústia e conquistar uma vitória tão extraordinária? O fator determinante para o sucesso de Jônatas foi à convicção que ele tinha consciência a respeito de Deus, a compreensão do seu caráter, dos seus atributos e de seus inimigos. Os desertores saíram de seus esconderijos (I Sm 14.22), os traidores voltaram a defender seu povo (I Sm 14.21), e os adversários, desorientados, mataram-se uns aos outros, sofrendo uma grande derrota (I Sm 14.20). O povo estava paralisado, mas Jônatas decidiu agir. Enquanto todos olhavam uns para os outros, na expectativa de que alguém tivesse uma ideia mirabolante, ele chamou para si a responsabilidade. Jônatas foi dominado pela profunda certeza de que o Senhor o chamava para a batalha.

Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, o Senhor nos ajudará nisto, porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos” (I Sm 14.6).

Uma boa orientação de como combater os males da alma, está registrado por Davi em seus salmos, principalmente o Salmo 42.5 e 103.2, quando ele questiona sua própria alma, mostrando-lhe que a esperança está no Senhor e recomenda que a mesma não se esqueça de nenhum de seus benefícios. Não foi muito diferente com Jônatas. Enquanto o povo estava apavorado, Jônatas repreendeu seu medo ao não se deixar levar pelo pavor de seu exército desarmado e desesperado, mas teve a confiança de olhar para o alto de onde veio o socorro (Sl 121.1).

3.3. Confiar em Deus é o Segredo da vitória
Enquanto o rei Saul ficou dentro da tenda andando de um lado para o outro, imaginando quem o Senhor poderia enviar para deter os filisteus, Jônatas acreditou que esse enviado poderia ser ele próprio. Deus chamou para a batalha. Ele atendeu. Em momentos de angústia, devemos ter fé para confiar no Senhor e em sua providência. Precisamos crer no Deus que age em favor dos seus servos, que intervém na história dos homens, que é fiel as suas promessas, que socorre seus filhos que estão em grande aperto. Mas Ele também nos chama à ação, pois quer dividir conosco as experiências da batalha e os louros da vitória.

Aqui encontramos o cerne do tratamento para combater a angústia “confiar no Senhor”. O Salmo 34.8 diz: “provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” Já o Salmo 37.5 diz: Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e Ele tudo fará. O que falar ainda destes outros Salmos: 57.1; 86.2; Provérbios 3.5; 16:3; 26.4 e muitos outros versículos. Aqui, volto a fazer menção do apóstolo Paulo quando escreveu a carta aos Filipenses (Fl 4.11-13). Quando o homem tenta “se estribar no próprio entendimento” (Pv. 3.5), tende a cair em tremenda frustração e angústia. O Exemplo que Paulo nos deixou é fantástico. Ele fala que aprendeu a contentar-se em toda e qualquer situação, em outras palavras, quando o homem adquiriu plena confiança em Deus a consequência é estar contente em toda e qualquer situação, tornando-o livre ou amenizando, em muito, os momentos de angústia. Sabendo que, além de “poder todas as coisas naquele que nos fortalece” (fl. 4.13), tem consciência de que Deus está no controle de tudo e que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daquele que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Aliás, quando o homem adquiri plena confiança em Deus, conquista cura para todos os males da alma, Pode até sofrer de alguns desses males por instantes, mas ele continua bendizendo ao Senhor e experimenta cura de forma rápida e maravilhosa (Jó 1.20-22; 2.9 e 10; 42.10; I Rs 19.4).

CONCLUSÃO
A consciência de que o Senhor nos chama à batalha nos deve levar à ação, mas não a qualquer ação. Atirar-se afoitamente contra os obstáculos e conduzir-se de maneira impensada não é o que vai nos tirar da situação de angústia e levar-nos ao sucesso. A ação inconsequente pode ser tão ruim quanto à passividade.

FOTES BIBLIOGRÁFICAS

·Encyclopedia Britannica do Brasil, publicações Ltda. Vol. 1.

·CHAMPLIN, RN, Phd, J.M. Bentes, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia; vol. 1.

·Bíblia Sagrada, Revista e Corrigida, Tradução de João Ferreira de Almeida.



PR. ALTEVI OLIVEIRA DA COSTA - Servo do Senhor Jesus Cristo, administrador de empresas públicas e privadas, Bacharel em Teologia pela FATAD, pós-graduado em administração de cooperativas pela UNB, MBA em cooperativismo de crédito no Canadá, Estados Unidos e Espanha.

6 de abril de 2014

Vencendo o medo da rejeição - Lição 02

Vencendo o medo da rejeição

(No final desta lição você pode compartilhar postando ou tendo acesso a alguns comentários sobre a lição).

Texto Áureo

“Então respondeu Moisés e disse: Mas eis que não me cre­rão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu” (Êxodo 4.1).


Verdade Aplicada

O medo da rejeição afeta a nossa tomada de decisão em relação à obra à qual fomos separados pelo Senhor.


Objetivos da Lição

Definir o que é medo da re­jeição;

 Mostrar o que pensa aquele que se acha rejeitado;

 Apresentar como devemos nos comportar ante essa situação.


Textos de Referência

Êx 3.1 E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe.

Êx 3.2  E apareceu-lhe o Anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

Êx 3.6  Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.

Êx 3.11 Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?

Êx 4.10 Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu não sou homem eloquente, nem de ontem, nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua.


Introdução
É muito fácil encontrarmos no meio do povo de Deus, pessoas que receberam um chamado especial e, ainda assim, sentem-se incapazes de realizá-lo. O caso de Moisés nos leva a enxergar como essas pessoas se deixam levar por um sentimento negativo que acaba por impossibilitá-los de fazer o que o Senhor espera deles.

A Síndrome da Aceitação ou podemos chamar de Rejeição. Um sentimento de inferioridade. São muitas as situações que podem desencadear o sentimento de rejeição: relacionamento amoroso, familiar, no trabalho e nas amizades. Em casos mais intensos pode-se encontrar a humilhação, o preconceito, o desemprego. Ser rejeitado é um medo bastante comum à maioria das pessoas. Afinal, quem é que não quer sentir-se amado, admirado e querido? Desde a infância encontram-se muitas situações de rejeição, quem nunca ficou de lado ou se sentiu menos preferido? As pessoas têm medo de não serem aceitas. Esse medo pode ser frequente, no entanto, sua persistência e repetição são preocupantes, pois pode surgir independentemente da situação real que se vive. Acontece devido à presença de fantasias que sustentam a ideia de que não se é suficientemente bom para os outros. Esse sentimento da pessoa rejeitada de que parece que tem algo de errado com ela na maioria das vezes não é bem percebido. Essa é a causa maior da dor: achar que a rejeição ocorreu por que há um “defeito” na pessoa e isso que a levou a ser descartada, desprezada, abandonada, rejeitada. A pessoa busca a explicação, não encontra, e, inconscientemente, é levada a sentir que tem algo de errado nela que levou a outra pessoa a rejeitá-la.

1. O Pensamento de Deus
Ao se apresentar a Moisés, o Senhor já tinha em mente como iria agir em favor de seu povo. É fato e todos nós sabemos que Deus é Todo Poderoso e é capaz de realizar qualquer coisa, porém em muitas passagens bíblicas, vemos o Todo Poderoso se utilizando de mãos humanas para realizar a sua obra. Por exemplo, em 1 Sm 17.46, fica clara a intenção do Senhor que poderia ter matado o gigante, mas preferiu se fazer presente através da capacitação fornecida por Ele a Davi (1Sm 14.40)

1.1. É Deus quem escolhe a quem usar
Quando o Senhor apareceu a Moisés como fogo na sarça, já tinha todo o seu projeto traçado, e, como não há dúvida em Deus, Ele sabia que Moisés era o homem certo para o serviço, contudo, durante seu diálogo com Jeová, Moisés apresenta alguns motivos que podem ser comparados com sintomas de medo da rejeição. Todo o preparo recebido por ele na casa de Faraó fazia dele o indivíduo ideal para a realização do projeto de Deus, contudo nele estava instalado o que se chama de medo patológico (Ex 3.11).

Nem sempre o Senhor chama os capacitados, pois a Ele pertence o poder de capacitar o homem para realização de sua obra (Ex 35.30-31), entretanto, no caso de Moisés, o Senhor já o tinha separado desde sua meninice, visto que o salvara da morte determinada pelo decreto de Faraó (Ex 2.3-4). Tosos os acontecimentos que se seguiram na vida de Moisés estavam debaixo da supervisão divina.

1.2. A excelência de Moisés
Os anos que Moisés passou na casa de faraó fizeram dele um homem extremamente preparado para qualquer tipo de trabalho (at 7.22) que ele precisasse desempenhar, todavia o fato9 de ter sido criado com príncipe se tornou num possível impedimento para realização daquilo que era o verdadeiro projeto de Deus para sua vida: a formação recebida que o tornava conhecedor de toda a ciência do Egito tinha sido fornecida com objetivo de fazer dele o futuro Faraó. No caso de Moisés, Deus permitiu que ele cometesse um desatino (Ex 2.12) para que fosse afastado dos planos dos egípcios e trazido de volta para o centro de sua vontade.

1.3. O aperfeiçoamento de Moisés
 Apesar de todo o preparo de que dispunha, Moisés ainda não tinha sido provado por Deus, ou seja, era preciso que ele conhecesse o que é viver inteiramente debaixo da vontade do Criador (Fp 4.12), sento assim, torna-se pastor de ovelhas (Ex 3.1) e passa a ter conhecimento do é ser um cuidador de vidas, um protetor e também um guia para os que não conhecem o caminho a ser seguido (Ex 14.21-22).

Como sabemos, as ovelhas têm algumas características que as tornam vulnerável, dentre tantas estão: a incapacidade de distinguir entre a boa e a má erva, o que muitas vezes leva algumas à morte por comerem ervas venenosas. Moises, ao ser levado por Deus a cuidar de ovelhas, pôde aprender que esses animais também são extremamente teimosos e, em alguns casos, precisam ter uma de suas patas quebradas para não fugir à vontade de seu pastor. Quando vemos, em uma ilustração antiga, um pastor carregando uma ovelhinha no colo, logo pensamos que ela é a mais adorada pelo pastor, mas de fato, pode ser ela a mais teimosa e fujona, que se afasta do grupo constantemente, colocando em risco sua vida, por isso o pastor quebra-lhe a pata e passa a carregá-la no colo, dando-lhe um nome para que, quando ele a chamar, identifique a sua voz e volte imediatamente para o rebanho.

É preciso chamar atenção, neste tópico, para o que chamamos “planos” de Deus e como eles se operam na história da humanidade. Deus nunca interferiu – pelo menos nas páginas da Bíblia – na história do homem sem que o próprio homem fosse o agente dessa interferência. O exemplo supremo é a encarnação do próprio Deus na pessoa de Jesus Cristo Homem para servir de sacrifício para remissão dos pecados do mesmo homem. Logo, porque Deus quis assim e sendo ele “Todo Poderoso”, não há manifestação das obras de Deus sem que o homem esteja envolvido. A libertação de Israel do jugo egípcio não se daria de outra forma, não porque Deus NECESSITE de um homem, mas porque ele QUER que seja assim. E conforme o declarou Jó, nenhum dos intentos, dos quereres de Deus podem ser frustrados. As frustrações, traumas, ou quaisquer que sejam os problemas humanos não constituem empecilho para Deus. Talvez constituam empecilhos para um homem que queira ser agente da vontade de Deus. É neste ponto, o da perspectiva de que a “cura dos males da alma” é fator necessário para que o homem que assim o desejar esteja pronto para estar inserido nos “planos” de Deus, que estará baseado este estudo. Como exemplo podemos citar o caso de Saul, escolhido rei sobre Israel, mas que foi substituído por Davi por, principalmente, não poder se livrar dos muitos males de sua alma. Não que Deus não pudesse regenerar Saul a ponto de ele estar pronto para fazer Sua vontade. Mas, pelo que sabemos da história, Ele preferiu substituí-lo. Quando Samuel anuncia a Saul que ele foi reprovado por Deus, ele diz: “Procedeste insensatamente, não observando o mandamento que te deu o Senhor, teu Deus, que estava pronto a confirmar para sempre o teu trono sobre Israel. Agora o teu reino não subsistirá. O Senhor escolheu para si um homem segundo o seu coração e o fará chefe de seu povo, porque não observaste as suas ordens.” (1Sam 13.13-14). Saul cedeu à ansiedade, ao pessimismo, à angústia e precipitou-se oferecendo ele mesmo o sacrifício destinado a ser oferecido por Samuel como sacerdote. Apesar da boa intenção que, pelo menos, ele declarou ter, alguem para estar na posição de rei, um líder, não pode ser precipitado e nem agir “insensatamente” atentando contra as ordens do Senhor. Neste caso específico, a ansiedade de Saul, sendo ela ignorada por Deus, certamente teria tornado essa “enfermidade da alma” uma regra na nação de Isral – uma vez que ele era o primeiro entre todos – a de o rei servir como sacerdote, o que Deus não aprovou nessa e nem em nenhuma ocasião. Atentar para si mesmo e para que males podem interferir naquilo na obra de Deus é fator primordial, não para que a obra de Deus se efetive, mas para que nós possamos ser agentes nela.

2. Moisés e o medo da rejeição
Como já vimos, havia em Moisés, tudo o que era necessário para que ele pudesse servir a Deus. Tinha o conhecimento secular adquirido na casa de Faraó e agora também tinha sido preparado pelo Senhor enquanto no trato com as ovelhas. Ao contrário do que era de esperar-se dele, ao invés de aceitar imediatamente o chamado, negou usando diversos motivos, que ele considerava impedimentos, para a realização do projeto divino (Ex 3.11; 4.10).

2.1. Não vão acreditar que Jeová falou comigo
Quando o homem é separado para uma obra ele é separado primeiramente por Deus; em seguida, a ação do Espírito Santo, através da vida de cada um, é que vai mostrar aos outros homens que Deus está agindo e que ele é realmente um escolhido do Senhor. Muitos que são chamados perdem a oportunidade de serem reconhecidos por sentirem-se ameaçados e com medo de não serem aceitos, como foi o caso de Moisés (Ex 4.1).

É importante ressaltar que existem situações em que algumas pessoas usam de artifícios na busca pela aceitação. Nesses casos, fica a cargo do espírito santo revelar a verdadeira intenção de cada um e fazer o que for necessário para que eles sejam cobrados pelos seus atos (At 5.1-10).

2.2. O resultado do medo da rejeição
O medo da rejeição também pode levar o indivíduo a duvidar da ação divina, tornando mais difícil sua caminhada na presença do criador. Não é raro nos depararmos com pessoas, que mesmo depois de terem uma experiência íntima e pessoal com Deus, ainda duvidem de sua atuação (1Rs 18.36-39 e 2Rs 19.1-4).

2.3. O risco do medo da rejeição
É natural, em quem ainda não está totalmente liberto de seus medos, ter esse tipo de atitude e negar a capacidade de Deus em fornecer a solução para todos os problemas. O perigo disso está no risco, da pessoa com essa atitude, afastar-se da presença do Senhor, levando-o a um completo esfriamento espiritual e consequentemente à perda da salvação.

Conforme está dito na colagem posta na introdução deste estudo, o medo ser rejeitado é natural ao ser humano. Uma vez que rejeitar é o mesmo que reprovar alguma coisa, é até mesmo salutar que, em certa medida, o homem tenha esse medo, o medo de ser reprovado naquilo que venha a fazer. O medo ele faz com que nos preparemos melhor. É o medo do inimigo que aprimora os exércitos; é o medo da morte e do sofrimento causado pelas doenças que aperfeiçoa a medicina; é o medo de um futuro incerto que leva o homem a se organizar financeira e psicologicamente para a velhice; é o medo de ser atropelado que leva as pessoas a olharem atentamente para o fluxo de veículos antes de atravessarem a rua. O medo de ser rejeitado, igualmente, leva o homem a afastar sistematicamente fatores que possam servir de motivos para reprovação, social, afetiva, profissional e, do mesmo modo, espiritual. Sem o receio da desaprovação e consequentemente rejeição, o homem se torna presunçoso e presumido, confiante de que, independente de como haja ou da maneira como se prepare, será sempre aceito. O que torna o medo da rejeição uma “enfermidade” é o medo insuperável de reprovação. Ou seja, quando se apresenta a perspectiva de que indiferentemente de como nos preparemos, ou do quanto estejamos conforme, sempre seremos rejeitados, jamais nos aprovarão. Todo o medo crônico é uma doença. Conforme os exemplos acima, se um exército, por mais preparado que esteja, permanecer com medo de enfrentar o inimigo, pode pedir rendição antes mesmo da batalha; se um médico, mesmo depois de seus muitos anos de estudo, temer proceder uma cirurgia em um paciente e por isso não fazê-lo, este poderá vir a óbito mesmo podendo ter sido salva sua vida; é o medo das incertezas do futuro que leva muitas pessoas ao suicídio; alguém que nunca tenha segurança em atravessar a rua pode jamais sair de casa. O trabalho do senhor exige preparação, vigilância, cuidado e o medo de sermos reprovados, tanto pela igreja quanto pelo próprio Deus, nos leva a observar com atenção nossa preparação para a obra. Alguém que tema irremediavelmente ser reprovado pode estar definitivamente excluído dos “planos” de Deus. Em algum momento devemos nos sentir aptos a fazer a obra, a atender ao chamado de Deus. Se isso não acontecer, a obra será realizada da mesma maneira, mas através de outro agente.

3. Vencendo o medo da rejeição

O medo da rejeição também é conhecido como fobia social, essa fobia se caracteriza pelo medo, ou até mesmo horror que a pessoa tem de apresentar-se em público. Em alguns casos, evolui ao ponto de tornar a pessoa completamente incapaz de comunicar-se, mesmo que seja excelente naquilo para o que foi chamada a fazer. Diante de tudo o que já estudamos nesta lição, podemos agora observar que a atitude de Moisés, embora tivesse muitos motivos para não a tomar, foi a de aceitar o mandamento do Senhor, uma vez que ele pode ver as maravilhas do Todo Poderoso (Ex 4.3-7). A Bíblia ainda nos fornece um grande exemplo de vitória sobre o medo da rejeição quando nos fala acerca de Zaqueu, que deu passos importantes em direção daquilo que via como essencial para uma vida feliz (Lc 19).

3.1. O medo da rejeição dificulta o encontro com o Senhor
Quem sofre de medo de rejeição apresenta um impressionante excesso de desconforto quando observado por pessoas, ou ainda, por única pessoa em eventos sociais, ou quando dependam de seu desempenho (Mt 25.18,25). Esse estado emocional se apresenta também como sintomas físicos, tais como: taquicardia, sudorese, boca seca, sensação de que vai desmaiar, pânico, confusão mental, gagueira, entre outros. Em seu diálogo com Jeová, Moisés apresenta um desses sintomas como desculpa para não atender o chamado de Deus “não sou eloquente, pesado de boca e pesado de língua” (Ex 4.10). Diferente de Moisés, o primeiro passo dado por Zaqueu foi ir ao encontro do Senhor, pois sabia que, mesmo com tudo o que o povo tinha contra si, (Lc 19.2) Jesus jamais o rejeitaria. Ali estava quem realmente pode nos livrar de todo o tipo de sentimento negativo (Mt 11.28). Ao saber da passagem de Cristo por Jericó, Zaqueu não pensou duas vezes, foi ter com o mestre, venceu a sua deficiência física e procurou se apresentar a Ele (Lc 19.1-4).

Alguns teólogos afirmam que o pesado de boca e língua a que se referiu Moisés (Ex 4.10) seria o fato de ele ser gago, já outros apresentam a possibilidade de, na verdade, ele ter dificuldade em falar a língua pátria, uma vez que a muito teria perdido o contato com sua língua nativa. Tais dificuldades podem também ter-se originado pelo desconhecimento das mudanças sofridas na linguagem ao longo dos anos que ele estivera ausente, como por exemplo, novas expressões idiomáticas e neologismos que naturalmente surgem no vocabulário cotidiano.

3.2. Aceitar o convite do Senhor será benéfico
As prováveis causas da fobia social são medo da exposição, que, no caso de Moisés, pode ser explicado pelo fato de ele ser um fugitivo por assassinato. E a crítica? Essa ele temia por achar que os seus irmãos o desprezariam, visto que ele os havia abandonado como escravos quando poderia ter tentado livrá-los daquela situação. Rejeição por pensar que o povo hebreu pudesse se levantar contra ele por apresentar-se como um enviado do senhor e ainda a depreciação por aquilo que ele mesmo reconhecia como uma dificuldade real, isto é, o manejo da língua ou idioma. Já Zaqueu, mesmo conhecendo que havia muitas pessoas que sentiam uma grande repulsa por ele, não se deixou levar por qualquer tipo de medo de rejeição que se pudesse fazer presente em sua alma, pelo contrário, desceu da árvore e recebeu a Jesus com um abraço, sabendo que a partir daquele instante, as coisas começariam a mudar em sua vida. Quando recebemos o senhor, tornamo-nos participantes do seu amor e sentimos que o verdadeiro amor lança fora todo medo (Hb 2.15), assim sendo, somos revigorados para qualquer projeto que Deus tenha para nossa vida (1Jo 4.18). No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, assim o que teme não é prefeito em amor.

3.3. Buscar tratamento para medo de rejeição e reconhecer sua necessidade
A ciência tem se utilizado de diversas técnicas para o tratamento do medo da rejeição através de medicamentos que amenizam os sintomas da ansiedade. Esses medicamentos devem ser indicados unicamente por médicos e devem obedecer à individualidade de cada paciente. Existem também tratamentos com acompanhamento de psicólogos que atuam com a técnica conhecida como cognitiva comportamental. O remédio para Zaqueu experimentar o gozo que é estar na presença do senhor, foi a sua decisão de abrir mão daquilo que ele considerava como o mais importante em sua vida (Lc 19.8), pois havia descoberto algo de maior valor. A palavra de Jesus deu a certeza que esperava (Lc 19.9-10). Nenhum medo é motivo para que nenhum homem abar mão das bênçãos do Senhor em sua vida.

O tratamento feito paralelamente com uso de medicamento e acompanhamento terapêutico aumenta, em muito, a possibilidade de melhora para quem sofre com os sintomas do medo de rejeição.

Todo crente precisa estar preparado para a obra. Em se preparando, o medo de rejeição deve ser superado. A oração, a comunhão, a manifestação dos frutos do Espírito, a busca incessante da presença do Senhor são fatores a serem considerados na preparação para a obra. Sendo eles alcançados, o crente deve considerar-se pronto. Quando a superação do medo parecer inviável é preciso de fato considerar alguma patologia psicológica. A timidez exageradamente manifesta na forma de fobia social, os sintomas da ansiedade apresentados pelo comentarista podem indicar uma doença, para além de um simples temor. E o crente também está sujeito a doenças. Para nós, como para todos os homens, estão disponíveis os recursos da medicina. É comum entre parte significativa do rebanho do Senhor o pensamento de que as doenças psicológicas não são verdadeiramente doenças. Da mesma forma que a perda da visão, por exemplo, acarreta em perda de qualidade de vida a qualquer ser humano, a síndrome do medo de rejeição o faz igualmente. Alguém patologicamente afetado pelo medo insuperável de ser rejeitado pode se tornar doente fisicamente por que disso pode advir, como consequência, depressão, que é uma tristeza crônica, e todos os males dela decorrentes, levando até mesmo à morte prematura ou a um sofrimento perene. Um tratamento adequado pode ser indicado por um profissional competente, da mesma forma como é feito para problemas do coração, do fígado, dos rins etc. As drogas sempre serão indicadas para casos extremos, onde seja mais benéfico o risco de dependência e dos efeitos colaterais aos dos sintomas da doença. A hora de procurar ajuda é exatamente aquela em que o temor de ser rejeitado supere a expectativa de ser aceito.

Conclusão
Nosso estudo nos levou a descobrir que não é difícil alguém com tanta importância para Deus, como Moisés, ficar preso em seus medos. Todavia também descobrimos que se entregarmos a Ele nossa vida inteiramente, ao exemplo de Zaqueu, estaremos livres de qualquer tipo de medo que possa tentar nos assombrar (Hb 2.15). Contar com a ajuda de profissionais especializados pode fazer diferença na hora da tomada de decisões.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

ENFERMIDADES DA ALMA – Identificando os distúrbios emocionais e confrantando-os com soluções divinas e bíblicas. Revista Jovens e Adultos. Editora Betel - Rio de Janeiro: 2º Trimestre de 2014. Lição 02.

(Http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/a-S%C3%ADndrome-Da-ceita %C3%A7%C3%A3o – Ou -Podemos/31597852.html)


PB. HERIVELTO PAIANO

25 de março de 2014

Lição 01 - Cura para enfermidades da alma

CURA PARA ENFERMIDADES DA ALMA

TEXTO ÁUREO
E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.” (Mt 9.35).

VERDADE APLICADA
O Senhor sabe quem verdadeiramente somos e conhece todas as nossas dificuldades.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Explicar o que é cura interior;
Definir os sintomas da enfermidade da alma;
Mostrar o processo da cura.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
Jo 5.2 Ora, em Jerusalém há, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.
Jo 5.3 Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas.
Jo 5.4 Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
Jo 5.5 E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.
Jo 5.6 E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

O assunto deste trimestre, além de importante é extremamente sério: primeiro, porque o número de cristãos com "enfermidades na alma", precisando de cuidado e atenção especial, tem crescido assustadoramente. Existem hoje milhares de pessoas a sofrer desses males e não poderão encontrar verdadeiro alívio enquanto não forem ter com o "médico da alma" (Mt 11.28); segundo, porque isto é uma clara demonstração do "declínio espiritual" em que vive a Igreja de Cristo nos dias atuais. Creio em regra geral, que a receita para grande parte dos problemas das "enfermidades da alma" está num "reavivamento" espiritual de cada cristão individualmente e da igreja como um todo. Todavia, deixo claro que isto se trata de minha visão geral do assunto, não entrando no mérito ou motivação individual de cada caso. Assim, diante da importância e da seriedade do tema, penso que as lições não podem e nem devem, de forma alguma, apenas serem "repassadas" em classe, mas analisado e aplicado com cuidadoso e minucioso preparo. Minha oração é que Deus use destas 13 séries de lições para abençoar a sua vida, de todos os nossos alunos e de todas as pessoas que, porventura, estejam passando por algum desses males (3 Jo v2).

INTRODUÇÃO
Todas as pessoas, ao longo de sua existência, sofrem traumas emocionais. Isso acontece quando somos feridos pelos acontecimentos da vida ou por indivíduos, próximos a nós ou não. Os traumas podem deixar feridas profundas na alma. Sua dor é intensificada pelo senso de impotência. Sem o devido tratamento, a pessoa se fecha para o mundo, protege-se por uma muralha construída de amargura, desejo de vingança, autopiedade, medo e desconfiança. Portanto, vamos aprender como restabelecer o equilíbrio entre o corpo e a mente, à luz das Escrituras, para vivermos com mais qualidade de vida (Jo 10.10b).

A vida do ser humano envolve períodos difíceis e trabalhosos. Todos passamos ou estamos sujeitos a passar por adversidades nas mais diversas áreas de nossa vida (quer seja emocionais, físicas, psicológicas, espirituais, etc) que nos causam tristeza, frustração, ressentimentos, medo, decepções e etc. A experiência pessoal e genuína do Novo Nascimento gera no crente uma natureza oposta à da queda (1 Jo 5.1,19). No entanto, apesar de ter nascido de novo, o crente em Jesus não deixa de experimentar o sofrimento, pois habitamos em um corpo que não foi ainda plenamente transformado, mas que espera sua glorificação final (1 Co 15.35-58). Apesar disto, acreditamos que crentes com vidas transformadas e cheios do Espírito Santo não serão e nem poderão ser vítimas tão fáceis de um "estado" de enfermidade na alma. Sentimos, sim, tristezas, frustrações, decepções, medo, etc, mais daí perpetuar esses sentimentos negativos em nossas vidas, é algo que precisa ser cuidadosamente avaliado.

1. IDENTIFICANDO OS DISTÚRBIOS EMOCIONAIS
Acontecimentos ruins podem acometer qualquer cristão e deixá-lo triste, amargo e até revoltado. O fato de sermos servos de Deus não nos torna imunes ao sofrimento (2 Co 6.4,5); não nos isenta de dores, doenças, acidentes, contrariedades, traições, perdas, separações, injustiças, decepções e tantos outros reveses que fazem parte da existência humana. Existem certas áreas da vida humana que precisam de um toque especial do Espírito Santo, porque nem sempre a conversão do individuo traz cura imediata a todas as enfermidades, como acontece com os males emocionais.

Este é um ponto que devemos esclarecer muito bem. Existe uma linha de pensamento a respeito da vida cristã que dá a impressão de que, uma vez conver­tido, não há mais ondas nem tempestades no mar da vida. Tudo vai ser perfeito, sem qualquer problema. Nós não coaduamos com esse pensamento, pois acreditamos que as lutas e tribulações fazem parte da vida de todos. Com a queda de Adão o sofrimento se tornou comum a todos os seres humanos, quer sejam ímpios, quer sejam justos (Rm 2.12; 8.22). No principio, Deus fez um mundo perfeito (Gn 1.31), mas a transgressão de Adão trouxe a tristeza, a dor e a morte (Gn 3.16-19; Rm 5.12). Assim, o fato de sermos crentes não nos dar a garantia de uma vida, aqui na terra, sem lutas e adversidades. Em momento algum Jesus nos prometeu "um mar de rosas". Ao contrário, ele disse que no mundo teríamos aflições: "Eu lhes digo estas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo" (Jo 16.33). É bem verdade que no capítulo anterior, no versiculo 11, o Senhor Jesus demonstra seu desejo de que tenhamos um gozo e uma alegria completa, ao dizer: "Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês sejam completa" (Jo 15.11). Mas, a nossa alegria em Cristo, não nos isenta dos momentos de tristezas, pelo menos enquanto aqui estivermos. Ainda que para muitos isso pareça um paradoxo, é possível ao crente está em paz interior, e simultaneamente contristado por alguma adversidade. O Apóstolo Pedro em sua primeira epístola escreve: "Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo" (1 Pe 1.6-7). Vivenciar o sofrimento e a aflição humana e, paradoxalmente, desfrutar da paz de Cristo, parece-nos loucura. Mas não o é quando entendemos que Deus age segundo o conselho da sua vontade, visando sempre o bem e o crescimento dos seus filhos. Infelizmente, o que percebemos, é que quando vêm as aflições, muitos crentes ficam tristes, decepcionados, amargurados e até “traumatizados” a ponto de provocar uma enfermidade na alma e/ou o abandono da fé.

1.1. A maturidade para identificar o problema
Compreendendo a necessidade de uma transformação em certas áreas de nossa vida, evitaremos atitudes extremas que são comuns em muitos lugares e situações como, por exemplo, irmãos que veem a ação de Satanás em situações que não possuem respostas concretas. É preciso ter cautela ao afirmar que o diabo está ou não agindo em alguém. Pois, pela falta de discernimento de alguns líderes, muitas pessoas se sentem feridas e desiludidas, precisando de restauração, simplesmente, porque um crente espiritualmente imaturo cismou em expulsar demônios que julgava estar atuando nas pessoas. Como denuncia o profeta, é o pecado da ignorância (Os 4.6). Nem todos os comportamentos que desconhecemos têm a ver com a manifestação de espíritos malignos. Não são todas as pessoas que precisam de libertação de demônios. Algumas precisam de tratamento terapêutico, ou até medicamentoso (1 Tm 5.23). Temos que aceitar a ciência como uma bênção divina, e não uma inimiga do Evangelho (Mt 9.12). A boa ciência tem contribuído e muito para a saúde integral dos homens há muito tempo.

A verdade é que quase sempre as enfermidades tem sua origem ou no pecado ou na ação do maligno(Mc 9.17; Lc 13.10-17). Entretanto, não podemos espiritualizar tudo o que é doenças e enfermidades. Nem toda doença ou enfermidade tem necessariamente sua origem no pecado ou na manifestação do inimigo de nossas almas. Quando o cristão descuida-se ou esquiva-se quanto aos cuidados e providências básicas de conservação da saúde, quer seja física ou emocional, surgem doenças e enfermidades no corpo e na alma, que poderiam ser evitados. Portanto, não podemos definir a origem sem um cuidadoso diagnóstico. Na antiguidade, em regra, as doenças e enfermidades eram consideradas como consequências de ações pecaminosas. No incidente de Jó, por exemplo, seus amigos sugeriram que seus infortúnios, que incluíam suas enfermidades, eram resultado de pecados cometidos. Para eles, de alguma forma, sua falta havia causado seu sofrimento. De igual modo, os discípulos de Cristo entendiam que a cegueira de um homem era fruto de um castigo pelo pecado (Jo 9.2). A consideração desse fato é importante, pois se sua causa é espiritual, fica implícito dizer que para essas doenças e enfermidades, não se requer diagnóstico e nem medicação, mas expiação. O que implica dizer que a morte expiatória de Cristo foi um ato perfeito e suficiente para redimir, libertar e curar o ser humano de seus pecados, enfermidades e doenças. O Profeta Isaías, em sua profecia messiânica, predisse sobre um redentor que assumiria nossos pecados, enfermidades e doenças, quando disse: "Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças..."(Is 53.4). O Evangelho de Mateus confirma essa predição dizendo que em Cristo "todos os que estavam enfermos foram curados", e assim se cumpriu o que fora dito pelo profeta Isaías: "Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças" (Mt 8.16,17). No entanto, o próprio Jesus tratou de corrigir os seus discípulos, dizendo que a cegueira não fora fruto do pecado, mas que aconteceu para que se manifestasse a glória de Deus na vida dele (Jo 9.3). Assim, nem toda vez que uma pessoa adoece, quer seja no corpo, quer seja na alma, é porque está em pecado. As enfermidades, também, são resultantes da ação do inimigo (Jó 1.1-22; Mc 9.17; Lc 13.10-17), bem como de nosso descuido com o corpo e com a mente (1 Tm 5.23). Diante disto, podemos sim afirmar, que em alguns casos de doenças e enfermidades, poderão ser necessário, tanto o diagnóstico, quanto a medicação. Quanto aos métodos de acompanhamento e tratamento, acho que a terapia pode ser um aliado no processo de cura, principalmente, se for acompanhado por um “profissional cristão”. Entretanto, devemos ser cauteloso no indicar um tratamento apenas com terapias ou com medicamentos. Não sou especialista na área, mas como conhecedor da Palavra de Deus, posso afirmar que enfermidades na alma difere em muito de doenças do corpo. Nas doenças no corpo o diagnóstico e a medicação, quase sempre resolve, já nas doenças da alma, estes por si só, são insuficientes para resolver definitivamente tais enfermidades, pois eles, quase sempre têm origem espiritual. A experiência nos mostra, que apesar da grande quantidade de métodos terapêuticos, clinicas especializadas e variedade enormes de remédios, são raros os casos de pessoas que tenha sido completamente curada. Ao contrário, a maioria das pessoas que foram tratadas só com medicamentos e/ou com terapeutas não cristão, inicialmente “apareceram mais calmas” (pois tratam apenas de seus efeitos e não as causas), mas algum tempo depois suas enfermidades se tornaram ainda mais crônicas. A única clínica que cura 100% é a de Jesus, pois trata diretamente na causa.

1.2. Soluções bíblicas para problemas médicos
Ter mais fé, orar mais e ler mais a bíblia são orientações comuns para solucionar os problemas de traumas, depressão e outras enfermidades da alma. Mas essas respostas são simplistas demais e denota ausência de conhecimento e sensibilidade para situações de grande complexidade. Na verdade, a pessoa que recebe essa orientação, pode acumular mais pressão sobre si, uma vez que seus problemas são de origem emocional. A sua forte sensação de culpa aumenta e redobra o seu desespero. Alguns irmãos precisam de uma orientação terapêutica na área das emoções, um psicólogo ou até mesmo psiquiatra. Assim como um leigo não pode prescrever remédio a um paciente com problemas patológicos, também é necessária a capacitação específica para cuidar de pessoas com problemas emocionais, uma vez que esses podem gerar doenças psicossomáticas.

A ajuda de um profissional da área é sempre bem vindo, pois alguém formado e preparado para conduzir uma análise investigativa, certamente contribuirá e muito com o processo de cura. Mas ainda assim, acho que o tratamento mais eficaz é o da fé, da leitura da Bíblia e da oração. Acho também que a maioria absoluta das enfermidades da alma, jamais deveria ser tratado com remédios, mas sim com a Palavra de Deus e com oração. Só Deus através de sua Palavra e do Espírito Santo, pode penetrar no mais profundo de nossas almas e prescrutar nosso interior (Hb 4.12). Evidentemente que não é só chegar à pessoa que está sofrendo uma enfermidade da alma e pedir à ela para ter fé, ler a bíblia ou orar. É preciso acompanhar de perto o desenvolvimento emocional e espiritual dessas pessoas, ouvindo-as, aconselhando-as e exercitando juntamente com elas a alcançarem a fé, lerem a Bíblia e orarem. A Bíblia, apresenta o Senhor nosso Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, como aquEle que sara as enfermidades do seu povo (Ex 15.26; Dt 7.15a; Sl 103.3; Mt 8.14-17; 1 Pe 2.21). No antigo Testamento, a condição para experimentar a cura divina era a estrita obediência à lei (Dt 7.11-15), mas em o Novo Testamento, ela está disponível a todos que os buscarem mediante a fé em Jesus Cristo. A melhor solução para os nossos problemas, sejam eles quaisquer, é confiar na provisão divina (Mt 6.30-34). A obediência e a integridade do cristão, ao Senhor nosso Deus, produzem paz interior e equilibro emocional (Sl 55.22). As doenças psicossomática manifestam-se quando os desajustes do sistema emocional transformam-se em doenças físicas. As causas de muitas doenças e enfermidades no corpo, não encontram explicação na área física, mas na mente.

1.3. Quais são os distúrbios (doenças) emocionais?
1. É comum as pessoas serem dominadas por complexos (inferioridade, incapacidade e ansiedade, 1 Pe 5.7), alimentando a ideia de que nunca serão alguma coisa, que tudo dará errado e que ninguém gosta dela. 2. O complexo de perfeccionismo é uma doença gravíssima, e a pessoa tem um sentimento interior de insatisfação (Fp 2.14); pensa que nunca faz nada direito e não satisfaz aos outros, a si mesma e nem a Deus; carrega uma sensação de culpa, sempre impulsionada pelo que sente ser seu dever. 3. Outro trauma é a suscetibilidade, pessoa supersensível e que já padeceu com muitas mágoas (Jo 21.17). São pessoas que exigem muito agrado, no entanto, por mais que seja feito algo para alegrá-las, nunca é o suficiente. 4. Também há os que são dominados por temores. Pessoas que temem demasiadamente o fracasso, e possuem tanto medo de perder no jogo da vida que nunca entram na partida (Mt 25.25). Assistem na plateia sem se comprometerem.

Paulo, escrevendo aos Coríntios, tratou de problemas humanos possíveis e inimagináveis. Disputas, divisões, contendas, Ceia do Senhor, dons de línguas, e tantos outros assuntos. E uma quantidade considerável de sua carta era relacionada a assuntos de ordem sexual; pré-conjugal, conjugal, extraconjugal. Esse tempo que vivemos se iguala àquela época. Por isso, não podemos tratar esses assuntos melindrosos apenas com a famosa receita: oração, leitura das Escrituras e jejum.

Geralmente, a causa básica para os sintomas desses complexos é a baixa estima, ou seja, a visão equivocada que o individuo tem ou faz de si mesmo. O individuo complexado é aquele que é permanentemente dominado por limitações de visão de si mesmo. O cuidado com a baixa estima é importante, pois ela é em si uma deformação comportamental que pode levar o individuo a incorporar limitações em sua vida. A solução para esses problemas de complexos deve ser baseados no processo de restauração da imagem de Cristo no ser humano, bem como a restauração de sua verdadeira imagem. O processo de acompanhamento e desenvolvimento da vida cristã, se torna importante, pois uma vez a pessoa se encontrando com Deus e com Cristo, tendem a se encontrar com consigo mesma, com suas potencialidades, suas limitações, suas energias, suas possibilidades e etc.

2. PASSOS IMPORTANTES PARA A RESTAURAÇÃO
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza” (Rm 8.26). Essa declaração do Apóstolo Paulo lembra qual é a ação do Espírito Santo na vida do cristão. Ele assiste, ou seja, acompanha em conjunto, passo a passo todo o processo de restauração de cada um. O Espírito Santo se torna companheiro. Trabalhando ao lado de quem sofre, participando ao lado de quem sofre, participando de todo o processo de cura (At 15.28). Ele é o terapeuta espiritual e eficaz que nos auxilia, orientando naquilo que é preciso fazer (Jo 14.16,26).

Somente a Palavra de Deus e o Espírito Santo é capaz de ter acesso irrestrito no âmago de nossa alma (Is 55.11; Hb 55.11). Só Ele alcança a divisão da alma e do espírito, lugar onde nem Freud e nem psicólogo algum consegue chegar. A cura interior é realizada pela ação poderosa do Espírito Santo. É Ele quem liberta e cura de cada lembrança dolorosa que nos faz sofrer. Jesus mesmo disse, em sua Palavra, que o Espírito do Senhor estava sobre ele para evangelizar, proclamar libertação aos cativos, operar a restauração aos doentes e enfermos e por em liberdade os oprimidos (Is 61.1-2; Lc 4.18-19). Ele fora enviado para os que estão com o coração quebrantado (feridos, machucados, arrasados, etc).

2.1. Ter coragem para falar do problema
Por mais difícil que possa parecer, é fundamental encarar o problema de frente. Admitir e falar do assunto com outra pessoa fazem parte do processo de cura. Existem problemas que nunca poderão ser solucionados, enquanto não falarmos deles. As confissões possuem poder terapêutico, pois a Bíblia orienta: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5.16), então devemos reconhecer de forma consciente nossos problemas e procurar alguém idôneo para ajudar-nos.

Esse subtópico, talvez ficaria melhor colocado se assim fosse escrito: “ter coragem para lidar com os problemas”. Penso que o maior desafio que nós enfrentamos neste mundo é saber lidar corretamente com nossas emoções e sentimentos. Talvez você nunca parou para imaginar o tamanho da devastação, da miséria e da desgraça provocada em nós, simplesmente, porque não sabemos lidar com nossos problemas e emoções! Será que nos conhecemos a nós mesmos? Será que sabemos discernir quais são as áreas específicas de perigo para nós? Sabemos a que é que somos especialmente vulneráveis? Todos temos algo que representa uma dificuldade peculiar para nós, e em geral é algo que pertence à esfera do nosso temperamento ou formação natural. É por isso, que a Bíblia nos exorta a sermos cuidadosos com respeito às nossas forças e às nossas fraquezas. Temos que vigiar tanto em nossas forças como em nossas fraquezas. A essência da sabedoria é compreender este fato fundamental sobre nós mesmos. A primeira coisa que preci­samos aprender é o que o salmista aprendeu — precisamos assu­mir o controle de nós mesmos (Sl 42). Devemos falar com o nosso "eu" em vez de permitir que o nosso "eu" fale conosco! Um homem precisa ter o controle sobre si mesmo, deve examinar, falar e exortar a si mesmo. Foi o que o salmista fez. Ele não se contentou em ficar sentado, sentindo pena de si mesmo. Ele analisou a situação e assumiu o controle de si mesmo. Ele se voltou para si mesmo, dizendo: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" (Sl 42.5). É como se ele estivesse censurando e exortando a si mesmo, dizendo: "Por que estás abatida?", "Como pode se abater assim?", "Espera em Deus", "Eu ainda o louvarei”, “Ele é a minha salvação”, “Ele é o meu Deus". É assim que devemos também agir com nós mesmo, em vez de ceder à vontade da alma e ficar resmungando e murmurando de maneira infeliz e deprimida. Grande parte da infelicidade, perturbação e depressão na vidas das pessoas, reside no fato de que estão escutando (obedecendo) a si mesmos em vez de falar (exercer domínio) consigo mesmo. Existe um “eu” dentro de nós que precisa ser controlado. A segunda coisa que precisamos aprender é falar e/ou dividir com os outros a nossas cargas (Gl 6.2; Tg 5.16), como bem disse o comentarista.

2.2. Humildade e quebrantamento aliados à restauração
De certa forma, o mundo é composto de dois tipos de pessoas: os que se sentem suficientes e não sentem fraquezas emocionais e espirituais, e os que reconhecem suas limitações. Para efeito didático, chamaremos o primeiro grupo de independentes, e o segundo grupo de dependentes. As pessoas que compõem ambos os grupos se encontram em todos os níveis da sociedade, inclusive na igreja de Cristo. Há crentes que se portam de maneira independente e insensível quanto à graça de Deus, e outros que admitem sua total dependência do Senhor. Humildade e quebrantamento são passos importantes na restauração das feridas emocionais (Pv 18.12-14). É admitir nossas fragilidades humanas e limitações para viver como Cristo viveu. Reconhecer nossa incapacidade e permitir que Ele viva em nós, essa impossibilidade transforma-se em realidade: Cristo em nós á a esperança da glória (Cl 1.27).

Como já dissemos anteriormente, a vida envolve períodos difíceis e tribulosos. No entanto se nossa vida estiver na dependência de Deus, poderemos desfrutar, mesmo que em meio às aflições, da mais perfeita e sublime paz. As Escrituras também diz, que "O Senhor nos assiste no leito da enfermidade; na doença, lhes afofas a cama" (Sl 41.3). Portanto, a soberania divina na vida daqueles que lhes são dependentes, garante-lhe que os olhos de Deus sondem-lhes a vida por inteiro. Somos em suas mãos o que o vaso é nas mãos do oleiro (Jr 18.4). Por isso, podemos falar como o salmista: "Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a milha aflição, conheceste a minha alma na angustia" (Sl 31.7). Mesmo em meio à luta e aflições, o crente integro, sente paz com Deus e dorme com a consciência tranquila, sob as bênçãos do Senhor.

2.3. Saber se queremos ser curados
Foi exatamente essa a pergunta que o Senhor Jesus fez ao paralítico que esperava ser curado há trinta e oito anos (Jo 5.6). Há pessoas que só querem conversar sobre suas mazelas, e não querem a cura. Só falam para despertar a compaixão nos outros e se utilizam dos ouvintes como uma muleta. O paralítico respondeu a Jesus: “Mas, Senhor, ninguém me põe na água. Eu bem que tento, mas todos chegam antes de mim”. Aquele homem esperou tanto tempo que já estava emocionalmente abalado. Sabe-se que, mesmo fisicamente, não se pode curar uma pessoa sem que haja, por parte da mesma, uma íntima vontade e desejo de ser curado. Os médicos fazem a parte que lhes cabe, mas o maior trabalho fica por conta da própria pessoa. Ninguém pode fazer por nós o que não desejamos nós mesmos. Por isso Jesus pergunta: “Queres ficar são?” (Jo 5.6; Lc 18.41).

Não é possível mudar o passado, mas é possível controlar seus efeitos em nossa vida. Diante dos traumas emocionais, existem duas atitudes possíveis: a de ressentimento e a de perdão, e mais nenhuma outra.

Podemos resumir o comentário deste subtópico, dizendo: Quem quer ser curado, tem que tomar uma postura de querer ser curado. “Querer a cura”, aqui significa: “querer entrar num processo de cura”. Mas, qual o doente que não deseja a cura para sua enfermidade? Naturalmente falando, todos “desejam” a cura, mas nem todos “querem” entrar num processo de cura. Desejo é uma mera vontade, mas o querer requer decisão, luta interior, esforço, persistência e disciplina. Requer uma postura combativa ou uma busca de meios alternativos para solucioná-los. Assim, o querer se curar faz parte da própria cura. Quem não quer, mas só deseja, sempre arrumará desculpas para sua não solução. Peça para Jesus entrar no seu “querer”!

3. CURA E RESTAURAÇÃO DIVINAS PARA OS ENFERMOS DE ALMA
Se analisarmos um exemplo bíblico de um coração ferido, descobriremos José. Foi atitude de perdão que salvou José tornar-se prisioneiro do seu passado, pois não abrigou, em seu coração, desejos de vingança (Gn 45.5). De uma maneira maravilhosa, os sofrimentos que José experimentou foram usados por Deus, os dias difíceis haviam-se passado e José soube deixá-los para trás.

O perdão de todo o coração é o remédio eficaz para a cura de todas as mazelas do ser humano. José aprendeu o valor e os benditos efeitos do perdão para a sua vida, espiritual, emocional e física. Infelizmente, existem muitas pessoas ativas e empenhadas na obra de Deus, mas que não usufruem dos benefícios do perdão, pois em sua vida guardam mágoas, rancores e ressentimentos. A Bíblia tem a receita de evitarmos tudo isto: “Irai-vos e não pequeis... Não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4.26). “Amai vossos inimigo; bendizei aos que vos maldizem; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem...” (Mt 5.44). Desenvolver uma convivência sem ressentimentos ou raiz de amargura é vital para a vida cristã. Este fato é tão importante que o Senhor Jesus chegou condicionar a entrega da nossa oferta no altar, a uma busca primeiro da reconciliação com aquele a quem nós ofendemos (Mt 5.21-24). Em Mateus 18.15-17, Ele também nos ensina como agir quando somos ofendidos por um irmão. Assim, como José, coloque você também em prática estas passagens e certamente serás abençoado.

3.1. Não permitir o ressentimento
O ressentimento, muitas vezes, apresenta-se como um empecilho à obra restauradora de Deus e do seu Santo Espírito. O Senhor quer nos curar, mas nós recusamos a esquecer o passado e resistimos olhar para frente. Não podemos ser escravos do que nos esqueceu, nem de nossa história. O sofrimento, associado ao ressentimento resulta em escravidão (Jó 5.2; Gl 5.1). É como se estivéssemos condenados a caminhar enormes amarradas aos pés. Acrescentar ressentimento às lembranças dolorosas é criar uma mistura ácida que corrói o coração.

Só há um meio de apagar essas cicatrizes que se abrem com frequência: entregar, inteiramente, nossos males nas mãos dAquele que “verdadeiramente tomou sobre si todas as nossas dores” (Isaías 53.4).

Há entre nós muitos crentes que guardam rancor e cheios de amargura, mágoa e ressentimento. Estes sentimentos causam tensão que pode nos levar a um desfecho fatal. A Palavra de Deus adverte-nos: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7). Há inúmeras doenças que tem origem em causas por tensão emocional. A medicina tem constatado que mais ou menos 70% das doenças são causadas por problemas emocionais (mágoa, ressentimentos, ira, ansiedade, insucesso na vida efetiva, estresse, medo, etc). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, doenças como câncer, hepatite, hipertensão, depressão e obesidade são consideradas as pragas do século XXI. Não podemos negar que o homem moderno passa por muitos conflitos emocionais, e que precisa resolvê-los, urgentemente, para que encontre o equilíbrio e evite com isto as enfermidades da alma e do corpo (Rm 7.22; 2 Co 4.16). A Bíblia diz: "O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos" (Pv 17.22).

3.2. Permitir a intervenção de Deus
Todos nós precisamos de cura e crescimento emocional. Trata-se de uma atitude de humildade e reconhecimento de que necessitamos de Deus da cura do Senhor. Quando temos uma ferida, colocamos um curativo e tapamos a ferida, mas ela continua lá, e, quando esbarramos em algo, sentimos dor novamente. Assim é a ferida emocional, também, tapamos fingindo que não está lá, mas de lá ela não saiu. E, quando acontece alguma coisa que mexe com o nosso emocional, sentimos novamente aquela dor. Para sermos curados, é necessário tirarmos o curativo para que Deus derrame seu bálsamo curador.

Há pessoas que não conseguem se apropriar da cura de Deus para os traumas emocionais. E Deus, paciente e cuidadosamente, inicia o tratamento do nosso coração. Mas, quando ele já está quase curado, o ferimento começa a coçar. A pessoa diz: “Não, eu não posso esquecer; não vou deixar isso barato”.

As tristezas e decepções da vida, ao invés de nos afastar, devem ser motivos para nos compelir à procurar a intervenção de Deus. Só Ele, através de sua misericórdia, compreende as nossas emoções mais profundas, especialmente aquelas que surgem da dor. Nosso grande erro está em centrar nossos problemas emocionais mais no homem e menos em Deus. Assim, de certa forma, passamos a confiar a solução dos problemas mais nos homens do que em Deus. Entretanto, o Profeta Isaías assim declarou: “Os seus caminhos são mais altos que os nossos caminhos” (Is 55.8-9). Se queremos a “cura da causa” que gerou o nosso problema, ao invés de apenas dos “cura dos efeitos”, devemos aprender a ver e receber diretamente de Deus.

3.3. Soltar as amarras emocionais com o perdão
Frequentemente há ódio, raiva e ressentimento em nossa alma, associados às lembranças dolorosas. Na realidade, são esses sentimentos (e não o fato em si) que nos machucam, perseguem e causam tristeza. Diariamente tais sentimentos trazem, à tona, a dor que um dia sofremos. Quando nos ressentimos (tornar a sentir; sentir muito), remoemos a mágoa, relembramos a ofensa, revivemos a dor e reforçamos o sofrimento. Autorizamos àquele que nos feriu no passado o poder de fazê-lo no presente e continuar nos ferindo no futuro. As amarras emocionais só podem ser rompidas com o perdão. O ressentimento nos torna marionetes nas mãos de Satanás, ficamos amarrados, controlados, escravizados, fazendo exatamente o que ele quer (2 Co 2.10,11).

Perdão é o único remédio estabelecido por Deus para libertar e sarar o homem de suas mazelas e amarras emocionais. Quando uma pessoa não perdoa, seu coração é inundado por toda sorte de sentimentos ruins e tensões emocionais. Segundo a medicina, são esses sentimentos e tensões a principal causa de doenças psicossomáticas, tais como: úlceras do estomago e intestinos, pressão alta, problemas no coração, distúrbios mentais, doenças renais, diabetes, artrite, arteriosclerose, papeira e outras. Já o ato de perdoar não somente restabelece nossa comunhão com Deus, como também dá saúde à alma, à mente, ao coração e ao corpo promovendo o perfeito equilíbrio entre o homem e o meio em que vive. Além de sarar as feridas da alma, traz também libertação da mágoa, alívio e paz ao coração. Através do verdadeiro perdão Deus é glorificado e o diabo é derrotado.

CONCLUSÃO
Feridas na alma são aquelas que doem, mesmo quando já não vemos mais o machucado; ou aquele que causou a ferida não está mais presente e, ainda assim, de vez em quando, elas voltam e incomodam. Às vezes, causam insônia, falta de apetite e tristezas. E doem muito, dói o coração. Mas, principalmente doem a alma.

Um dia não haverá mais enfermidades, doenças e nem morte. A Bíblia nos garante que um dia, nós os salvos em Jesus Cristo, seremos transformados, receberemos um novo corpo e nunca mais morreremos (1 Co 15.52, Ap 21.4). Porém, enquanto estamos aqui, devemos zelar pela nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Precisamos cuidar bem do nosso corpo e da nossa alma. Temos de cuidar de nossa saúde física por meio de uma alimentação correta, repouso adequado, exercícios físicos, etc, bem como de nossa alma através da leitura da Palavra, jejum, oração e agindo de modo equilibrado.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

ENFERMIDADES DA ALMA – Identificando os distúrbios emocionais e confrantando-os com soluções divinas e bíblicas. Revista Jovens e Adultos. Editora Betel - Rio de Janeiro: 2º Trimestre de 2014. Lição 01.

LLOYD-JONES, MRS BETHAN. DEPRESSÃO ESPIRITUAL. LIS Gráfica e Editora Ltda. 1987. Digitalizado, revisado e formatado por: Valadão Batistoni.

A BÍBLIA EXPLICADA. McNAIR S.E. – 4ª Edição – Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro. 1983.

LIÇÕES BÍBLICAS: JOVENS E ADULTOS. Como enfrentar os desafios deste século – Editora CPAD – 2º Trimestre de 2007.

LIÇÕES BÍBLICAS: JOVENS E ADULTOS. As curas que a Bíblia oferece – Editora CPAD – 3º Trimestre de 2008.

Pr. Osmar Emídio de Sousa
(Osmar Emídio é Servidor Público Federal; pastor pela Assembleia de Deus, Ministério de Madureira e Superintendente da EBD. É formado em Direito e também bacharel em Missiologia e em Teologia Pastoral, pela FATAD - Faculdade de Teologia das Assembleias de Deus de Brasília).